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Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

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Carta aos Trabalhistas do Movimento de Resistência Leonel Brizola

08 de fevereiro de 2011
Carta aos Trabalhistas do Movimento de Resistência Leonel Brizola

É cada vez maior e mais lúcida a insatisfação contra a desfiguração do PDT.Veja esse documento


Segue abaixo o texto da "Carta aos Trabalhistas" que o MRLB lançará no seminário que realizará no pr´´oximo dia 19, sábado, nove horas, na Rua Andre Cavalcante, 126 (entre Bairro de Fátima e Lapa-vv.rua Riachuel). Esse texto já foi submetido em reuniões do mrlb, mas ainda pode receber propostas de emendas até a próxima terça-feira, dia 15/2.
Ronald Barata
CARTA AOS TRABALHISTAS
O MOVIMENTO DE RESISTENCIA LEONEL BRIZOLA nasceu em 2008, por um grupo de pedetistas inconformados com os desvios políticos e éticos cometidos pelas direções do PDT. Objetivava atuar e influir nos eventos internos do Partido, para recuperá-lo, a fim de que voltasse a respeitar o seu programa e o estatuto, que vinham sendo violados sistematicamente.
As normas democráticas que presidiam as atividades partidárias sob a presidência do saudoso Leonel Brizola, passaram a ser reiteradamente desrespeitadas,  tanto pela Direção Estadual/RJ quanto pela Nacional, ambas sob a nefasta influência do duplamente presidente Carlos Lupi. Exercitando o mais deslavado autoritarismo e golpismo, impedem a participação nas reuniões e eventos partidários de quem faça o mínimo questionamento. Assim, negaram registro para nossa chapa na Convenção Regional/RJ em 2009. Golpearam a Convenção Municipal do Rio de Janeiro, que o MRLB venceu, e instalaram uma ilegítima Comissão Provisória. Sabotam a participação dos companheiros do MRLB membros do Diretório Nacional; não enviam convocações nem comunicados, não fornecem passagens, barram a entrada na sede do Partido. < /SPAN>
As decisões são adotadas em conchavos de menos de meia dúzia de pessoas e depois referendadas em reuniões fabricadas, semisecretas.
Os princípios do trabalhismo foram totalmente relegados. Cláusulas fundamentais do nosso ideário, como o nacionalismo, o anti-imperialismo, a defesa da Previdência Social, do sindicalismo e dos direitos trabalhistas estão totalmente abandonadas. É o caso da atuação do presidente do Partido como Ministro do Trabalho e Emprego que expediu a Portaria 186 que permite a pluralidade sindical nas Federações e Confederações de Trabalhadores, ferindo um princípio partidário; não reimplantou a Convenção 158 da OIT, denunciada pelo governo FHC. Desprezou um projeto que lhe entregamos pessoalmente, e que Brizola apoiava, que cria os CIEPs da Qualificação Profissional, mantendo a tradicional sinecura de distribuição de fartos recursos do FAT para realização de simul acros de cursos de qualificação profissional por entidades de capacidade duvidosa.
Essa direção golpista, impediu, em 2009, a realização do Congresso Estadual do Movimento Sindical PDT, repetindo a violência em 2010, não permitindo a realização do Terceiro Congresso Nacional do Movimento Sindical. Cometeu a violência de despejar o Movimento Sindical do espaço físico que ocupava na sede do Partido.
Nós, do MRLB, reafirmamos o programa do PDT e os princípios das Cartas de Lisboa, de Mendes e de São Paulo, que já assumíamos em nosso manifesto de 2009. Reafirmamos o nacionalismo não xenófobo, mas que defenda nossas riquezas do solo, subsolo, aquáticas, nossas fronteiras e o meio ambiente. Combatemos qualquer imperialismo, seja ele anglo-saxão ou de qualquer outra origem; apoiamos os governos latino-americanos que estão defendendo a soberania de seus respectivos países, auditando suas dívidas públicas, punindo os torturadores e colocando as riquezas naturais para exclusivo benefício de seus povos.
Acusamos o governo Lula e, se mantida a política, sua sucessora, por permitir total autonomia ao Banco Central, propiciando ao sistema financeiro os maiores lucros de todos os tempos e incentivando os rentistas de todas as partes do mundo a aqui aportarem para usufruir dos juros elevadíssimos, obtendo ganhos espúrios que transferem para seus países com total liberdade.
Denunciamos os governantes que, através da mais deslavada corrupção e cooptação, neutralizam os movimentos sociais, o estudantil e o sindical.
Defendemos intransigentemente a democracia, repudiando qualquer ditadura e exigimos a abertura dos arquivos públicos da ditadura (1964/1985) e que os torturadores sejam processados.
Condenamos as políticas traçadas pelo Consenso de Washington.  A implantação do neoliberalismo no Brasil, desde o governo Collor de Mello até os dois últimos, de FHC e de Lula, cuida do crescimento econômico calcado na dependência de capitais externos que conduziu ao monumental endividamento que já atinge a R$ 2 trilhões e trezentos bilhões. Não se desenvolveu tecnologia e não há respeito ao meio ambiente. Tivemos tímida, muito tímida, distribuição da renda e não se acabou com a exclusão social. Não há igualdade de oportunidades para toda a população na educação, em saúde, moradia, segurança nem em condições de trabalho, onde mais de 53% estão na informalidade, sem qualquer direito.  
Lutamos por uma verdadeira Reforma Política que propicie igualdade entre todos os participantes de eleições, com tempo igual nos horários gratuitos das mídias, financiamento público das campanhas e blindagem à corrupção e ao fisiologismo. Sobre esse importante tema, encaminhamos ao Partido um bem elaborado estudo, infelizmente ignorado. Aliás, todas as teses que apresentamos para o último Congresso Nacional, como todas as outras dos mais diversos companheiros, foram solenemente ignoradas. O Congresso foi uma farsa, como comprova não terem publicado os anais até hoje.
Que cesse a transferência para o exterior de nossos minerais especiais, críticos ou essenciais, como o nióbio e outros cujas características de átomos e moléculas permitam a utilização em tecnologia de ponta para produção de armamentos e equipamentos estratégicos, tanto os que se encontram em exaustão como as novas descobertas. Exigimos que o monopólio estatal do petróleo seja retomado, que cessem os leilões de bacias sedimentares e que a Petrobras volte a ser plenamente estatal. Condenamos as concessões a empresas privadas já realizadas de campos petrolíferos no pré sal e exigimos que só a Petrobras possa atuar nessas reservas.
Negamos a falácia de que a Previdência Social seja deficitária e queremos que se implante a gestão quadripartite: trabalhadores, aposentados, patrões e governo. Lutamos pelo fim do famigerado Fator Previdenciário. Combatemos qualquer forma de redução das receitas da Seguridade Social.
Apoiamos o Protocolo de Kyoto, defendemos o meio ambiente e condenamos todas as obras que o agridam, como a desnecessária  transposição do rio São Francisco e outras.
Defendemos a total liberdade e autonomia sindical e do movimento estudantil, condenando atrelamento a qualquer governo ou partido e ao patronato.
Reclamamos a sempre adiada Reforma Agrária e que seja imposto limite às propriedades.
Nossa principal missão é a de manter vivos os ideais trabalhistas de Alberto Pasqualini, seja através do PDT ou de qualquer outra instituição ou foro em que possamos lutar pela sua perenidade. O Partido Democrático Trabalhista-PDT, criado e mantido pelo insigne Leonel Brizola e um punhado de idealistas, como Darcy Ribeiro, Doutel de Andrade, Lysâneas Maciel, Bocaiuva Cunha, Prestes, Julião, Brandão Monteiro, Bayard Boiteux e muitos outros,  está desfigurado, desalumiado. É hoje um partido amorfo, dirigido por patrimonialistas e clientelistas traidores da memória de Brizola. Tornou-se um partido desapegado dos princípios éticos, políticos e ideológicos. Eliminou de sua prática a palavra representada pela segunda letra da sigla. Em resumo: É um partido em busca não do bem estar do povo brasileiro, ma s de benesses para apaniguados.
Queremos aglutinar os grupos de esquerda que heroicamente persistem na busca dos ideais de libertação da nossa pátria e lutam pela emancipação da classe trabalhadora. Conclamamos os verdadeiros trabalhistas, socialistas e comunistas, os verdadeiros democratas e idealistas que, desiludidos, saíram da sigla enxovalhada, mas que ainda acreditam ser possível, como o é, implantar em nossa pátria as medidas que nos levem ao socialismo.
Em 19de fevereiro de 2011
MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA
postado por Pedro Porfírio. às 14:22

Cuba, ano 52: uma revolução na revolução no país da fábrica de campeões

13 de dezembro de 2010

Cuba, ano 52: uma revolução na revolução no país da fábrica de campeões

51 anos depois de minha primeira visita a Cuba, onde trabalhei, permito-me visualizar as mudanças


 “A corrupção é rara nos escalões superiores, mas comum nos pequenos negócios. Os milhares de gerentes de lojas, restaurantes, e prestadores de serviços, freqüentemente, encontram uma maneira de desviar parte dos recursos que administram para sua conta particular e se associar ao proprietário do estabelecimento, o estado”.
George de Cerqueira Leite Zarur, pesquisador Internacional da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. (FLACSO), em artigo publicado em 2005
Estou chegando de minha quinta viagem a Havana– a primeira foi em 1960 – com a convicção de que 2011 não será igual a esses anos que passaram: mudanças de grande alcance no modelo econômico já povoam o inconsciente coletivo e parecem tão inevitáveis como urgentes.
Estava lá desde o dia 1 de dezembro, documentando o que chamei sem exagero de uma “Fábrica de Campeões”. Registrei detalhes de um trabalho sem paralelo em todo o mundo na formação de atletas, responsável pelos recordes de medalhas e pela liderança nos esportes na América Latina, feito que está associado ao projeto social da revolução cubana: de 1900 a 1961, quando foi criado o Instituto Cubano de Desportos, os cubanos só haviam obtido 13 medalhas olímpicas – duas em 1900, em Paris, e 11 em 1904, em San Louis; hoje, em todo o Continente, com um total de 183 medalhas nos jogos olímpicos mundiais (a virada começou em 1964, em Tóquio, com uma única medalha), só perdem para os Estados Unidos.
O objetivo desse documentário foi oferecer uma contribuição ao nosso país, que sediará os jogos olímpicos de 2016 e só parece preocupado com os investimentos na construção e nos transportes, colocando em último plano a preparação de atletas.
Com Wilfredo Leon, de 17 anos, o maior fenômeno  do vôlei  mundial no momento.  Treinado desde os 7 anos nas escolas básicas,aos 14 já era da seleção nacional de Cuba.
Com a produtora Paula Barreto na Habana Vieja restaurada.
Ao fundo, bar que fabrica sua própria cerveja.
Esse trabalho foi uma iniciativa pessoal minha, com todas as despesas por minha conta. Paguei a passagem de avião por R$ 1.821 reais (pagos em 6 parcelas sem juros) pela Copa Airlines e aproveitei a baixa temporada: a diária no famoso hotel Havana Rivieira, comprada através do site Decolar.com saiu por 41 dólares. Além disso, contratei os serviços de um carro particular com motorista e tive como guia, a custo zero, uma apaixonada funcionária do INDER.
Contei também com o apoio da produtora Paula Barreto e do casal Carlos e Adriana Vasconcelos. Paula, a quem conheci no avião, fora a Cuba apresentar o filme Lula, o filho do Brasil, dirigido por seu irmão, Fábio Barreto. Casada com Cláudio Adão, ex-craque de futebol, é mãe de dois atletas: Felipe Adão, que seguiu o esporte do pai, e Camila, atleta profissional de vôlei. Não é só isso: trata-se de uma das figuras humanas mais sensíveis e admiráveis que conheci.Ela é uma verdadeira enciclopédia sobre esportes e sabia tudo de cada campeão cubano.
Carlos Vasconcelos é empresário na área de exportação e importação. Há seis anos é quem leva em mãos os filmes brasileiros para o Festival Internacional de Havana. Adriana, sua esposa, é formada em cinema e em 2007 fez curso de direção de atores na EICTV (Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños – Cuba). Havia uma semana, concluíra as filmagens do seu “curta” Entre-muros. Os dois são meus amigos e me incentivaram a ir ao 32º Festival Internacional do Cinema Latino-Americano em Havana.
 Mudanças para preservar a natureza socialista da revolução

