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Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

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Eleita a nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa

30 de janeiro de 2010


Com 34 votos favoráveis foi eleita a nova Mesa da Assembléia Legislativa para o período 2010/2011. Com a renúncia da Mesa anterior e a eleição da nova Mesa teve seguimento a cerimônia de posse de Giovani Cherini na presidência do Parlamento para o último ano da 52ª Legislatura, período que segue de 30 de janeiro de 2010 até 31 de janeiro de 2011, Autoridades, familiares, amigos e militantes trabalhistas lotam as galerias para prestigiar a posse do futuro presidente do Legislativo, deputado Giovani Cherini.

A governadora Yeada Crusius prestigia a solenidade. Também estão presentes o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, o vice-prefeito, José Fortunatti, o deputado federal Vieira da Cunha e o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan, entre outras autoridades de órgãos representativos e de entidades da sociedade civil. A sessão foi aberta pelo presidente que deixa o cargo, deputado Ivar Pavan (PT).
Após a execução do Hino Nacional será lido o termo de renúncia da atual Mesa Diretora. Em seguida, ocorre a votação para eleição da nova composição do órgão diretivo da Casa. A cerimônia prossegue com os pronunciamentos do presidente que deixa o cargo, deputado Ivar Pavan (PT), e do novo presidente, o parlamentar Giovani Cherini.

Mesa Diretora 2010-2011

Presidente: deputado Giovani Cherini (PDT)
1º vice-presidente: deputado Marquinho Lang (DEM)
2º vice-presidente: deputado Nelson Härter (PMDB)

1º secretário: deputado Pedro Westphalen (PP)
2º secretário: Luis Augusto Lara (PTB)
3º secretário: Paulo Brum (PSDB)
4º secretário: Adão Villaverde (PT)

1º suplente de secretário: Raul Carrion (PC do B)
2º suplente de secretário: Heitor Schuch (PSB)
3º suplente de secretário: Luciano Azevedo (PPS)
4º suplente de secretário: Ciro Simoni (PDT)

Foto: Marcelo Bertani / Ag AL
postado por João Alexandre Goulart às 10:55

Coletânea sobre a ditadura no Estado

27 de janeiro de 2010




Porto Alegre RS:

Coletânea sobre a ditadura no Estado

O período entre a Campanha da Legalidade e o Golpe de 64, as experiências de repressão e resistência durante os “Anos de Chumbo”, a conexão repressiva, a Operação Condor, o fim da Ditadura e o processo de redemocratização são os temas abordados na coletânea A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória. Os quatro livros, que reúnem 40 autores e têm prefácio do escritor Luis Fernando Veríssimo, serão lançados nesta quarta-feira (27), às 19h, no Vestíbulo Nobre da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (Praça Marechal Deodoro, 101 – Porto Alegre), dentro da programação do Fórum Social Mundial (FSM) - 10 Anos - Grande Porto Alegre.
 
No evento, que contará com a presença já confirmada de 30 autores, haverá homenagem póstuma ao jornalista João Aveline. Na ocasião ocorrerá, também, o lançamento no Rio Grande do Sul do Relatório Direito à Memória e à Verdade, elaborado pela Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos Políticos.
 
O projeto da coletânea A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul é coordenado pela Escola do Legislativo Deputado Romildo Bolzan da Assembleia gaúcha e foi realizado em parceria com o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
 
Todos os volumes têm apresentação da Assembleia Legislativa, assinada pelo presidente da Casa, Ivar Pavan (PT); apresentação da UFRGS, escrita pelo diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Temístocles Cezar; introduções, elaboradas por historiadores, além de cronologias e cadernos de fotos.
postado por João Alexandre Goulart às 14:35

A deprimente agonia crepuscular do "brizolismo de resultados"

21 de janeiro de 2010

A deprimente agonia crepuscular do "brizolismo de resultados"

O apoio precipitado do PDT a Dilma poderá levar o partido à bancarrota eleitoral


 

 

 

A Executiva adesista do PDT: a lamentar mudança de postura  de Alceu Collaes,  figura histórica, que ganhou uma diretoria na estatal Furnas.

"Capitular agora em relação a essa camarilha que vem sendo desmascarada diariamente, por todos os poros, é promover, de forma vergonhosa, o segundo enterro do Brizola. O velho não merecia isso".
Da minha coluna na TRIBUNA DA IMPRENSA, publicada em 14 de novembro de 2005.

 
 
Na mesma semana em que os brasileiros serão lembrados da passagem do 88º aniversário do nascimento de Leonel Brizola, a Executiva Nacional do PDT formalizou o que todo mundo já sabia: o partido do caudilho embarcará de mala e cuia na candidatura de Dilma Rousseff, a mesma que, há exatos dez a nos, trocou vinte de militância no brizolismo, onde sempre foi tratada com carinho e afeto, pela permanência na Secretaria de Minas e Energia do petista Olívio Dutra, no maior e mais contundente ato coletivo de traição no trabalhismo gaúcho.
Esse anúncio, que um deprimido senador Cristóvão Buarque limitou-se a ironizar ("nem mesmo o PT se definiu oficialmente") faz parte de uma grande farsa, em benefício tão somente do ministro Carlos Roberto Lupi e da meia dúzia de lupistas aquinhoados com periféricas prebendas  e alguns favores de um poder sem escrúpulos de espécie alguma.
Fosse só isso, eu diria com uma análise amarga de todo um processo de decadência partidária: bem, o Lupi, que os ladinos do arrivismo alçaram a um ministério da República, é o último subproduto do próprio caudilho, que fez dele ao mesmo tempo presidente e tesoureiro do partido, na hora em que se sentia abandonado por antigos parceiros e marginalizado com uma coleção de quatro derrotas sucessivas, das quais a mais humilhante foi ter menos votos para presidente em 1994 do que o folclórico Enéas.
Mas essa decisão impensada afigura-se como um embalado haraquiri, prenunciando uma derrota eleitoral letal, com os mesmos efeitos tóxicos do vexame de 1994.
Abrindo mão de outros caminhos mais consequentes, o que resta do brizolismo assume de vez o inexpressivo papel de linha auxiliar, sem nada a declarar, sem discurso próprio, sem bandeiras e sem dignidade, jogando na mesma vala a penca perdida de mandatários restantes, alguns, como o governador cassado do Maranhão, Jackson Lago, brizolista de primeira hora, mortalmente traído e entregue às feras.
Desde a morte de Brizola, que sempre se deixou contaminar pelo culto à sua personalidade, pelos bajuladores de ocasião, e nunca soube usar seu carisma para a construção de um partido de verdade, sabia-se que o PDT perdera seu cérebro, sua alma, seu norte, sua própria razão de ser, eis que a agremiação em si era um mero apêndice do líder messiânico e se bastava com a exploração de sua popularidade, outrora arrebatadora.
Um prontuário de fracassos eleitorais
Carlos Roberto Lupi surgiu do nada. Perdeu todas as eleições que disputou, de vereador a governador, com uma única exceção: em 1990, graças aos ingentes esforços do seu "padrinho", o então prefeito Marcello Alencar, conseguiu ser eleito deputado federal com pouco mais de 20 mil votos, ficando como o penúltimo da legenda, que também se beneficiou do retorno triunfal de Brizola ao governo do Estado do Rio.
Disputou a primeira eleição em 1982, ficando em vigésimo lugar na chapa de vereadores do PDT. Em 1986, teve uma votação pífia para deputado estadual. Em 1994, não conseguiu retornar à Câmara Federal. Em 1998, foi ser suplente do senador Saturnino Braga, com o compromisso, desconhecido pelos eleitores, de assumir na segunda parte do mandato, o que gerou um desconfortável bate-boca, porque o senador do PSB deixou de "honrar o acordo".
Já em 2002, com duas vagas para o Senado, ficou em nono lugar, com parcos 182.482 sufrágios, ou 1,2% dos votos válidos. Vexame semelhante passou em 2006, ao candidatar-se a governador: obteve 125.735 votos (1,52%).