Como disse, fui a Cuba pela primeira vez em julho de 1960, um ano e meio depois do triunfo da revolução. Aos 17 anos, com outro colega, representei os secundaristas brasileiros no Iº Congresso Latino-Americano de Juventudes. No início de 1961, já como jornalista, fui trabalhar em Havana, onde fiquei até maio de 1962. Depois, visitei Cuba em 1986, como turista, e em 2003, integrando uma delegação parlamentar do Rio de Janeiro.
Por esse currículo, considero-me um conhecedor de Cuba, em condições de visualizar seu futuro sem grandes esforços. Por isso, além de trabalhar no documentário, feito com duas pequenas câmeras de alta definição, espero escrever sobre as mudanças que se desenham no horizonte, segundo um diagnóstico racional de natureza profilática.
Pelo que pude observar nessa viagem, a mudança é incentivada pela direção política de Cuba, inclusive por Fidel Castro e pelos dirigentes de sua geração que ainda participam do governo revolucionário, entre os quais o vice-presidente do Conselho de Estado, José Ramón Machado Ventura, médico e guerrilheiro de Sierra Maestra, hoje com 81 anos de idade, e o ministro da Informação, comandante Ramiro Valdés Menéndez (78 anos), companheiro de Fidel desde o 26 de julho de 1953, quando um grupo de jovens atacou o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, 16 meses depois do golpe que levou o general Fulgêncio Batista a implantar a mais sanguinária ditadura na América Latina.
Não há exagero em dizer que os formuladores dessa mudança trabalham freneticamente, 18 horas por dia, tentando compatibilizar o novo modelo econômico com os ganhos sociais, principalmente nas áreas da educação, saúde e dos esportes, estes entendidos num plano que abrange os cuidados com a saúde até a formação gregária dos cubanos.
Cocotaxi e onibus com assentos panorâmicos:
o turismo tem cada vez maior importância
Hotéis Meliá e Rivieira. A rede Meliá chegou  nos anos 90 e o
Rivieira, onde paguei diária de $ 41, faz parte agora da rede

Gran Caribe, junto com o Nacional e outros.
Através das emissoras oficiais, o governo revolucionário proclama ter chegado a hora de expor os próprios erros. Na verdade, pelo que vi com meus próprios olhos, o maior desafio será refazer os referenciais de poder, que produzem um ambiente desconfortável e contraditório: de um lado, muitos dirigentes partidários, á frente de unidades administrativas e empresas, não têm tido o comportamento desejado e excedem-se em benefício próprio.
Uma nova ótica sobre a remuneração do trabalho
De outro, paradoxalmente, a classe média emergente, com poder de compra e conforto, é integrada majoritariamente por 750 mil famílias cubanas que recebem ajuda dos seus parentes residentes em outros países. Só nos Estados Unidos, existem hoje 1,5 milhão de “cubanos-norte-americanos”. Estima-se que por vias legais e ilegais (através de “mulas”, via México) chegam a Cuba anualmente para essas pessoas cerca de 2 bilhões de dólares. As receitas com turismo, que crescem de ano a ano, saltaram para 2,4 milhões de dólares em 2006 (em 1989, último ano da União Soviética, Cuba recebeu 270.000 visitantes; em 2005, 2 milhões e 300 mil) As exportações, que já não se limitam ao açúcar, pelo contrário, batem 2,7 bilhões de dólares, com uma novidade: a biotecnologia, com mais de 700 patentes, poderá ser em breve o principal manancial do comércio exterior.
Não obstante, o governo reconhece que há grandes distorções salariais, em função das quais não será surpresa se um médico for fazer “hora extra” como maleteiro. Para corrigir essa distorção, governo está revendo o quadro de pessoal, abrindo espaço para que pelo menos 500 mil dos 4 milhões empregados públicos sejam transformados em profissionais privados, no exercício de 178 atividades já liberadas à “livre iniciativa”. 
Com minha experiência de 50 anos no jornalismo – e mais esse tempo todo de convívio direto ou indireto com os cubanos – vou tentar dissecar o novo formato do regime socialista nessa ilha que é considerada o melhor e mais seguro destino turístico da América Latina.
Por ora, afirmo: as mudanças em estudo, além de porem corajosamente as coisas nos seus devidos lugares, cristalizarão um processo de avanço em condições de manter o país no ritmo de crescimento capaz de preservar seus níveis sociais imbatíveis, apesar do asfixiante bloqueio econômico norte-americano, sobre o qual também falarei aqui
.
Eletrônicos japoneses, chineses e da Coreia são vendidos em
Cubapara a classe média que recebe dólares de fora ou para

alguns "administrradores"  de estabelecimentos
estatais, que ganham "por fora". Isso acaba criando uma
 "nova class de privililegiados". o que p

postado por Pedro Porfírio. às 11:00

Tem moral para censurar o Irã quem silencia diante do genocídio dos palestinos?

09 de agosto de 2010
Tem moral para censurar o Irã quem silencia diante do genocídio dos palestinos?
publicada em 09 de agosto de 2010

Tem moral para censurar o Irã quem silencia diante do genocídio dos palestinos?

Por que não falam do arsenal atômico de Israel com mais de 220 ogivas nucleares?



"A devastação de Gaza pelos israelenses, contra uma população civil cercada - e usando bombas, dinheiro e cobertura diplomática dos EUA - foi tão brutal e horrenda que mudou para sempre o modo como o mundo vê o conflito no Oriente Médio"
Glenn Greenwald, blogueiro de Salon.com, durante o massacre de Gaza, sobre o qual José Serra não esboçou um só lamento.


Para essas crianças vítimas dos ataques de Israel, Serra silencia. Ao lado, Mordechai Vanunu, físico israelense que documentou o arsenal atômico sionista.
Cearense, fosse fanático do Padre Cícero estaria me impondo uma sova de chicotadas por ter acreditado, nalgumas noites de verão, que José Serra seria uma alternativa aos meus temores sobre os destinos do Brasil.
Não me caberia outra forma de autocrítica porque já não sou mais criança e me considero, ao contrário, razoavelmente informado.
Mas quis este tempo de frescor agradável que o próprio Serra se encarregasse de mostrar-se e as suas entranhas na emblemática demonstração do mais explícito comprometimento com o que há de pior neste mundo hegemonizado por interesses espúrios e ameaçadores.
Hoje, no espelho de um agosto revelador, sou forçado a penitenciar-me para dizer, ainda a tempo e hora, que Serra também é um rendido ao que há de pior na atmosfera e não se peja em repetir os velhos scripts da hipocrisia mais obscurantista.
Sem olhos para o massacre de Gaza
Leva-me a esta deprimente conclusão sua insistência em alardear identificação com os direitos humanos para chacoalhar o relacionamento soberano e lúcido do governo brasileiro com alguns países amaldiçoados pela potência decadente e estigmatizados pela calculista beligerância sionista.
De fato, não há nada mais falso e mais indecente do que essa peroração. Ou terá autoridade para reclamar de qualquer coisa quem silencia ante o genocídio continuado do Estado de Israel contra o povo palestino? Que indignação esboçou Serra naquele 27 de dezembro de 2008, quando centenas de bombas letais israelenses afogaram Gaza numa imensa poça de sangue, deixando um rastro de 1400 mortos, entre tantos, 400 crianças e adolescentes menores de 14 anos?
Ou aos olhos do ex-presidente da UNE os palestinos, que já foram esbulhados em suas terras, já não têm direito sequer a viver no que lhes deixaram de sobra? Nem mesmo no impiedoso ataque a um navio com ajuda humanitária aos famélicos de Gaza no último 31 de maio, quando tropas israelenses fuzilaram 9 voluntários a bordo, o Serra que se jacta de defensor dos direitos humanos deu um único pio.
Catilinária sob encomenda
Não acho que o regime do Irã é intocável. Governos teocráticos, em geral, tendem a misturar políticas de Estado com dogmas religiosos. Mas as críticas que sofre são tergiversadoras e emanam de outra matriz: é a sua pujança - a possibilidade de emergir no Oriente Médio como uma nação forte que assusta e move a campanha orquestrada para abatê-lo, mesmo à custa de uma catástrofe nuclear sem precedentes.
Por que Serra escolheu o Irã para saco de pancadas? Como já disse, não o motiva a catilinária de uma falsa indignação. Investigando melhor, fui ter com as íntimas relações do candidato tucano com o banqueiro Joseph Safra e a malha sionista que controla as finanças daqui e d'além mar. É desse bolsão de poderosos argentários que brota a sua inspiração. Outra fonte não há.
Tanto que o mesmo Serra não deu um pio quando da divulgação das fotos das torturas infligidas pelos norte-americanos aos iraquianos na prisão de Abu Ghraib, nem tampouco chiou contra a utilização da base naval de Guantánamo, em território cubano, que os EUA detêm pela força, como centro de torturas de iraquianos e afegãos.
Combustível para a guerra
E não é para menos. O sionismo anda ouriçado na articulação de uma ofensiva militar contra o Irã, único remédio prescrito por Israel como forma de "evitar um ataque futuro dos Iranianos".
Há uma convergência de intenções entre os militares de Israel e dos Estados Unidos, estes ainda atordoados com a repercussão da crise econômica que está longe de superada. Para ter um suporte a tal agressão, admitida como possível pelo almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior norte-americano, e como próxima pelo general Michael Heiden, ex-diretor da CIA, faz-se necessária indispor os povos dos outros países contra o Irã, valendo-se de todo e qualquer pretexto.
O principal deles é a idéia de que o Irã, com grandes reservas de areias monazíticas, evoluirá inevitavelmente para a produção de sua bomba atômica. Estamos diante de outra hipocrisia grosseira: por que esses críticos nada dizem das 220 ogivas nucleares de Israel, nada falam sobre o arsenal atômico de Dimona, no sul do deserto de Neguev?
Em Jerusalém, corre que Israel chamará para si o início de uma ação militar contra o Irã. O ex-chefe da Mossad, Shabtai Shavit, afirmou recentemente que seu país não ficará esperando permissão dos Estados Unidos para atacar as instalações nucleares do Irã. Sobre a intenção de atacar, o governo já consultou até o general reformado Aviam Sela, responsável o ataque aéreo de surpresa contra o reator nuclear iraquiano há 27 anos.
Para os israelenses, o governo Obama não tem pressa de usar sua força militar contra o Irã. "As autoridades dos Estados Unidos preferem conduzir guerra psicológica, a qual bem poderá também ser o começo de uma guerra real".
Em plena campanha eleitoral, José Serra formula seu alinhamento ostensivo e incondicional aos beligerantes de Israel e dos EUA, o que mostra uma espécie de imatura senilidade, na afoiteza típica de quem não tem escrúpulos na caça a toda e qualquer ajuda à sua pretensão obsessiva.
À cata de ajuda financeira
É provável que Serra tenha desbundado de vez ante a constatação de que o sistema financeiro está mais para Dilma do que para ele, conforme constatou Raymond Colitt, da agência britânica Reuters, em correspondência postada de Brasília no último dia 31. Em sua matéria, o analista citou Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Securities em Nova York, que teria admitido: "O sistema financeiro secretamente prefere a Dilma".
De fato, essa preferência pela continuidade da política econômica de Lula se reflete na minguada arrecadação de grana para a campanha tucana: com R$ 3,6 milhões amealhados até agora, Serra beliscou menos do que Dilma (R$ 11,6 milhões) e que a própria Marina (R$ 4,65 milhões). Menos até que o candidato a governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral (R$ 4,7 milhões).
É muito triste, porém, que, diante de um quadro financeiramente "desfavorável", o candidato do PSDB-DEM-PPS tenha perdido o rebolado e o recato, apelando com acenos de uma política externa ao gosto dos grandes conglomerados bélicos.
Com tal expediente, vai continuar deslizando e fortalecendo a candidata noviça, que tem a seu favor a tendência eleitoralmente conservadora dos brasileiros. E deixando a oposição sem discurso plausível: ao contrário, exibe a tosca imagem de que se comprometeu até a medula com a volta ao passado de um alinhamento automático com os projetos de um Pentágono a serviço da indústria bélica, ainda poderosa na potência decadente. Alinhamento que já não interessa a um país emergente com inevitáveis aspirações internacionais e só serve para miniaturizar a figura de um chefe de Estado.
postado por Pedro Porfírio. às 10:14

A fritura de aposentados e pensionistas na terceira "reforma" da Previdência

26 de julho de 2010


A fritura de aposentados e pensionistas na terceira "reforma" da Previdência

Leia tudo e manifeste sua opinião sobre mais esse golpe contra os direitos do cidadão


 "O sistema previdenciário tem sofrido modificações quase ininterruptas desde o fim da década de 1980, em função da influência do pensamento conservador que varreu a América Latina, promovendo reformas privatizantes e da clara dominância de políticas econômicas ortodoxas nos últimos quinze anos".
Denise Lobato Gentil Professora do Instituto de Economia - UFRJ 
Aposentados e pensionistas estão sendo cozidos na fila no INSS para um novo sacrifício
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Enquanto tentamos digerir o morno de uma disputa eleitoral sem contrastes protuberantes, os escaninhos do poder agem em alta temperatura na cozinha de uma terceira "reforma da previdência", que será muito mais drástica do que as anteriores, contribuindo com maior volúpia para o crescimento da já robusta previdência privada.
O ministro-tampão da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, não pensa noutra coisa. Sabe que está ali, como burocrata sem custos políticos a temer, para preparar o terreno de um novo massacre que inclui o fim das pensões das viúvas, o aumento da idade mínima para aposentadoria e a unificação, por baixo, do regime de aposentadorias.
Todos no piso em 2020
O governo já trabalha com a certeza de que o Congresso manterá o veto do presidente Luiz Inácio ao fim do fator previdenciário e acolherá sua resistência à tentativa de equiparar os reajustes de todos os aposentados, ganhem ou não o salário mínimo.
Isto, mesmo sabendo de uma projeção macabra, divulgada pela Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas: a ser mantido o critério de reajustes diferenciados, em 2020 todos os benefícios da Previdência serão limitados ao salário mínimo.
Aposentadorias por faixas
Hoje, dos 27 milhões de aposentados e pensionistas, 8 milhões e 200 mil ainda ganham mais do que o piso. Uma tabela publicada na última semana de abril pela revista Época mostra o seguinte quadro:
 