Com esse prontuário eleitoral, mas no comando do partido do qual alijou figuras históricas, como o ex-deputado José Maurício, o primeiro com mandato a aliar-se a Brizola, foi feito ministro do Trabalho por Lula, numa jogada de mestre: o seu descredenciamento como expressão política e seu despreparo ostensivo para o cargo faria dele o mais subserviente dos ministros - alguns o chamam de bobo da Corte - operando sem pestanejar a liquidação do brizolismo como força autônoma e eliminando o  potencial competitivo no mesmo "campo popular" dominado pelo PT.
Para isso, instrumentalizou o preposto de meios para explorar a medula fisiológica dos correligionários, servindo-lhes os ingredientes da subalterna "bolsa-adesão" em convenientes doses balanceadas. 
Ajudando Lula e sacrificando os correligionários
A precipitação da declaração de apoio a Dilma Rousseff não se deu por acaso. É do interesse do presidente Luiz Inácio desarticular candidatos na "base de sustentação", como Ciro Gomes, do PSB, que poderiam se reanimar com três fatos recentes: 1. A vitória do candidato da direita no Chile, contra o situacionista que contava com a aceitação de 80% da presidente atual; 2. O fracasso de bilheteria do filme montado para ser a uma apaixonante peça de propaganda do "lulismo", o que mostra que a sua popularidade é relativa; 3. E a reaglutinação dos partidos oposicionistas no Estado do Rio, com a possibilidade da candidatura de Gabeira, que dará uma nova feição ao quadro no terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, afetando, principalmente, o aliado Sérgio Cabral.
Como está absolutamente despersonalizado, o PDT cumpriu sua tarefa e o ministro pode manter seu sonho de, continuando no cargo até o fim do mandato de Lula, ser reaproveitado segundo a mesma equação de 2007 no caso de uma eventual vitória de Dilma Rousseff.
Com isso, será praticamente impossível que o PDT alcance os 5 milhões de votos que o preserva na desmoralizada cláusula de barreira. Uma análise preliminar mostra que sua bancada federal poderá "sumir na poeira": dos 6 senadores, restará João Durval, da Bahia, e Acir Gurgacz (que entrou no lugar do adversário cassado) já que Osmar Dias, do Paraná, quer disputar o governo do seu Estado; Cristovam Buarque levará uma boa rasteira em Brasília, Patrícia Saboya, do Ceará, nem sabe se disputará a reeleição, e Jefferson Praia, do Amazonas (suplente de Jefferson Perez), não tem condições de fazer uma "carreira solo".
Na Câmara Federal, o quadro é mais confuso. Mas no Estado do Rio é certo que tanto Miro Teixeira como Brizola Neto estão ameaçados de sobrarem pelos candidatos do interior: Arnaldo Viana, de Campos, o mais votado em 2006, Sérgio Zveiter, candidato pessoal do prefeito Jorge Roberto da Silveira, de Niterói, o irmão da prefeita de São Gonçalo e o irmão do prefeito de São João de Meriti. Não se sabe ainda se a família do bicheiro Anísio da Beijafor, que entrou para o PDT, terá federal, além de Simão Sessim, do PP.
No Rio, não será surpresa se o PDT se juntar a Sérgio Cabral, o preferido de Lula, desfigurando-se ainda mais. No Rio Grande do Sul, o presidente ocasional do partido, Vieira da Cunha, também não vai bem das pernas. Na Bahia, o partido perdeu seus deputados federais diante da imposição de coligação com o PT, situação parecida em Mato Grosso do Sul.
Em São Paulo e Minas Gerais a trapalhada é mais complexa porque o PDT está nas bases aliadas dos governadores tucanos. E o prefeito de Campinas, Doutor Hélio, não fala mais de sua pretensão de disputar o governo paulista.
Por toda uma variedade de dificuldades, o PDT não poderia dar passo mais infeliz do que declarar seu atrelamento à candidatura de Dilma Rousseff, limitando-se em sua opção, sem qualquer verniz ideológico, em termos de "compensação" ao sonho pessoal do ministro Carlos Lupi, que não pretende se candidatar a nada, para evitar uma exposição de sua absoluta falta de representatividade. Mas, sim, permanecer no cargo em que já ganhou 12 quilos.
E com isso, o brizolismo vive sua agonia crepuscular.
postado por Pedro Porfírio. às 12:41

POBRE DE TI, HAITI

18 de janeiro de 2010
POBRE DE TI, HAITI

Declarado falido, começa a ser ocupado por tropas norte-americanas


 "Recebo muita pressão para usar a violência, para ser mais robusto na utilização da força, principalmente dos países mais interessados na área e cuja atuação de força de paz difere da nossa", General Augusto Heleno Ribeiro, primeiro comandante da ONU no Haiti, apontando como autores dessa pressão os Estados Unidos, Canadá e França, em audiência na Câmara Federal, em 2 de dezembro de 2004.
"O grande risco do Haiti não é a falta de segurança. A ameaça é na área política, social e econômica, que pode voltar a gerar violência. Mas a realidade é que hoje não é a violência que está impedindo a governança. Hoje, é a falta de resultado econômico e social que ameaça gerar nova violência".
General Carlos Santos Cruz, então comandante da ONU no Haiti, em 19 de março de 2009.
"Não tem lógica que as tropas americanas estão pousando no Haiti, se o Haiti está pedindo é ajuda humanitária e não tropas. Seria uma loucura para todos começar a enviar tropas para o Haiti".
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em 15 de janeiro de 2010.
"A revolução haitiana foi o maior movimento negro de rebeldia contra a exploração e a dominação colonial das Américas. Mesmo com o assassinato de Toussaint LOuverture pelos franceses - que haviam substituído os decadentes espanhóis como colonizadores da ilha - a revolução triunfou e fez realidade, contra a França, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. A abolição da escravidão, não contemplada pelos revolucionários de 1789, foi conquistada pelos 'jacobinos negros' do Haiti".
Emir Sader, 4 de janeiro de 2004
 