O "déficit" com discurso
Não é de hoje que os governos neoliberais insistem de má fé no discurso do déficit previdenciário, como forma de incrementar a corrida aos planos privados abertos, que já contam hoje com 11 milhões e meio de inscritos, o dobro do existente em 2003, quando Lula bancou a segunda "reforma" com o apoio explícito dos governadores de todos os partidos.
Nessa nova cruzada, os solapadores da previdência pública admitem como favas contadas o fim das pensões, que hoje alcançam 3 milhões e 600 mil viúvas e 250 mil viúvos, num universo de 27 milhões de benefícios.
Festa dos planos privados
Graças a essa política de dilapidação dos direitos na previdência pública, os bancos fazem a festa, favorecendo-se, inclusive, com a generosidade do erário: o contribuinte pode abater até 12% do seu imposto de renda com o aporte anual aos planos privados. Nessa festa, o Bradesco Vida e Previdência tem sozinho um terço do faturamento do mercado previdenciário privado, que cresce a mais de 30% ao ano.
Essa balela de déficit da Previdência Pública, exaustivamente desmascarado em minha coluna da TRIBUNA DA IMPRENSA, pode ser desqualificada até mesmo com os números oficiais sobre o desempenho das receitas previdenciárias diretas.
Superávit "urbano" e déficit "rural"
Esta semana, o próprio ministro Gabas reconheceu um superávit de R$ 3,2 bilhões no "setor urbano", no primeiro semestre de 2010: a arrecadação líquida urbana somou R$ 93,1 bilhões contra uma despesa de R$ 89,9 bilhões.
Segundo seus números, o "déficit" no Regime Geral da Previdência ocorre em função da grande diferença entre arrecadação e gastos na área rural: A receita no primeiro semestre de 2010 foi de R$ 2,2 bilhões, menos do que os R$ 2,3 bilhões no primeiro semestre de 2009. Já a despesa com pagamento de benefícios rurais chegou a R$ 22,5 bilhões, mais do que os R$ 20,9 bilhões do ano passado.
É preciso deixar claro que nestes componentes há dois fatores determinantes: o Funrural, que garante o salário mínimo a mais de 5 milhões de aposentados, mesmo sem terem contribuído, e o sistema de arrecadação, calculado exclusivamente pelo faturamento oficial dos empregadores, que é facilmente mascarado.
Aposentado garante família
O novo pacote em gestação segue a mesma estratégia da segunda "reforma": deverá ser encaminhado logo no início do novo governo, juntamente com a "reforma trabalhista", preparada pelo ex-ministro Mangabeira Unger, que já detalhei aqui.
Ao investirem mais uma vez contra aposentados e pensionistas, os articuladores da nova "reforma" desconhecem solenemente o mal que vão causar à própria economia: estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas - IPEA - revelam que 55% dos beneficiários da Previdência são os "cabeças" de suas famílias, arcando com a maior parte de suas despesas.
E pesa na renda dos brasileiros
Desconhecem igualmente outro dado marcante, o peso dos aposentados e pensionistas na renda da população. Estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que no Estado do Rio, por exemplo, o rendimento dos que recebem mais de um salário mínimo na Previdência representou 25,35% do total da renda em 2008. E, ao contrário do que se acredita, esse não é um fenômeno exclusivo de pequenas cidades do interior.
Na capital fluminense, o retrato é semelhante: o ganho dos aposentados que recebem benefício acima do piso mínimo correspondeu a 27,22% do total da cidade no mesmo ano, a maior parcela entre as 36 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas. O ganho dos aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário mínimo representa 13,36% da renda da cidade de São Paulo. Quando se analisa a renda obtida por meio de diferentes atividades de trabalho, a situação muda. A cidade do Rio de Janeiro é a última colocada entre as 36 capitais e periferias metropolitanas analisadas para a pesquisa, com uma parcela de 67,98% da renda vinda do trabalho assalariado.
Essa conspiração para aniquilar a previdência pública e favorecer a privada tem agentes em todos os partidos, de onde a necessidade de uma resistência ampla e suprapartidária da parte daqueles que não engolem esse jogo sujo contra os atuais e futuros aposentados e pensionistas.

postado por Pedro Porfírio. às 08:54

PDT com Sérgio Cabral: o brizolismo no fundo do poço (1)

29 de junho de 2010
PDT com Sérgio Cabral: o brizolismo no fundo do poço (1)

Pedro Porfírio

Se tiver dificuldade em ler o texto, digite www.porfiriolivre.com


Lupi age como empresário à beira da falência: a empresa sucumbe, mas ele se garante pessoalmente

"Em um desses momentos em que as traições castigavam o PDT, Brizola desabafou com Neiva Moreira, então líder da bancada na Câmara: "Qualquer dia desses, eu fecho esse partido e vou fundar um Movimento Nacional de Libertação. Os políticos nunca vão criar vergonha!"
Do livro El caudilho Leonel Brizola, de FC Leite Filho (Assessor da bancada federal do PDT)

 Vejo Brizola muito mais com espelho dos sentimentos populares do que como um líder indiscutível. Desde a resistência ao primeiro golpe em 1961, que o pôs o Rio Grande em armas e garantiu a posse de João Goulart, desde as emblemáticas nacionalizações dos trustes de energia e telefonia, ele passou a incorporar as expectativas de mudança social e afirmação da soberania nacional.
Essa referência o transformou num mito, para uns, e num estorvo, num inimigo público para as elites. Ele, mais do que ninguém, passou a ser o divisor de opiniões.
Quando veio a ordem para os militares voltarem às suas atividades constitucionais, o general Golbery do Couto e Silva, articulador do golpe de 64 através do IPES e homem forte da ditadura, tratou de barrar o passos de Brizola, de impedir que voltasse com possibilidades de assumir a Presidência, como aconteceu com outros líderes exilados, como Mário Soares, em Portugal, Papandreou na Grécia, e, mais recentemente, Nelson Mandela, que se tornou presidente da África do Sul depois de 28 anos de cárcere.
Mortes suspeitas e fabricação de Lula
Qualquer um poderia aspirar ao comando do país, menos Leonel Brizola, imaginado pelo sistema como alguém sem freios, capaz de levar seu discurso nacionalista a consequências imprevisíveis. Tratava-se, em todos os códigos do poder, de uma ameaça tão perigosa que até a sua posse na inesperada vitória para o governo do Estado do Rio, em 1982, foi objeto de uma conspiração militar, isso depois da utilização dos computadores da Proconsult para desviar seus votos.
Todo mundo sabe que Lula foi inflado no contexto dessa rejeição sistêmica. Feito sindicalista somente porque o irmão - o Frei Chico (filiado ao PCB) - se achava inseguro para ser do conselho fiscal do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, na chapa de Paulo Vidal, abençoada pela ditadura, Lula logo caiu nas graças do IADESIL, a "ONG" montada com a ajuda da CIA para fabricar, subornar e cooptar os líderes sindicais no Brasil.
Lula não teria existido se não fosse pela necessidade de se ter um projeto "novo", capaz de evitar um outro "queremismo", como o que levou Getúlio de volta à Presidência em 1950.
No período entre agosto de 1976 e maio de 1977, o sistema já havia se livrado de três grandes líderes de envergadura nacional, que se aproximaram em 1966 através de uma frente ampla: JK foi "acidentado" em 22 de agosto de 1976, já aos 74 anos; Jango, envenenado na província de Corrientes, Argentina, em 6 de dezembro do mesmo ano, quando tinha pouco mais de 57 anos, e Carlos Lacerda, cassado em 1968 pelos golpistas que ajudou a alçar e em 1964, morreu em 21 de maio de 1977, depois de ser internado numa clínica com "uma gripe forte", um mês depois de completar 63 anos.
Brizola escapou por duas razões: primeiro, porque era mais atento; segundo, porque o sistema precisava de um bode expiatório capaz de unir "o outro lado". Mesmo anistiado, ele foi monitorado regularmente pelo SNI e sucedâneos, inclusive quando já se fizera governador.
Brizola quase ficou sem partido
O golpe mais certeiro do general Golbery foi tomar-lhe o PTB, entregando-o a Cândida Ivete Vargas Tatsch, uma cúmplice que tinha algum grau de parentesco com Getúlio. Convencido de que não teria futuro na velha sigla, Brizola correu contra o tempo e fundou o PDT, conseguindo a surpreendente proeza de ser eleito governador do RJ, á frente de um verdadeiro "exército brancaleone" de excluídos.
No seu primeiro governo, procurou a linha do entendimento. No primeiro ano, tinha almoços regulares com Roberto Marinho, que viria a ser seu principal algoz em função de desentendimentos atribuídos pelo caudilho à sua disposição de implementar o projeto do ensino de tempo integral, os CIEPs, e de garantir os direitos constitucionais das populações das favelas, assegurando-lhes a possibilidade da posse dos seus barracos, através do programa "cada família, um lote".
Apesar de ter feito corrosivos acordos com velhos corruptos na Assembléia Legislativa,e de ter mais tarde se manifestado contra a CPI do Collor (o que lhe valeu um massacre por parte do PT - a divulgação de uma declaração sua infeliz na campanha de Lula em 1994 causou mais danos do que toda a campanha da Globo), Brizola permaneceu inserido no inconsciente coletivo e no index do sistema.
Sérgio Cabral sempre quis ser o anti-Brizola
Sérgio Cabral Filho era um pirralho de talento que queria ser político. Em 1986, não se elegeu deputado estadual, mas já fazia questão de se apresentar como o anti-Brizola. Eleito Moreira Franco com a fraude do Plano Cruzado, Cabral Filho foi ser diretor de Operações da Turisrio. Em 1990, conseguiu seu primeiro mandato pelo PMDB com 12 mil votos.
Já no PSDB, disputou a eleição para prefeito do Rio de Janeiro com um slogan que estava em sintonia com seu discurso antibrizolista: "Quero ser um novo Marcello sem o Brizola para atrapalhar".
Foi mal, mas em 1994, já trabalhando o segmento da terceira idade, teve uma votação expressiva para deputado estadual. Com a eleição de Marcello Alencar para governador, pelo PSDB, tornou-se presidente da Assembléia Legislativa e articulou com todo o seu poder de pressão a rejeição das contas do então governador Brizola, com o que o caudilho ficaria inelegível, para o que contou com a ajuda do PT, especialmente de Carlos Minc. Brizola sobreviveu por um voto, graças a uma atitude digna do deputado petista Neirobis Nagae (hoje fora da política) e do então prefeito Cesar Maia, que mandou os deputados do PFL saírem fora do complô que imobilizaria o velho por 8 anos.
Valeu lembrar que Leonel de Moura Brizola morreu também em circunstâncias estranhas, ao seu internado num hospital em obras, no dia 21 de junho de 2004, 24 horas de uma reunião com Garotinho, que fora convencê-lo a disputar com seu apoio a eleição para prefeito, no lugar de Luiz Paulo Conde.
Governo campeão na caça aos jovens pobres
Em seu governo, Cabral Filho estimulou a matança de jovens suspeitos das favelas e conjuntos populares, começou a murar e transformar em gueto onze favelas da Zona Sul (incluindo a Rocinha, que agora corteja), esvaziou as escolas de tempo integral, dedicou-se à terceirização da saúde através das "OS" e dedicou-se de corpo e alma aos interesses das elites, especialmente ao do triilionário-relâmpago Eike Batista, para quem desapropriou as terras de 6 mil famílias de lavradores no futuro Porto de Açu, em São João da Barra.
Para culminar, Sérgio Cabral demoliu o memorial a Brizola, que a governadora Rosinha mandara construir no final da Av. Presidente Vargas, atitude que mereceu críticas chorosas do deputado-neto do caudilho, agora aliado incondicional de Cabral.
Em suma, ninguém encarnou com tanta exuberância o antibrizolismo, no que o brizolismo tinha de mais saudável, ninguém agiu tanto contra o povo pobre como esse governador, a quem não se pode atribuir nenhum mérito administrativo. E cuja maior bandeira é a PRIVATIZAÇÃO DO AEROPORTO DO GALEÃO.
Pois, preocupado tão somente em garantir o controle do Ministério do Trabalho e das verbas do FAT,  Carlos Roberto Lupi, uma espécie de produto da depressão pessoal do caudilho,  carreirista sem voto e sem escúpulos, convocou a convenção regional do PDT para o dia do jogo do Brasil contra Portugal.
Na mesma hora em que a nação estava acompanhando o jogo mais chocho da Copa, o ministro do Trabalhoi valia-se do seu poder que o cargo oferecia para sacramentar a adesão ao mauricinho das elites, isto porque o diretório regional foi "eleito" em chapa única, graças à cassação da chapa adversária.
Com essa desastrosa adesão, o ministro pode sonhar em continuar no cargo se Dilma ganhar, mas, em conpensação,  vai ajudar a enterrar o partido que um dia foi a maior força do Estado. Voltarei ao obtuário do PDT chapa branca, que, inteiramente dopado pelas migalhas do poder,  está indo para o fundo do poço.
postado por Pedro Porfírio. às 14:22

No massacre dos trabalhadores e aposentados da Varig a verdadeira natureza do governo Lula

18 de fevereiro de 2010
No massacre dos trabalhadores e aposentados da Varig a verdadeira natureza do governo Lula

No novo capítulo, a AGU admite que acordo era uma trapaça para evitar julgamento no STF


 "O tempo é justiceiro e volta a pôr tudo no seu devido lugar".
Voltaire, pensador francês (1694-1778)
O crime continuado cometido pelo governo Lula contra os trabalhadores da Varig e seus aposentados e pensionistas acaba de exibir um dos seus capítulos mais perversos, reforçando tudo o que tenho dito sobre a grande fraude política implantada em nosso país por um governo que é capaz das maiores indignidades contra o povo.
É algo tão monstruoso, tão repugnante, que me obriga a pedir o julgamento sereno de todos, inclusive dos que acreditam que o governo de petistas & cooptados representou um avanço no campo das conquistas sociais.