Por sob os escombros do terremoto e das caóticas ações de socorro que estão sendo mostradas fartamente ao vivo e a cores, num espetaculoso "reality show" de deixar à míngua o novo "Big Brother", há uma outra terrível catástrofe que pode culminar com a "refundação" do Haiti como uma colônia de novo tipo dos Estados Unidos, cujos soldados, armados até os dentes, estão invadindo a parte ocidental da antiga ilha Quisqueya, batizada de "hispaniola" por Cristóvan Colombo, enquanto os efetivos de 17 nações pousados ali em 2004 com mandato da ONU (Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai) estão sendo obrigados a escolher entre o recolhimento dos mortos e policiamente das favelas, ou a "saírem à francesa" de volta a seus quartéis de origem.
Um golpe entre os escombros
Essa é a mais patética constatação de um golpe explícito como corolário da tragédia que fez desmoronar o Estado haitiano, já minado por controle remoto desde Washington, até agora através da Minustah - Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, sempre sob o comando de um oficial brasileiro, agora  o quinto chefe desde que o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira lá chegou em 1 de junho de 2004.
Para garantir o êxito de sua operação, as tropas enviadas por Obama assumiram de imediato o controle do aeroporto da capital e de todas as pistas de pouso do país, como ensina o manual de guerra, agindo com tal desenvoltura que até aviões com alimentos da ONU e outros com hospitais de campanha e ajuda do Brasil foram impedidos de pousar, a fim de facilitar o desembarque da soldadesca ianque e o embarque para área segura dos norte-americanos e seus amigos locais que sobreviveram à destruição.
Tudo está acontecendo na maior sem-cerimônia, ante o silêncio do Conselho de Segurança da ONU e apesar da recambolesca aparição na área, por alguns dias, em indumentária militar, do advogado Nelson Azevedo Jobim, o exibido e deslumbrado ministro da Defesa do Brasil.
Talvez, já nestes próximos dias, dez mil homens treinados para as guerras do Iraque e do Afeganistão estarão operando com equipamentos de última geração no plano de ocupação militar, sobrepondo-se à missão internacional que em 2008 já custara US$ 2.176.772,00 (R$574.914.065,51 erário brasileiro).
Esse processo inédito e indevido de ocupação se dá em meio a um ambiente de absoluta paralisia, quando Porto Príncipe se converte numa cidade fantasma, ante o sumiço de suas autoridades, em todos os níveis, a começar pelo presidente René Préval, um títere acovardado e destituído de toda e qualquer poder de mando.
Presidente, aliás, já convertido em boi de presépio, com a superposição das ONGs ligadas diretamente aos Estados Unidos, as verdadeiras destinatárias da "ajuda internacional" de U$ 1 bilhão por ano, o que levou em 19 de março de 2009 o general brasileiro Carlos dos Santos Cruz, então no comando da Minustah, a apontar a corrupção desenfreada como o maior problema do Haiti naquele momento.
A ocupação militar não se dá como uma "emergência". Quem estava lá nesses anos em que as forças internacionais "legitimavam" o regime títere, montado quando, em 29 de fevereiro de 2004, Estados Unidos e França resolveram sequestrar e mandar para a África o presidente constitucional, o ambíguo ex-padre Jean-Bertrand Aristide, já vislumbrava o "Plano B", previsto desde a suspeita substituição do general Carlos dos Santos Cruz, em abril de 2009, um mês depois da entrevista incômoda que deu ao jornal "Estado de São Paulo" (19 de março) denunciando os desvios da ajuda externa.
Essa interferência, aliás, já havia afetado a própria implantação da tropa internacional, conforme denúncia do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, em audiência oficial na Câmara dos Deputados, que por pouco não caiu ao provocar um "incidente diplomático", quando afirmou que vinha sofrendo "muita pressão de países como EUA, Canadá e França para usar a violência".
Tirando proveito da tragédia
Saber fazer a leitura das afirmações dos generais brasileiros significa entender o móvel da perversa atitude dos Estados Unidos de aproveitarem a declarada falência do Haiti para implantarem seu próprio projeto de ocupação de uma nação amaldiçoada desde o precoce nascimento, em 1804, por ter sido fruto de revolta dos escravos, trazidos à força do Togo e do Daomé, que conservavam sua cultura ewe-fon*, cuja história tem muito a ver com a natureza do povo haitiano até hoje.
O terremoto só precipitou o plano de ocupação do Haiti, mantido de propósito como a nação mais pobre do Continente, sobre cujas áreas há um projeto finalizado por Bil Clynton, baseado na implantação wm regime de "sweatshops"  de confecções produzindo com mão de obra barata para os Estados Unidos em zonas livres de exportação, e da internacionalização da costa de Labadee, no norte do país, alugada pela Royal Caribbean até 2050, que será transformada numa zona livre de turismo.
O abalo sísmico afetou o a idéia de ocupação lenta e gradual, por ter eliminado todos os mecanismos de controle institucional do Haiti. Os especialistas do Pentágono e da CIA acreditam que à falta de uma intervenção militar com poderes de extermínio - recusada pelos oficiais brasileiros - o país se abrirá para uma nova "revolta dos escravos", agora de conteúdo social revolucionário, com reflexos imediatos na vizinha República Domicana.
Os saques já são vistos pelos norte-americanos como primeiros passos de uma revolução que poderá eliminar as elites já afetadas gravemente pelas perdas de 12 de janeiro e implantar um estado social sob influência da massa faminta.
Não havendo estrutura repressora e ante o enfraquecimento da elite dominante, o Haiti poderá ser um campo fétil para um regime nacionalista baseado nos sonhos dos seus fundadores, o qual o ex-padre desistiu de implementar, após o fim da era Duvalier (pai e filho ditadores cruéis e fiéis aos EUA).
Por mais que nossas atenções ainda estejam presas à tragédia que comoveu o mundo inteiro, cabe já ir detectando o que poderá acontecer de igualmente trágico nos dias seguintes. Nenhum país decide de repente mandar para outro uma tropa de dez mil homens, bem maior do que o contingente da ONU, sem as intenções coloniais, que estão nos cérebros doentios do império decadente.
postado por Pedro Porfírio. às 12:06

O Brasil deve a si próprio

13 de janeiro de 2010

Publicado em A TARDE

Salvador, BA, 13/1/2010                                            


Ano passado, com os 45 anos do Golpe militar e os 30 anos da Lei de Anistia, debates, seminários e encontros ocorreram por todo o país, visando a Memória e a viabilização do que tem sido vagarosamente  tratado pelos três poderes da República . Pendências do Regime militar implantado em nosso país em 1964 passaram para 2010 sem ser devidamente solucionadas, inclusive a mais emblemática, talvez, o provável assassinato do ex-presidente João Goulart.

Os avanços, se assim podemos chamar, estão mais para passos de formiga do que para um salto felino. Sob o signo da negociação e da cautela , o Brasil posterga o insustentável para a dignidade nacional. Desaparecimentos, assassinatos e torturas estão em aberto, sem a devida apuração.

O decreto assinado pelo presidente Lula em 21/12/2009, criando o Programa Nacional de Direitos Humanos 3, gerou forte reação nos comandos militares. Segundo a grande mídia, o Ministro da Defesa Nelson Jobim, colocou à disposição o seu cargo , seguido dos comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha.

As reações vieram em decorrência de duas diretrizes do PNDH. Resultando de encontros e  debates entre a Secretaria dos Direitos Humanos  e amplos setores da sociedade,  de largo espectro de ação, o Programa possui dois encaminhamentos que tocam particularmente a caserna : a possibilidade de revisão da Lei de Anistia e a criação da  Comissão da Verdade a ser aprovada no Congresso Nacional até o dia 10 de abril deste ano; a comissão  terá amplos poderes de investigação sobre os crimes ocorridos durante o Regime militar  e direito de  colaborar com a  Justiça na sua  apuração.

O presidente Lula, ao que tudo indica, prometeu rever os pontos dissonantes com os militares antes do encaminhamento ao Congresso. Ao pressioná-lo com a ameaça do pedido de demissão, o ministro da Defesa fere a Constituição, que estabelece ser o poder militar subordinado ao poder civil, ao comandante em Chefe das Forças Armadas que é o Presidente da República.

O ministro nos leva a crer que os militares não entenderam que estamos numa democracia, que o método da  força parece estar sendo, por eles, privilegiado em lugar do respeito à Lei Magna, nossa Constituição.

É necessário compreender que estamos no exercício de uma árdua conquista democrática, que integramos organismos internacionais cujas  nações  estabelecem serem de lesa-humanidade os crimes de tortura, portanto imprescritíveis  e que  os acordos entre esses organismos deverão ser honrados pelo Brasil.   

Às Forças Armadas compete zelar pela  Nação. Se ofensa existe , esta provém daqueles militares que ao cometerem os crimes em questão, comprometeram  as próprias Forças Armadas e assim continuam a fazê-lo, quando não é permitido à nação a sua apuração, classificada pelo ministro da Defesa como “revanchismo”.

Quando os implicados em tais crimes circulam livremente, num mar de impunidade, até que a justiça seja feita, a tendência da opinião pública é associar  as Forças Armadas à tortura, à morte e ao desaparecimento de milhares de brasileiros. Toma-se o todo pela parte.

Ao contrário, investigando tais atos, as Forças Armadas retomariam o seu devido lugar no imaginário popular e na história, e o Brasil selaria uma dívida consigo próprio, contribuindo, desta forma, para o fortalecimento  da confiança nas instituições representantes do Estado Democrático de Direito.

Como ficará uma nação que não pune o crime de tortura? Continuará achando natural o exercício dessa prática. É o que ocorre quando a população carente  incorre, ou não, em pequenos delitos. A violência do Estado está subjacente à ação policial, geralmente com os grupos mais vulneráveis da sociedade.

Espanha, Grécia e vários países da América do Sul que viveram ditaduras instituíram Comissões de Verdade para apurar os crimes ocorridos nos Regimes ditatoriais. O Chile teve recentemente apurada a morte do ex-presidente Eduardo Frei, um dos principais opositores  de Pinochet, onde ficou comprovada a responsabilidade do governo ditatorial pelo seu assassinato.