Mostra a dupla face de um processo deliberado de massacre de uma categoria numa operação coordenada que se dá com a conivência ostensiva do sindicato, cujos cabeças foram previamente imobilizados com a concessão indevida e imoral de um benefício inscrito na Constituição de 1988 como uma reparação destinada exclusivamente aos que comprovadamente tiveram suas vidas profissionais afetadas e destruídas na ausência do regime de direito.
Refiro-me neste instante à resposta cínica da Advocacia Geral da União à consulta de Cristiane Gonçalves sobre a abertura de negociações, forçada às véspera do julgamento no STF de um processo que se arrasta há exatos 18 anos, cuja decisão seria fatalmente desfavorável ao governo, como aconteceu em 1957, em pleito semelhante reclamado pela Transbrasil.
O leilão como ponto de partida
Para você que não conhece os detalhes, vou tentar recapitular de forma sumária: desde 20 de julho de 2006, quando a Varig foi entregue de mão beijada a um fundo de investimentos norte-americano, representado pelo chinês La Chan, num leilão de 30 segundos pela existência de um único participante, seus trabalhadores foram para o olho da rua sem direito sequer aos salários atrasados. (Clique aqui e leia texto de Paulo Resende, comissário aposentado da Varig).A Varig foi a primeira empresa a ser levada ao garrote vil com a aplicação da Lei 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, votada pelo rolo compressor parlamentar capitaneado pelo PT, que excluiu os trabalhadores como credores prioritários, tal como constava no Decreto-Lei nº 7.661/45, revogado pelo artigo 200 dessa nova Lei.
Numa Vara empresarial, a questão dos trabalhadores passou a ser totalmente subordinada à nova legislação, cujo escopo era permitir o sacrifício dos direitos trabalhistas ante a eventual possibilidade de "recuperação da empresa".
O leilão foi ordenado pelo juiz Luiz Roberto Ayub, da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que trabalharia sob a égide de uma Lei ainda sem precedentes. Mas teve a concordância formal do Sindicato dos Aeronautas, cuja presidente, Graziela Baggio, gozava de uma "segunda anistia", obtida em 2004, que lhe garantia uma pensão vitalícia de R$ 7.300, reajustável anualmente e com direito aos "atrasados" de R$ 648 mil, por ter sido demitida numa greve na Vasp em 1988, tendo deliberadamente recusado a reintegração na empresa, que foi garantida em 1989 a todos os 27 punidos durante o movimento (Falarei com detalhes sobre essa impostura em outra matéria).
A dívida do governo no STF

A partir do leilão, com decisões judiciais que excluíam a Justiça Trabalhista do caso, as esperanças dos trabalhadores e aposentados se voltavam para a dívida do governo com a Varig, provocada pela defasagem tarifária do Plano Cruzado, que poderia chegar a mais de R$ 6,5 bilhões.
A Varig é devedora de quase R$ 4 bilhões ao Aerus, fundo de pensão dos seus trabalhadores, que está sob intervenção e virtualmente falido. As tratativas feitas a parir da insolvência previam que, com o a decisão sobre a dívida proferida pelo STF, o fundo teria recursos para honrar seus compromissos com 11 mil beneficiários.
No dia 24 de março de 2009, às véspera do último julgamento - Varig ganhara nas instâncias inferiores - o então advogado geral da União, José Antonio Dias Toffoli, pediu sua suspensão, prometendo uma proposta de acordo num prazo de 60 dias, no que contou mais uma vez com o servil beneplácito do que resta dos sindicatos da categoria.
Pesava ainda contra o governo decisão do Superior Tribunal de Justiça, de 2006, que considerou a União responsável pela complementação do pagamento dos benefícios dos aposentados da Varig.
Passaram-se 60, 120, 240 dias e nada. A manobra torpe e desumana criou mais uma vez uma angustiante esperança entreos trabalhadores que ainda estão a ver navios e os massacrados do Aerus, que vivem uma situação de penúria desesperadora: desde a intervenção, em abril de 2006, morreram 341 beneficiários, aumentando em 41% o número de óbitos por ano. Aconteceram alguns suicídios, outros morreram de depressão profunda, muitos faleceram por falta de assistência médica adequada.
A cara cínica da torpeza
E o acordo? José Antonio Dias Toffoli catapultado ao Supremo aos 41 anos, trocou de cadeira para uma em que permanecerá até os 70, enquanto a possibilidade de uma solução que garantiria direitos elementares de trabalhadores e aposentados virou um grande e perverso engodo.
Isto ficou claro na informação prestada pela mesma Advocacia Geral da União que tomou a iniciativa de acenar com tal acordo. Numa reviravolta que não me surpreende, conhecendo as peças que estão à frente do governo, o "ouvidor" da AGU informou do sepultamento da solução prometida:
"Todavia, conforme restou demonstrado no Relatório Final do Grupo - entregue aos patronos dos sindicatos - e, sem embargo dos esforços empreendidos pelo Grupo de Trabalho, foi identificado óbice intransponível à realização do acordo, qual seja a impossibilidade de realizar qualquer transferência de recursos para o Instituto AERUS, tendo em vista a norma inserida no artigo 100, da Constituição Federal, relativa ao sistema de precatórios judiciais. No mesmo sentido, inclusive, é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que ao interpretar o referido dispositivo constitucional, afasta qualquer possibilidade de eventual acordo judicial se sobrepor à ordem de apresentação dos créditos, decorrentes das sentenças transitadas em julgado. Assim é que, por estrita obediência às diretrizes legais e constitucionais, o Grupo de Trabalho deixou de apresentar proposta de acordo."
Diante dessa alegação, no mínimo poderíamos inferir que o ministro José Antonio Dias Toffoli e os "patronos dos sindicatos", a terem frequentado uma faculdade de Direito, sabiam de antemão desse patético desfecho, isto é, que a oferta do acordo era uma farsa destinada tão somente a tirar a matéria da pauta do STF. A própria Constituição é apontada como entrave à solução prometida "sob juramento" e com o aval dos sindicatos, como compensação pelo adiamento da decisão judicial.
Este é um fato concreto e demonstra claramente a má fé crônica dos canastrões que chegaram ao poder em nome da classe trabalhadora,  mas que a  traem sistematicamente,  embora esperem ter o apoio das próximas urnas para nele perpetuarem-se.

postado por Pedro Porfírio. às 14:48

A deprimente agonia crepuscular do "brizolismo de resultados"

21 de janeiro de 2010

A deprimente agonia crepuscular do "brizolismo de resultados"

O apoio precipitado do PDT a Dilma poderá levar o partido à bancarrota eleitoral


 

 

 

A Executiva adesista do PDT: a lamentar mudança de postura  de Alceu Collaes,  figura histórica, que ganhou uma diretoria na estatal Furnas.

"Capitular agora em relação a essa camarilha que vem sendo desmascarada diariamente, por todos os poros, é promover, de forma vergonhosa, o segundo enterro do Brizola. O velho não merecia isso".
Da minha coluna na TRIBUNA DA IMPRENSA, publicada em 14 de novembro de 2005.

 
 
Na mesma semana em que os brasileiros serão lembrados da passagem do 88º aniversário do nascimento de Leonel Brizola, a Executiva Nacional do PDT formalizou o que todo mundo já sabia: o partido do caudilho embarcará de mala e cuia na candidatura de Dilma Rousseff, a mesma que, há exatos dez a nos, trocou vinte de militância no brizolismo, onde sempre foi tratada com carinho e afeto, pela permanência na Secretaria de Minas e Energia do petista Olívio Dutra, no maior e mais contundente ato coletivo de traição no trabalhismo gaúcho.
Esse anúncio, que um deprimido senador Cristóvão Buarque limitou-se a ironizar ("nem mesmo o PT se definiu oficialmente") faz parte de uma grande farsa, em benefício tão somente do ministro Carlos Roberto Lupi e da meia dúzia de lupistas aquinhoados com periféricas prebendas  e alguns favores de um poder sem escrúpulos de espécie alguma.
Fosse só isso, eu diria com uma análise amarga de todo um processo de decadência partidária: bem, o Lupi, que os ladinos do arrivismo alçaram a um ministério da República, é o último subproduto do próprio caudilho, que fez dele ao mesmo tempo presidente e tesoureiro do partido, na hora em que se sentia abandonado por antigos parceiros e marginalizado com uma coleção de quatro derrotas sucessivas, das quais a mais humilhante foi ter menos votos para presidente em 1994 do que o folclórico Enéas.
Mas essa decisão impensada afigura-se como um embalado haraquiri, prenunciando uma derrota eleitoral letal, com os mesmos efeitos tóxicos do vexame de 1994.
Abrindo mão de outros caminhos mais consequentes, o que resta do brizolismo assume de vez o inexpressivo papel de linha auxiliar, sem nada a declarar, sem discurso próprio, sem bandeiras e sem dignidade, jogando na mesma vala a penca perdida de mandatários restantes, alguns, como o governador cassado do Maranhão, Jackson Lago, brizolista de primeira hora, mortalmente traído e entregue às feras.
Desde a morte de Brizola, que sempre se deixou contaminar pelo culto à sua personalidade, pelos bajuladores de ocasião, e nunca soube usar seu carisma para a construção de um partido de verdade, sabia-se que o PDT perdera seu cérebro, sua alma, seu norte, sua própria razão de ser, eis que a agremiação em si era um mero apêndice do líder messiânico e se bastava com a exploração de sua popularidade, outrora arrebatadora.
Um prontuário de fracassos eleitorais
Carlos Roberto Lupi surgiu do nada. Perdeu todas as eleições que disputou, de vereador a governador, com uma única exceção: em 1990, graças aos ingentes esforços do seu "padrinho", o então prefeito Marcello Alencar, conseguiu ser eleito deputado federal com pouco mais de 20 mil votos, ficando como o penúltimo da legenda, que também se beneficiou do retorno triunfal de Brizola ao governo do Estado do Rio.
Disputou a primeira eleição em 1982, ficando em vigésimo lugar na chapa de vereadores do PDT. Em 1986, teve uma votação pífia para deputado estadual. Em 1994, não conseguiu retornar à Câmara Federal. Em 1998, foi ser suplente do senador Saturnino Braga, com o compromisso, desconhecido pelos eleitores, de assumir na segunda parte do mandato, o que gerou um desconfortável bate-boca, porque o senador do PSB deixou de "honrar o acordo".
Já em 2002, com duas vagas para o Senado, ficou em nono lugar, com parcos 182.482 sufrágios, ou 1,2% dos votos válidos. Vexame semelhante passou em 2006, ao candidatar-se a governador: obteve 125.735 votos (1,52%).
Com esse prontuário eleitoral, mas no comando do partido do qual alijou figuras históricas, como o ex-deputado José Maurício, o primeiro com mandato a aliar-se a Brizola, foi feito ministro do Trabalho por Lula, numa jogada de mestre: o seu descredenciamento como expressão política e seu despreparo ostensivo para o cargo faria dele o mais subserviente dos ministros - alguns o chamam de bobo da Corte - operando sem pestanejar a liquidação do brizolismo como força autônoma e eliminando o  potencial competitivo no mesmo "campo popular" dominado pelo PT.
Para isso, instrumentalizou o preposto de meios para explorar a medula fisiológica dos correligionários, servindo-lhes os ingredientes da subalterna "bolsa-adesão" em convenientes doses balanceadas. 
Ajudando Lula e sacrificando os correligionários
A precipitação da declaração de apoio a Dilma Rousseff não se deu por acaso. É do interesse do presidente Luiz Inácio desarticular candidatos na "base de sustentação", como Ciro Gomes, do PSB, que poderiam se reanimar com três fatos recentes: 1. A vitória do candidato da direita no Chile, contra o situacionista que contava com a aceitação de 80% da presidente atual; 2. O fracasso de bilheteria do filme montado para ser a uma apaixonante peça de propaganda do "lulismo", o que mostra que a sua popularidade é relativa; 3. E a reaglutinação dos partidos oposicionistas no Estado do Rio, com a possibilidade da candidatura de Gabeira, que dará uma nova feição ao quadro no terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, afetando, principalmente, o aliado Sérgio Cabral.
Como está absolutamente despersonalizado, o PDT cumpriu sua tarefa e o ministro pode manter seu sonho de, continuando no cargo até o fim do mandato de Lula, ser reaproveitado segundo a mesma equação de 2007 no caso de uma eventual vitória de Dilma Rousseff.
Com isso, será praticamente impossível que o PDT alcance os 5 milhões de votos que o preserva na desmoralizada cláusula de barreira. Uma análise preliminar mostra que sua bancada federal poderá "sumir na poeira": dos 6 senadores, restará João Durval, da Bahia, e Acir Gurgacz (que entrou no lugar do adversário cassado) já que Osmar Dias, do Paraná, quer disputar o governo do seu Estado; Cristovam Buarque levará uma boa rasteira em Brasília, Patrícia Saboya, do Ceará, nem sabe se disputará a reeleição, e Jefferson Praia, do Amazonas (suplente de Jefferson Perez), não tem condições de fazer uma "carreira solo".
Na Câmara Federal, o quadro é mais confuso. Mas no Estado do Rio é certo que tanto Miro Teixeira como Brizola Neto estão ameaçados de sobrarem pelos candidatos do interior: Arnaldo Viana, de Campos, o mais votado em 2006, Sérgio Zveiter, candidato pessoal do prefeito Jorge Roberto da Silveira, de Niterói, o irmão da prefeita de São Gonçalo e o irmão do prefeito de São João de Meriti. Não se sabe ainda se a família do bicheiro Anísio da Beijafor, que entrou para o PDT, terá federal, além de Simão Sessim, do PP.
No Rio, não será surpresa se o PDT se juntar a Sérgio Cabral, o preferido de Lula, desfigurando-se ainda mais. No Rio Grande do Sul, o presidente ocasional do partido, Vieira da Cunha, também não vai bem das pernas. Na Bahia, o partido perdeu seus deputados federais diante da imposição de coligação com o PT, situação parecida em Mato Grosso do Sul.
Em São Paulo e Minas Gerais a trapalhada é mais complexa porque o PDT está nas bases aliadas dos governadores tucanos. E o prefeito de Campinas, Doutor Hélio, não fala mais de sua pretensão de disputar o governo paulista.
Por toda uma variedade de dificuldades, o PDT não poderia dar passo mais infeliz do que declarar seu atrelamento à candidatura de Dilma Rousseff, limitando-se em sua opção, sem qualquer verniz ideológico, em termos de "compensação" ao sonho pessoal do ministro Carlos Lupi, que não pretende se candidatar a nada, para evitar uma exposição de sua absoluta falta de representatividade. Mas, sim, permanecer no cargo em que já ganhou 12 quilos.
E com isso, o brizolismo vive sua agonia crepuscular.
postado por Pedro Porfírio. às 12:41