E o Brasil, fica em débito consigo mesmo?  

 

postado por Maísa Paranhos. às 17:21

O Embaixador do golpe baixo

04 de janeiro de 2010


O EMBAIXADOR DO GOLPE BAIXO
 
“Chega de intermediários, Lincoln Gordon Presidente!” Esta era uma das frases que se viam pichadas pelos muros do Brasil entre os anos de 1961 e 64, período em que o gaúcho João Goulart presidia o País. A interferência dos Estados Unidos nos assuntos de ordem interna brasileira era tão intensa que deixou sua marca na nossa história republicana, tendo contribuído de maneira decisiva para a quartelada de 1964. Passados 45 anos deste golpe baixo, patrocinado pela CIA e a Embaixada dos EUA no Brasil, a notícia recente do falecimento de Lincoln Gordon traz à tona fatos que devem ser relembrados para que as novas gerações não permitam que se repitam.
A nação brasileira precisa lembrar da atuação de entidades ligadas ao círculo empresarial, como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), em estreito contato com a CIA e seu Embaixador da época, que se dedicavam exclusivamente a desestabilizar o governo reformista de Jango.  No livro do professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, O Governo João Goulart, consta a confissão do embaixador americano sobre um gasto da ordem de US$ 5 milhões, visando alterar o resultado das eleições ao Congresso Nacional em 1962. O objetivo desta ingerência inescrupulosa era financiar os candidatos da oposição ao presidente Jango. Tal confissão foi reafirmada em 2002 durante entrevistas para programas de televisão, e a compra de políticos brasileiros corruptos foi o “grande aporte cívico” de Gordon para nosso país. Uma vergonha!
Mesmo assim, dentro de nossas fronteiras, não se ouviram as vozes de FHC ou Lula manifestando repúdio à confissão e à atitude de Lincoln Gordon. Assistimos pacificamente, em rede nacional, ao americano se orgulhando de ter rasgado nossa Constituição.
Mas Gordon foi além. Como Embaixador golpista, intermediou a Operação “Brother Sam”, que consistia no envio, por parte dos Estados Unidos, de navios de guerra e porta-aviões de ataque pesado em direção às águas brasileiras, para o caso de o Presidente brasileiro oferecer resistência ao golpe. A operação foi descoberta pela pesquisadora Phyllis Parker, autora do livro “1964: O papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de março”.
Lincoln Gordon faleceu. Jango faleceu no exílio, e evitou aquela guerra civil que se desencadeava em abril de 1964, ao optar por não resistir e não sacrificar a vida de milhões de brasileiros em detrimento exclusivo de seu cargo de presidente. Mas a luta por um Brasil soberano, livre e inclusivo segue viva. E na mão de cada um de nós.
 
 
 
Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
postado por Christopher Goulart às 16:48

o lugar de cuba

01 de janeiro de 2010

Para Cuba, com amor

 

 

O Lugar de Cuba

 

Estou apaixonada

não por Varadero

mas por ti, Cuba querida

fidelista Cuba

fideldigna Cuba

afiada e capacitada

como a língua de teu Comandante

 

Poderosa no instante

Desse tempo presente

Machucado e marcante

 

Ó , não pensem todos

que é tua a ferida

tua, é a vida

a ferida, é dos que te querem destruída

 

Ó, Cuba querida

flor aberta em meu coração

saúdo os povos que te verão

como nosso americano refrão!

 

Ó, Cuba querida

referência de todos

Nação!

 

Qual cadeira ocupas

neste capitalista sertão?

(contemporâneos, não nos cabe antecipar

é à História a quem compete reservar

à poesia, sonhar...)

 

Ainda que te bloqueiem

que te caluniem

não te deixando alcançar

ocupas e ocuparás

teu, garantido

geográfico, insular

real e imaginário

revolucionário Lugar

 

                                                                             outubro / 2004

 

 


postado por Maísa Paranhos. às 12:54