POBRE DE TI, HAITI

18 de janeiro de 2010
POBRE DE TI, HAITI

Declarado falido, começa a ser ocupado por tropas norte-americanas


 "Recebo muita pressão para usar a violência, para ser mais robusto na utilização da força, principalmente dos países mais interessados na área e cuja atuação de força de paz difere da nossa", General Augusto Heleno Ribeiro, primeiro comandante da ONU no Haiti, apontando como autores dessa pressão os Estados Unidos, Canadá e França, em audiência na Câmara Federal, em 2 de dezembro de 2004.
"O grande risco do Haiti não é a falta de segurança. A ameaça é na área política, social e econômica, que pode voltar a gerar violência. Mas a realidade é que hoje não é a violência que está impedindo a governança. Hoje, é a falta de resultado econômico e social que ameaça gerar nova violência".
General Carlos Santos Cruz, então comandante da ONU no Haiti, em 19 de março de 2009.
"Não tem lógica que as tropas americanas estão pousando no Haiti, se o Haiti está pedindo é ajuda humanitária e não tropas. Seria uma loucura para todos começar a enviar tropas para o Haiti".
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em 15 de janeiro de 2010.
"A revolução haitiana foi o maior movimento negro de rebeldia contra a exploração e a dominação colonial das Américas. Mesmo com o assassinato de Toussaint LOuverture pelos franceses - que haviam substituído os decadentes espanhóis como colonizadores da ilha - a revolução triunfou e fez realidade, contra a França, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. A abolição da escravidão, não contemplada pelos revolucionários de 1789, foi conquistada pelos 'jacobinos negros' do Haiti".
Emir Sader, 4 de janeiro de 2004
 
Por sob os escombros do terremoto e das caóticas ações de socorro que estão sendo mostradas fartamente ao vivo e a cores, num espetaculoso "reality show" de deixar à míngua o novo "Big Brother", há uma outra terrível catástrofe que pode culminar com a "refundação" do Haiti como uma colônia de novo tipo dos Estados Unidos, cujos soldados, armados até os dentes, estão invadindo a parte ocidental da antiga ilha Quisqueya, batizada de "hispaniola" por Cristóvan Colombo, enquanto os efetivos de 17 nações pousados ali em 2004 com mandato da ONU (Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai) estão sendo obrigados a escolher entre o recolhimento dos mortos e policiamente das favelas, ou a "saírem à francesa" de volta a seus quartéis de origem.
Um golpe entre os escombros
Essa é a mais patética constatação de um golpe explícito como corolário da tragédia que fez desmoronar o Estado haitiano, já minado por controle remoto desde Washington, até agora através da Minustah - Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, sempre sob o comando de um oficial brasileiro, agora  o quinto chefe desde que o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira lá chegou em 1 de junho de 2004.
Para garantir o êxito de sua operação, as tropas enviadas por Obama assumiram de imediato o controle do aeroporto da capital e de todas as pistas de pouso do país, como ensina o manual de guerra, agindo com tal desenvoltura que até aviões com alimentos da ONU e outros com hospitais de campanha e ajuda do Brasil foram impedidos de pousar, a fim de facilitar o desembarque da soldadesca ianque e o embarque para área segura dos norte-americanos e seus amigos locais que sobreviveram à destruição.
Tudo está acontecendo na maior sem-cerimônia, ante o silêncio do Conselho de Segurança da ONU e apesar da recambolesca aparição na área, por alguns dias, em indumentária militar, do advogado Nelson Azevedo Jobim, o exibido e deslumbrado ministro da Defesa do Brasil.
Talvez, já nestes próximos dias, dez mil homens treinados para as guerras do Iraque e do Afeganistão estarão operando com equipamentos de última geração no plano de ocupação militar, sobrepondo-se à missão internacional que em 2008 já custara US$ 2.176.772,00 (R$574.914.065,51 erário brasileiro).
Esse processo inédito e indevido de ocupação se dá em meio a um ambiente de absoluta paralisia, quando Porto Príncipe se converte numa cidade fantasma, ante o sumiço de suas autoridades, em todos os níveis, a começar pelo presidente René Préval, um títere acovardado e destituído de toda e qualquer poder de mando.
Presidente, aliás, já convertido em boi de presépio, com a superposição das ONGs ligadas diretamente aos Estados Unidos, as verdadeiras destinatárias da "ajuda internacional" de U$ 1 bilhão por ano, o que levou em 19 de março de 2009 o general brasileiro Carlos dos Santos Cruz, então no comando da Minustah, a apontar a corrupção desenfreada como o maior problema do Haiti naquele momento.
A ocupação militar não se dá como uma "emergência". Quem estava lá nesses anos em que as forças internacionais "legitimavam" o regime títere, montado quando, em 29 de fevereiro de 2004, Estados Unidos e França resolveram sequestrar e mandar para a África o presidente constitucional, o ambíguo ex-padre Jean-Bertrand Aristide, já vislumbrava o "Plano B", previsto desde a suspeita substituição do general Carlos dos Santos Cruz, em abril de 2009, um mês depois da entrevista incômoda que deu ao jornal "Estado de São Paulo" (19 de março) denunciando os desvios da ajuda externa.
Essa interferência, aliás, já havia afetado a própria implantação da tropa internacional, conforme denúncia do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, em audiência oficial na Câmara dos Deputados, que por pouco não caiu ao provocar um "incidente diplomático", quando afirmou que vinha sofrendo "muita pressão de países como EUA, Canadá e França para usar a violência".
Tirando proveito da tragédia
Saber fazer a leitura das afirmações dos generais brasileiros significa entender o móvel da perversa atitude dos Estados Unidos de aproveitarem a declarada falência do Haiti para implantarem seu próprio projeto de ocupação de uma nação amaldiçoada desde o precoce nascimento, em 1804, por ter sido fruto de revolta dos escravos, trazidos à força do Togo e do Daomé, que conservavam sua cultura ewe-fon*, cuja história tem muito a ver com a natureza do povo haitiano até hoje.
O terremoto só precipitou o plano de ocupação do Haiti, mantido de propósito como a nação mais pobre do Continente, sobre cujas áreas há um projeto finalizado por Bil Clynton, baseado na implantação wm regime de "sweatshops"  de confecções produzindo com mão de obra barata para os Estados Unidos em zonas livres de exportação, e da internacionalização da costa de Labadee, no norte do país, alugada pela Royal Caribbean até 2050, que será transformada numa zona livre de turismo.
O abalo sísmico afetou o a idéia de ocupação lenta e gradual, por ter eliminado todos os mecanismos de controle institucional do Haiti. Os especialistas do Pentágono e da CIA acreditam que à falta de uma intervenção militar com poderes de extermínio - recusada pelos oficiais brasileiros - o país se abrirá para uma nova "revolta dos escravos", agora de conteúdo social revolucionário, com reflexos imediatos na vizinha República Domicana.
Os saques já são vistos pelos norte-americanos como primeiros passos de uma revolução que poderá eliminar as elites já afetadas gravemente pelas perdas de 12 de janeiro e implantar um estado social sob influência da massa faminta.
Não havendo estrutura repressora e ante o enfraquecimento da elite dominante, o Haiti poderá ser um campo fétil para um regime nacionalista baseado nos sonhos dos seus fundadores, o qual o ex-padre desistiu de implementar, após o fim da era Duvalier (pai e filho ditadores cruéis e fiéis aos EUA).
Por mais que nossas atenções ainda estejam presas à tragédia que comoveu o mundo inteiro, cabe já ir detectando o que poderá acontecer de igualmente trágico nos dias seguintes. Nenhum país decide de repente mandar para outro uma tropa de dez mil homens, bem maior do que o contingente da ONU, sem as intenções coloniais, que estão nos cérebros doentios do império decadente.
postado por Pedro Porfírio. às 12:06

Corruptos são (quase) todos: uns pilhados, outros "no armário", Pedro Porfírio

25 de dezembro de 2009
Corruptos são (quase) todos: uns pilhados, outros "no armário"

Só na construtora Camargo Corrêa, a PF achou mais de 200 na lista da propina






"Nos países pobres, os níveis de corrupção podem ser a linha divisória entre a vida e a morte, quando dinheiro para hospitais ou água potável está em questão".
Huguette Labelle, presidente da Transparency International



Vamos e venhamos, mas esse escândalo do governador José Roberto Arruda, embora seja o mais espetaculoso já exibido à distinta platéia, ainda vai dar muitos panos para as mangas.
O que tem de gente envolvida não está no gibi. São figurões de vários partidos, de vários Estados e de todos os podres poderes. Porque o governador do Distrito Federal foi por demais esperto com as patotas amigas, agindo como um mafioso que comprometeu meio mundo para que a casa não caia só sobre sua cabeça. Portanto, espera que seus amigos ocultos movam céus e terra para impedir o desmoronamento.
Nada do que temos visto nesse seriado de filmes exibidos é original. A corrupção da classe política e a ação deletéria dos empresários que lidam com o erário, superfaturam e fraudam é igual do Oiapoque ao Chuí, em todos os níveis e em todos os poderes.
A novidade no escândalo da capital federal foi o aparecimento de um corrupto totalmente destrambelhado, um "operador" mais sujo do que pau de galinheiro, que já havia sido pego com a mão na massa desde o governo igualmente corrupto de Joaquim Roriz.
Crente que garantiria a impunidade com a documentação de suas tarefas na teia da corrupção e convencido de que seria descartado e ainda viraria bode expiatório, ele reuniu 300 horas de flagrantes, numa inesperada coletânea das mais variadas cenas de suborno.
Por conta de seu comportamento surpreendente, temos um relato redondo da corrupção em suas várias etapas e formas. É um retrato iluminado que espelha a atuação da quase totalidade dos políticos brasileiros, sejam da direita, do centro, da esquerda ou de coisa nenhuma. Políticos só, não. De todo esse universo farisaico que está por cima da carne seca.
Se gritar "pegar ladrão, não fica um, meu irmão".
Se o Ministério Público e a Polícia Federal forem fundo, estarão dando de cara com corruptos e ladrões de norte a sul, de leste a oeste. Porque a capital federal irradia corrupção, favorecimentos, lobismos, picaretagem, ladroeira por todos os poros, 24 horas por dia. É lá que a grana suja ganha musculatura, por ser da natureza do centro imperial das maiores e mais irrecorríveis decisões.
Infelizmente, o quadro de desmoralização das instituições é de tal abrangência que nos edifícios oficiais se gritar pega ladrão não fica um, meu irmão (Bezerra da Silva tinha razão).A grosso modo, podemos catalogar dois tipos de corruptos - a minoria já pilhada com a mão na massa e a grande maioria ainda oculta no armário.
Não estou exagerando. Hoje em dia o exercício da atividade pública está invariavelmente associado ao mais contundente dos tráficos, que faz dos políticos inescrupulosos os mais descarados mandatários de aluguel.
O mais triste é que essas práticas de corrupção podem ser vistas a olho nu, mas ninguém está nem aí. Os delinquentes oficiais não escondem a corrida à propina, todo mundo sabe como a banda toca, mas o país inteiro parece à espera de sua própria oportunidade de tirar uma lasquinha.

A Lista da Camargo Corrêa
No dia 2 de dezembro, a Polícia Federal deu uma dica sobre a natureza das relações com os podres poderes ao informar que só na construtora Camargo Correa a "Operação Castelo de Areia" apreendeu uma planilha com mais de 200 políticos envolvidos em seu esquema de propinas. Nessa relação, achada em poder do diretor Pietro Francesco Giavina Bianchi, há deputados federais, secretários municipais, conselheiros e ministros de Tribunais de Contas.
Você provavelmente não sabe, mas há "mensalões" e "mensalinhos" em todos os poderes e em todos os níveis. Empresas de ônibus e empresários da construção civil, muitos destes conhecidos grileiros, costumam disponibilizar fartos recursos para nossos legisladores locais, impedindo que se adote qualquer providência que fira seus interesses.
Ou você acha que a aprovação a toque de caixa de novos gabaritos para a região dos jogos olímpicos de 2016 aconteceu só pelos belos olhos azuis dos interessados?
Nesse ambiente de corrupção ampla, geral e irrestrita estão envolvidas também falsas vestais de nossa mídia. Quando fazem uma denúncia, ela tem endereço certo e não pretende esmiuçar a teia de negócios espúrios.
Ou você não viu que está deliberadamente direcionada essa série de reportagens sobre favorecimentos na Justiça, limitada exclusivamente a um único desembargador do TJ-RJ?
Veja o caso das milícias aqui em nosso Estado. Elas têm mais de trinta anos e ninguém as questionou enquanto tratavam apenas de cobrar proteção nas comunidades.
Muitas estão por aí, intocáveis. Mas as que resolveram se meter com os donos dos transportes, incrementando as vans, e feriram os interesses da tv a cabo, patrocinando "gatonetes" foram além dos seus limites toleráveis e, só por isso, entraram no pau.
As raposas e o galinheiro
Este país é tão vilipendiado que as revelações contundentes sobre mais um reduto da propina ganham os contornos de um "reality show". Daqui a pouco, entra outra fita e não se fala mais nisso.
Pior: é bem capaz desses gatunos de colarinho branco voltarem ao proscênio como bajulados protagonistas. Que o digam Jader Barbalho, Renan Calheiros e José Sarney.
Voltam e você vai levando com a mesma condescendência dos aspirantes ao próximo butim. Ou quando esperneia atira onde o próprio sistema quer que você acerte.E tudo ao som da sonata do maior cinismo, tendo à batuta aquele que não se peja em minimizar evidências gritantes. Como se querendo dar uma de magnânimo, de olho no próximo escândalo, que poderá estourar entre os seus.
Atochados pelo festival de corrupção explícita e indisfarçável, os falsos bonzinhos desse filme de terror moral acenam para remédios com as fórmulas de reles placebos.
Reforma política? Quem vai fazer? Esses quase 600 picaretas que chegaram lá por expedientes escusos, do uso da máquina pública, gastando fortunas cem vezes maiores do que receberão de subsídios em 4 anos de mandato, e da fraude que pouquíssimos ousam denunciar?
Até os protestos caracterizam uma outra variável na separação dos corruptos: há os dos nossos partidos, para os quais fechamos os olhos, e os adversários, sobre os quais baixamos o cacete.
Onde estavam esses garotos que ocuparam a Câmara Distrital quando, ali mesmo na deslumbrada metrópole, estourou não faz muito o escândalo do "mensalão", mais opulento, que serviu de palco para meia dúzia de falsos mocinhos, encerrou temporada e não pôs ninguém na cadeia?
Outro dia, escrevi o roteiro da fraude eleitoral. Foi a matéria que teve o menor número de comentários. Será que ninguém vê que tudo começa na farsa de um sistema de votação blindado contra toda e qualquer fiscalização e auditoria?
Em verdade, para onde quer que lancemos nosso olhar só nos depararemos com cenas de indecência explícita.
Infelizmente, mesmo vendo tanta ignomínia, a maioria dos cidadãos prefere o silêncio dos omissos, deixando-nos a sós, como jurássicos e quixotescos espadachins de valores em desuso.
Meu Deus, como tudo isso é assustador!
postado por Pedro Porfírio. às 13:31

Subordinar nossa soberania aos vetos de Israel - era só o que faltava

23 de novembro de 2009


Subordinar nossa soberania aos vetos de Israel - era só o que faltava


Sionistas usaram de todas as suas armas para impedir a visita do presidente do irã


Os sionistas fizeram de tudo para impedir a vinda de um chefe de Estado com o quzal mantemos excelentes relações. Alguns gatos pingados foram às ruas, mas o grão rabino Asquenazi de Israel, Yona Metzger, foi mais longe: exigiu que o presidente do Senado, José Sarney, jogasse pesado contra a visita, do nosso interesse. Na delegação iraniana, quase 100 empresários virão conversar sobre o aumento dos nossos negócios, que são os mais vantajosos no Oriente Médio.
"O Muro de Sharon, em lugar de oferecer uma legítima proteção contra o terrorismo, semeia o ódio ao adentrar profundamente na Cisjordânia, ampliando a ocupação de terras palestinas, e tornando ainda mais insuportável a vida de dezenas de milhares de pessoas. Privadas de condições mínimas para uma vida digna, estas se tornarão novas presas do caldo de cultura do terrorismo".
Moisés Storch, coordenador dos Amigos Brasileiros do Movimento PAZ AGORA, de Israel. (Revista Espaço Acadêmico, novembro de 2003)



Tinha outras prioridades, mas uma mensagem repassada pelo combativo parceiro JC Lago Neto, assinada por Gerardo Xavier Santiago, me pôs na arena, no intuito de repudiar a infeliz cobrança feita sobre a "ausência da esquerda", na manifestação de uma meia dúzia de sionistas e alguns exibicionistas contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
O signatário parecia à cata de uma explicação para sua própria adesão ao evento, cujo "abre alas" era a bandeira do Estado Israel, responsável por tantos massacres, torturas, assassinatos, apropriação da água e por uma política expansionista sem freios, contra a qual, provavelmente, esse mesmo senhor, ao que me conste, não levantou sua voz.
Eu diria: quer fazer média com os donos do mundo, tudo bem, é um direito que a nossa Constituição lhe assiste. Mas investir furiosamente contra quem não admite interferências estrangeiras em nossas relações diplomáticas, aí é forçar a barra.
Ato contra nossa soberania
O protesto, que não teve sequer a adesão do grosso da colônia judaica (250 mil no Brasil, dos quais 35 mil no Estado do Rio), questionava um ato de soberania do governo brasileiro, que mantém relações diplomáticas com o mundo inteiro, como é de bom conselho.
Declarava simplesmente, de forma arrogante e inconveniente, que o chefe de Estado brasileiro não podia receber o chefe de Estado do Irã, hoje o mais amedrontador inimigo do sionismo estabelecido em território da Palestina.
Não podia porque Israel e Irã estão às turras e o Brasil, segundo esses manifestantes, deve se subordinar aos israelenses, que têm uma milionária quinta coluna entre nós.
Quer dizer: antes de receber qualquer chefe de Estado estrangeiro, seria obrigação do governo brasileiro obter um NADA A OPOR do regime de Tel Aviv, chefiado hoje pela fina flor do expansionismo neonazista, muito mais violento do que o dos antecessores, que quase destruíram Gaza ainda há pouco, deixando 2 mil palestinos mortos por seus impiedosos bombardeios.
E a ditadura sionista, pode?
O sr. Geraldo Xavier Santiago disse que estava ali, ao lado da meia dúzia de judeus sionistas, para protestar contra a "ditadura dos aiatolás". Será essa "ditadura" diferente da "ditadura dos rabinos e militares", onde os partidos religiosos são o fiel da balança do governo que continua implantando assentamentos judaicos na Palestina e tem hoje um MURO muito maior do que o estigmatizado Muro de Berlim?
Não me cabe neste texto entrar na discussão da realidade interna do Irã, até porque ainda está gravada em minha memória a deplorável guerra Irã-Iraque, fomentada pelo governo Reagan, que durou oito anos (1980-88) e custou um milhão de vidas, deixando um rastro de destruição ainda por apagar-se. Nesse conflito, os Estados Unidos e seus aliados armaram o governo de Saddan Hussein e o jogaram contra o vizinho, após revogar unilateralmente o acordo fronteiriço de 1975, assinado em Argel.
Falo como testemunha ocular dos fatos
Estive pessoalmente no Oriente Médio. Conheci Tel Aviv e, principalmente a região do Mar da Galiéia, onde a população de 70 dos 210 municípios israelenses ainda é predominantemente árabe, embora o Estado sionista venha construindo cidades paralelas, reservadas exclusivamente aos judeus.
Em Jerusalém, presenciei um agressivo regime policial de controle dos passos de todos os moradores. Para encontrar o professor Sari Nusseibeh, reitor da Universidade Árabe de Jerusalém (que havia sido fechada pelo governo sionista e ia ser cortada ao meio pelo tal MURO), fui conduzido junto com o meu colega Rubens Andrade a um escritório camuflado, no sótão de uma loja de tecidos da cidade velha. O reitor, reconhecido no mundo inteiro por sua postura pacifista, vivia numa espécie de clandestinidade, pelo simples "crime" de dirigir a Universidade arbitrariamente fechada.
Naquele julho de 2002, o então presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yaser Arafat, estava recluso em seu escritório de Ramalah e foram infrutíferas as gestões do encarregado de Negócios do Brasil, Roberto Santos, para que pudéssemos visitá-lo.
Conseguimos chegar à Cisjordânia por Jericó, cidade de dez mil anos, cujas atividades estavam totalmente paralisadas pelos tanques israelenses. Vimos destruídas as duas usinas de dessalinização da água do mar, escolas fechadas, hospitais destruídos e um ambiente de verdadeiro campo de concentração, assim descrito pelo ministro e negociador Saeb Erekat, que nos recebeu em clima de tensão no escritório da Autoridade Palestina, em Jericó.
Estado pirata e expansionista
Não dá para entender como alguém que se diz defensor das vítimas da "ditadura dos Aitolás" fecha seus olhos para os crimes continuados, com milhares de vítimas fatais, praticados por um Estado imposto de fora para dentro, que desde o seu primeiro dia vem violando as próprias resoluções da ONU que o criaram, juntamente com o Estado Palestino, jamais permitido pelos terroristas do Irgun e do Haganah, que hoje inspiram a política beligerante de um país que desviou recursos da "ajuda humanitária" para construir seu arsenal atômico, fato admitido acidentalmente pelo ex-premier Ehud Olmet, durante entrevista a um canal alemão em 2006.
É muito estranho que aqui se faça a defesa cega da política belicista de Israel, quando lá mesmo, como pude testemunhar, cresce um movimento pacifista, denominado PAZ AGORA, que já reuniu 500 mil pessoas numa grande manifestação por um acordo, desprezado solenemente pelo grupo radical que governa o país.
Foi de um integrante desse movimento que ouvi indicações sobre o arsenal atômico israelense, que teria de 80 a 200 ogivas atômicas, em razão de que não admite aderir ao Acordo de Não Proliferação das Armas Nucleares.
Até prova em contrário, o Estado de Israel, concebido no início do Século XX, segundo proposta do sionista austríaco Theodor Hertz, como aglutinador dos judeus de todo o mundo, é hoje uma realidade. No entanto, dos 15 milhões de judeus, apenas 7,4 milhões vivem Israel.
Os outros ou preferem os bons negócios fora, principalmente nos Estados Unidos, cuja colônia soma 5,6 milhões, segundo o Instituto de Planejamento de Políticas do Povo Judeu (JPPPI), ou não sentem atração pelo monstrengo em que se transformou o sonho das vítimas de séculos de perseguição e fugas.
Quando a incoerência compromete
Como lembrei anteriormente, há mais judeus no parlamento do Estado islâmico do Irã, do que não judeus no parlamento de Israel, embora os árabes representem quase 20% da sua população. Na última eleição, os partidos da minoria árabe só puderem concorrer por decisão da Corte Suprema, já que o tribunal eleitoral havia decidido excluí-los.
Dá para levar a sério o cidadão que se diz indignado com a "ditadura dos aiatolás" e nada diz contra o regime de terror imposto por um Estado intolerante e racista?
Dá para calar quando ele sobrepõe as angústias dos judeus sionistas aos interesses do Brasil, que tem no Irã o seu maior e melhor parceiro comercial em todo o Oriente Médio?
O governo brasileiro faz muito bem em conversar com o líder iraniano, da mesma forma que faz muito bem em estreitar as relações com a China, que, ao contrário do Irã, é governada por um partido único.
E deve aproveitar o respeito granjeado por sua política externa para interferir efetivamente em favor da paz, contra as agressões ainda em curso no Iraque e no Afeganistão, e a favor de um acordo no Oriente Médio, que passa inevitavelmente pela reformulação radical da política do governo israelense, tal como preconiza o movimento PAZ AGORA, cuja inquietação não chega ao conhecimento dos brasileiros por motivos óbvios.
E tem o dever de ser firme ao intervir em favor do reconhecimento do Estado Palestino, criado, aliás, pela mesma Resolução que gerou Israel.
postado por Pedro Porfírio. às 13:11

A verdade sobre a Venezuela- u ma democracia d ireta com eleições transparentes

02 de novembro de 2009
A verdade sobre a Venezuela - uma democracia direta com eleições transparentes.

Quem foi contra seu ingresso no Mercosul queria agradar a Israel, esquecendo o Brasil



"Será desconfortável admitir a Venezuela porque o presidente Hugo Chávez não reconhece o Estado de Israel, que tem um acordo bilateral (?) com o Mercosul".
Senador João Agripino, líder do DEM

"A Venezuela está investindo muito na modernização de sua infra-estrutura e acreditamos que, com a nossa experiência em obras pesadas, podemos dar uma grande contribuição para o desenvolvimento do país".
César Gazoni, diretor comercial construtora Camargo Correa para a América Latina.

 

Essa votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul serviu para mostrar a pequenez que sobressai no comportamento dos nossos parlamentares. Quem era da base governista, somou os 11 votos ao do PSOL, garantindo folgada maioria à aprovação. Os cinco senadores do PSDB e do DEM, que insistem em fazer oposição como incorrigíveis trogloditas, preferiram se queimar numa postura contrária aos interesses econômicos do Brasil e fazer o gosto de Israel, que não se conforma pela atitude corajosa do presidente Hugo Chávez que, em janeiro de 2009, rompeu relações com o regime sionista, depois dos impiedosos massacres da população civil de Gaza, com mais de dois mil inocentes mortos.
Os senadores oposicionistas sabiam que se há um país que vai ganhar com a admissão da Venezuela no Mercosul esse país é o Brasil, que tem no vizinho o seu melhor parceiro comercial. Sob pretexto de rejeição a práticas de Chávez, que teriam caráter antidemocrático, os tucanos e os representantes do DEM reduziram uma questão de interesse nacional - um assunto de Estado - a um jogo partidário irresponsavelmente mesquinho.
Nessa hipócrita defesa da "democracia" na Venezuela, foram desautorizados até pelo principal líder da oposição a Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que veio ao Senado brasileiro falar do interesse geral em seu país pelo ingresso no Mercosul, independente das divergências e críticas ao seu governo.
A políticos com o histórico de Tasso Jereissati carece autoridade moral para falar em democracia. Com certeza, o controle que exerce sobre a política cearense desde que o governador Gonzaga Motta o fez seu sucessor na onda do "Plano Cruzado", em 1986, não é o melhor exemplo de democracia.
Democracia de sobra com eleições transparentes
Devo dizer, pelo testemunho de quem esteve na Venezuela em 2006 sem qualquer vínculo oficial, isto é, por minha conta, que as eleições naquele país são muito mais transparentes e seguras do que no Brasil. Lá, além do eleitor ser submetido a uma identificação digital numa bateria de computadores, o voto eletrônico é também impresso, permitindo a sua conferência. Em 2006, a Comissão Eleitoral, com a assistência de delegações oficiais da OEA e de vários países, selecionou 45% das urnas para comparar o voto eletrônico com o impresso.
Além disso, o modelo de consulta popular através de plebiscito torna o exercício do poder muito mais exposto ao julgamento do povo. Todas as mudanças constitucionais  na Venezuela tiveram de ser submetidas a aprovação dos cidadãos. Aqui, já fizeram mais de 50 emendas à Constituição sem que o povo sequer tenha tido conhecimento.
Para um país que sofreu um golpe de Estado em 2002, seria querer muito desejar que o governo ficasse à espera de uma nova tentativa e não punisse alguns golpistas. Quando estive em Caracas, todas as estações de televisão faziam oposição, juntamente com os principais jornais do país -
El Universal e El Nacional. Para ter acesso à televisão, Chávez recorria ao canal estatal e às estações comunitárias que, ao contrário do Brasil, se disseminam com liberdade e cobertura legal.
Entidades empresariais e os "ruralistas" atuam com desembaraço na oposição radical ao governo. Essa oposição inclui boicotes de mercadorias e resistências ao controle de preços para forçar o desabastecimento e a inflação. Por conta desse quadro, a Venezuela importa hoje 70% dos alimentos que consome.
A ampla maioria que o governo tem na Assembléia Nacional ocorreu por conta de um boicote nas eleições parlamentares de 2005, postura que a "direita" reconhece hoje como um erro fatal. Mesmo assim, dissidentes da aliança estabelecida naquele ano exercem a oposição, sob a liderança do partido PODEMOS.
O ódio à semente de uma nova América Latina
Portanto, nada mais insustentável do que alegar que a Venezuela despreza a democracia. O que semeia o ódio dos seus adversários é a sua proveitosa cruzada nacionalista, contra a qual os interesses dos trustes se articulam. Com a ascensão do coronel bolivariano, o quadro na América Latina começou a mudar e hoje há um ambiente de dignidade  e culto da soberania nacional na maioria dos países da América Latina. Esse ódio é tão obstinado que até Fidel Castro e a revolução cubana foram colocados em segundo plano pelos grupos aliados dos trustes norte-americanos.
Ao ser eleito pela primeira vez em 1998, Chávez deu fim ao Pacto de Punto Fijo, que perdurara por quarenta anos, com a alternância no poder entre representantes das oligarquias, através dos partidos Ação Democrática e Social Cristão - COPEI. Até então, a Venezuela era o país com maior índice de corrupção da América do Sul. Para se ter uma idéia: em 1973, com a primeira ação articulada da OPEP, o preço do barril do petróleo subiu de US$ 3,00 para US$ 12,00. O produto dessa elevação gigantesca foi todo para os bolsos das oligarquias.
Em consequência da degeneração administrativa e do empobrecimento do povo, apesar das altas do petróleo, o país chegou a um clima de revolta em fevereiro de 1989, no "Caracazo", quando mais de 500 venezuelanos foram mortos pelos militares em dois dias de manifestações desesperadas.
Ex-guerrilheiro faz oposição a Chávez
Quando estive em Caracas, entrevistei Douglas Bravo, o líder das guerrilhas que tiveram grande atuação na década de 60, principalmente nos Estados de Falcón e Mérida. Estava comigo o colega Wellington Mesquita. Morando num modesto apartamento no centro de Caracas, o ex-líder guerrilheiro fez severas críticas a Chávez, acusando-o de "fazer acordo com as petrolíferas estrangeiras".
Fiquei surpreso com sua oposição radical ao presidente que tirava o sono de Bush. Mas ele, com mais de 70 anos (embora bastante conservado) havia recomendado a seus seguidores o voto em brancono pleito em que Chávez foi reeleito.
Durante a entrevista, ele recebeu várias visitas de pessoas que pensavam como ele, muitos de sua geração de guerrilheiros. Quando estávamos saindo, chegava a seu apartamento um grupo de ex-guerrilheiros guatemaltecos que também se mantinham em posições "à esquerda" de Chávez.
Conversei também com  homens  de "direita", entre representantes do comércio, indústria e das áreas rurais. Estes estavam convencidos da vitória do candidato oposicionista Manuel Rosales, governador do Estado de Zúlia, o maior produtor de petróleo, que não precisou abandonar o cargo para disputar a Presidência. E, ao conhecerem o resultado, admitiram que a vitória de Chávez aconteceu em eleições limpas e incontestáveis.
Faço esse relato para dizer finalmente: com a oposição como essa, que continua vestindo a carapuça reacionária e ainda não entendeu bulhufas do processo social, Lula se sente à vontade para tirar do bolso do macacão a sua sucessora, que até hoje não disputou nem eleição para síndico de edifício.
No caso da Venezuela, os tucanos de São Paulo e de Minas, principais estados exportadores para esse país, haviam recomendado mais prudência aos representantes da oposição na Comissão de Relações Exteriores. Mas estes, dos Estados do Nordeste e do Pará, preferiram pagar o mico de quem recorre a qualquer impostura para justificar um voto contra os interesses do Brasil,  pensando que é assim que se faz oposição. No que, aliás, contaram com a solidariedade de José Sarney e Fernando Collor, dois dos generais da base governista, que declamaram impropérios no mesmo diapasão.

 

 

 

O comércio que junta a fome com a vontade de comer
 A Venezuela importa 70% de tudo o que consome e representa o maior superávit da balança comercial brasileira. Já é nosso sexto maior destino comercial. De 2003 a 2008, as exportações para a Venezuela cresceram de 758%, saltando de US$ 608 milhões para US$ 5,15 bilhões. Cerca de 72% dessas exportações são de produtos industrializados, com elevado valor agregado e alto potencial de geração de empregos. Além disso, grandes obras lá são realizadas por empresas brasileiras, como a Oldebrecht, a Andrade Gutierez e a Camargo Corrêa. Hoje, o Brasil tem com o país vizinho seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões, 2,5 vezes superior ao obtido com os Estados Unidos (US$ 1,8 bilhão).

Empreiteiras brasileiras são as preferidas na Venezuela
Na Venezuela de Hugo Chavez, os negócios da Odebrecht são ainda mais espraiados. As linhas 3 e 4 do metrô da capital Caracas, com um total de 12 quilômetros de túneis, vão sendo construídas pela empresa sob contratos de US$ 185 milhões. O projeto de irrigação El Diluvio-El Palmar, na região fronteiriça com o Brasil, foi conquistado este ano pelo valor de US$ 96 milhões. Enquanto isso, uma ponte de 3,1 quilômetros sobre o rio Orinoco (foto), 165 quilômetros de estradas e dois quilômetros de viadutos vão ficando prontos no interior do país, com previsão de entrega para maio de 2006. A fatura total desses empreendimentos é de US$ 600 milhões.

A construtora Camargo Corrêa inaugurou em feveriro úlimo as obras de reconstrução da barragem da represa de El Guapo, a 150 quilômetros de Caracas, na Venezuela. A barragem restabeleceu o abastecimento de água para mais de 400 mil habitantes de uma importante região do Estado de Miranda, próximo à capital. .A obra custou cerca de US$ 110 milhões.
 Em 2006, a Andrade Gutierrez assinou contrato para a construção de um estaleiro e quatro navios petroleiros entre 2007 e 2009 na Venezuela, segundo carta de intenção assinada com a PDV Marina, subsidiária da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O estaleiro será construído na região leste do país, informou a PDVSA. O documento prevê ainda a conclusão de dois navios em construção em território brasileiro e a fabricação de mais dois na Venezuela.
O estaleiro será a primeira infra-estrutura venezuelana com tecnologia de ponta para a fabricação, manutenção e reparo de navios de grande porte e plataformas marítimas.O projeto faz parte de um plano mais amplo chamado "Siembra Petrolera 2006-2012", que inclui ainda o aumento da frota da PDV Marinha para 60 navios.Desta forma, a PDVSA terá petroleiros com capacidade de até 400 mil toneladas, fabricados nesta nova instalação.
A Andrade Gutierrez e a estatal venezuelana de siderurgia assinaram acordo em stembro de 2008  para a construção de uma usina siderúrgica no Estado de Bolívar, na Venezuela, orçada em 1,8 bilhão de dólares. A siderúrgica venezuelana terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de aço líquido por ano e será construída em parceria com a Empresa de Produção Social Siderúrgica Nacional.

 

postado por Pedro Porfírio. às 12:28

Encenação sobre os mortos da ditadura- leia mais uma impostura do governo Lula.

11 de outubro de 2009

Encenação sobre mortos na ditadura - mais uma impostura do governo Lula

Enquanto pede ajuda da população, governo blinda arquivos secretos da repressão


"Quando se fala então em pesquisar documentos do período ditatorial é um deus-nos-acuda. Com exceção dos arquivos das delegacias de ordem política e social, que foram abertos pelos governos estaduais na década de 90, os demais continuam fechados a sete chaves".
Aluízio Palmar, autor do livro "Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?"

Aluzio Palmar descobriu tudo sobre o extermínio de exilados atraídos para serem executados no Brasil

Em matéria de cinismo e impostura, o governo Lula passou dos limites no trato de uma matéria tão delicada com a sobrevivência de um dos mais perversos entulhos da ditadura - a impunidade dos crimes praticados pelas ensandecidas hordas da repressão.
Numa grotesca cortina de fumaça para fugir ao julgamento de tribunais internacionais, o governo vinculou por toda mídia, especialmente a televisão, uma campanha na qual pede informações aos cidadãos sobre os corpos de dezenas de brasileiros executados por grupos militares de extermínio ou sob tortura em instalações policiais e das Forças Armadas.
O governo do sr. Luiz Inácio foi tão infeliz que o grupo "Tortura Nunca Mais" apontou a campanha, que custou R$ 13,5 milhões, como uma grande encenação para evitar que em breve o Brasil seja condenado pelo tribunal da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, em processos sobre desaparecidos políticos.
Nesse material, o governo dá uma dimensão de seu juízo sobre violências praticadas deliberadamente em nome do Estado, semelhantes às que levaram à prisão perpétua generais, almirantes e oficiais na Argentina. E que puseram na cadeia oficiais e torturadores do Uruguai e do Chile. Ao alardear que o governo tem uma dívida com as famílias dos desaparecidos políticos, apresenta com resposta o empenho para que eles possam enterrar seus mortos.
Quer dizer: para a cambada que está hoje aí deitando e rolando graças ao sacrifício e à imolação de centenas de brasileiros, tudo se resume em descobrir as ossadas ocultas nos cemitérios clandestinos da ditadura.
Nenhuma palavra sobre a punição dos assassinos, muitos dos quais estão aí cantando de galo na maior sem cerimônia como se não tivessem abusado perversamente do poder, como se não tivessem extravasado seu ódio sádico em intermináveis sessões de sevícias e torturas.
Campanha farsesca para ocultar cumplicidade
Para esse governo que faz show até com o luto alheio, expor o que todo mundo já sabia através de matérias pagas na tv é sua única obrigação. Exposição, aliás, a que faz questão de emprestar um verniz farsesco: ninguém melhor do que o próprio governo para achar os corpos, de onde o objeto explícito da campanha é outra simulação com a dor dos outros.
Para além da questão do "direito sagrado de enterrar os corpos dos seus entes queridos", interessa a todos uma investigação de profundidade sobre as violências perpetradas por uma dúzia de celerados, que nada têm com o grosso da tropa, a mais enganada e aterrorizada pelos exterminadores de adversários, que tinham o controle dos órgãos repressivos.
A consciência jurídica já definiu que o instituto da anistia não pode beneficiar torturadores, muito menos grupos de extermínio, que armavam ciladas para atrair oponentes, executando-os e ocultando seus corpos, para que o sangue derramado não respingasse sobre suas carreiras.
Tanto que o Conselho Federal da OAB formalizou, no último dia 28 de agosto, pedido para que o Supremo se posicione, respondendo se a Lei de Anistia inclui ou não, entre os beneficiados, pessoas que praticaram torturas. Para isso, o órgão ajuizou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).
"Trata-se de saber se houve ou não anistia dos agentes públicos responsáveis, entre outros crimes, pela prática de homicídio, desaparecimento forçado, abuso de autoridade, lesões corporais, estupro e atentado violento ao pudor contra opositores políticos ao regime militar, que vigorou entre nós antes do restabelecimento do Estado de Direito com a promulgação da vigente Constituição", diz a petição inicial.
A tese defendida pelo Conselho Federal da OAB é que a tortura não se inclui entre os crimes políticos anistiados pela lei. O presidente do órgão, Cezar Britto, ressaltou que esse posicionamento é reforçado pelo fato da Constituição de 1988 estabelecer que a tortura é crime inafiançável e imprescritível.
A indignação das famílias dos desaparecidos
Além da ADPF, a OAB move ainda no STF Ação Direta de Inconstitucionalidade  com o objetivo de obrigar o governo federal a abrir todos os arquivos relacionados ao período da ditadura militar.
Elizabeth Silveira e Silva, tesoureira e ex-presidente do "Tortura Nunca Mais" do Rio, cujo irmão (Luiz Renê Silveira e Silva) foi executado no Araguaia e está na lista de desaparecidos, lembrou que tempos atrás, quando o processo foi aberto na CIDH, a entidade fez sugestões ao governo para que tomasse providências no sentido de evitar que o caso chegasse ao julgamento na corte internacional.
Uma delas seria intimar para depor militares que serviram na época, para que revelassem o que sabiam a respeito da repressão contra quem resistia à ditadura militar.
- O governo deu de ombros, não aceitou a sugestão. Sequer explicou as circunstâncias das mortes. E surpreende com essa campanha. Não vemos vontade política de que esse episódio da História recente seja totalmente esclarecido.
O grupo duvida que apareçam documentos relevantes Para o "Tortura Nunca Mais", o governo deverá obter pouco material através da campanha, pois as pessoas mais diretamente interessadas - parentes de desaparecidos - só possuem dados que investigaram por conta própria ou com a ajuda de entidades civis.
A posição do grupo, segundo Elizabeth, é clara: o governo deveria dar o primeiro passo. Antes de pedir aos brasileiros que doem documentos sobre os chamados anos de chumbo, para que sejam compilados e posteriormente divulgados pelo Arquivo Nacional, o governo deveria abrir os seus arquivos secretos daquele período.
- Essa iniciativa é fundamental para que essa nova campanha de aparência séria não passe de uma brincadeira, de uma encenação.
A descrição de um extermínio programado


Mas esse mesmo governo tornou a abertura dos arquivos secretos da ditadura coisa para o dia de são nunca, ao regulamentar o decreto 4.553, sancionado por Fernando Henrique, ampliando os prazos de sigilo de documentos secretos, confidenciais e reservados e prevendo a renovação indefinida para documentos ultra-secretos.
Investigar não é difícil. Com a Polícia Federal que temos hoje, não haverá mistério em descobrir todas as brutalidades cometidas em nome do Estado. Que o diga o jornalista Aluizio Palmar, cuja dignidade cultivo desde que estivemos presos juntos por uma boa temporada na Ilha das Cobras, autor do livro "Onde Foi Que Vocês Enterraram Nossos Mortos?"
Em sua obra, leitura obrigatória de quem quer conhecer os métodos brutais da repressão, ele elucida alguns casos como a deliberada execução do grupo do ex-sargento Onofre Pinto, que que estava exilado na Argentina, e foi atraído pelo ex-sargento Albery Vieira dos Santos (já a serviço da repressão) com a promessa de um local para agir dentro do Brasil.
"O grupo saiu de Buenos Aires no dia 11 de julho de 1974. Cinco deles morreram no dia seguinte, 12 de julho de 1974. O Onofre Pinto ficou no sítio. Decidiram preservá-lo. Mataram o Onofre no dia 13. O Élio Gaspari aponta que a determinação de matar o Onofre partiu de Brasília".
E mais: "Os cinco (assassinados dia 12) foram levados até o local. Desceram do automóvel, uma Rural Willys, e caminharam. Era noite. Então, acenderam faróis. Um grupo de extermínio, formado por aproximadamente 15 militares, fuzilou os cinco. Eles foram levados para uma cova coletiva".
O livro de Aluízio Palmar é ao mesmo tempo um libelo sobre as operações de extermínio da repressão na ditadura e uma demonstração de que é possível não apenas achar os corpos, como esclarecer cada extermínio, bastando para isso que haja vontade política.
E isso, esse governo de acordos secretos, não tem. Se tivesse, não faria de Delfim Netto, tzar da economia de então, como representante do esquema empresarial na ditadura, o mais ouvido e cheirado conselheiro do sr. Luiz Inácio.

postado por Pedro Porfírio. às 14:02

Com essa "esquerda" do poder a direita não precisa de candidato.

18 de setembro de 2009


Com essa "esquerda" do poder a direita não precisa de candidato




 
 
 
 
 
 
 
 
O confronto será entre os rabos presos e os que não puseram os rabos em leilão. ,
A direita no poder dispensa candidatos, que o digo Fernando Collor
"Na verdade, boa parte dos "trogloditas de direita" fazem parte da base governista, alçados por Lula a aliados incondicionais".
Merval Pereira, O GLOBO, 17 de setembro de 2009
 
Titular de um governo em que nove em cada dez estrelas prestaram relevantes serviços ao sistema, sustentado por uma horda de miquinhos amestrados sob a batuta do decano José Sarney e tendo como monitor na área econômica o banqueiro Henrique Meireles, o ex-metalúrgico Luiz Inácio cumpriu mais uma insofismável tarefa como preposto adestrado das elites dominantes.
Só que, dessa vez, ao dizer que não há candidatos de direita à Presidência, acabou revisando antigos referenciais usados de forma oportunista. O que ele disse tem a ver com o balaio de gatos que compõe sua base aliada. Mas serve também para oferecer aos cidadãos brasileiros a compreensão de que o próximo confronto deverá considerar parâmetros mais sintonizadas com o "cavalo de pau" explícito que fez do Partido dos Trabalhadores a espinha dorsal de um esquema de poder ao gosto do sistema capitalista internacional.
O verdadeiro confronto ético
A sequência dessa constatação explicitada por ele será a fulanização do confronto. De um lado, estará o amplo espectro de arrivistas e canalhas que trocaram suas idéias pelas vantagens ilimitadas de um governo sem escrúpulo, que a todos compra e com qualquer um compõe sem qualquer tipo de salvaguarda ética ou moral.
De outro lado, independente de antigas diferenças ideológicas, deverão perfilar-se os que não participam desse grande estelionato político, numa frente igualmente heterogênea.
Ficou claro nesses anos de governo petista que o retrocesso em questões essenciais, do ponto de vista da soberania nacional e dos ganhos sociais, foi muito mais acentuado do que no tempo de seus antecessores.
Com sua estrutura azeitada, o PT converteu-se no algoz amado dos trabalhadores e em agente festejado da dominação estrangeira, valendo-se de um discurso cínico e do arco-íris de suas cortinas de fumaça.
Perdas e danos sem estresse
O caso do desprezo pelas conquistas sociais foi particularmente perverso, pela cooptação de sindicalistas de todos os escalões e e o suborno de líderes de partidos que poderiam questionar a cassação implícita de direitos básicos, com sua desfiguração camuflada, como na emblemática "Lei de Recuperação das Empresas", que retirou do patronato obrigações de ordem trabalhista, como aconteceu, de forma brutal, com o pessoal da Varig, primeira corporação em que a empresa ficou desobrigada do pagamento das verbas rescisórias.
Em relação à soberania nacional, o governo do sr. Luiz Inácio abriu portas e janelas para a invasão estrangeira da Amazônia, valendo-se de todo tipo de estripulias: da manipulação da causa indígena à legalização da grilagem de terras públicas.
E agora aparece com essa mistificação da partilha, que mantem os leilões e o acesso das petrolíferas estrangeiras e deixa a Petrobrás de saia justa. 
Sob esse aspecto, o governo lulista (ou petista) cumpriu ao pé da letra o papel da esquerda que serve à direita, ou seja, como dizia Darcy Ribeiro: o PT tem sido a esquerda que a direita gosta. Saiu muitas vezes melhor do que a encomenda. Daí porque a direita apresentar candidato agora é dar um tiro no pé.
Brizola, o último empecilho
Para isso, ganhou de bandeja a morte de Leonel Brizola, no seu momento de maior lucidez, quando tentava construir uma alternativa capaz de desmascarar e derrotar o antro de mistificação e bandalheira em que se converteu o governo lulo-petista.
Aliás, como penso em relação às mortes de Juscelino, Jango e Lacerda, tenho meus motivos para desconfiar da maneira rápida como Brizola morreu, no que posso pensar o que quiser sobre os que, herdando sua legenda, fizeram seu próprio cavalo-de-pau e aceitaram ser subalternos do partido que foi a mais afiada ferramenta na desconstrução do brizolismo.
Quando aponta a ausência de candidatos de direita na próxima sucessão presidencial, o sr. Luiz Inácio esquece de dizer que, por pensamentos e atos, de fato, quem olhar com mais atenção, haverá de detectar que a direita está mais feliz e mais forte do que nunca - porque faz parte da trupe governante.
Enquanto expressão das elites econômicas, da classe dominante, a direita nunca foi tão bem servida. E servida com competência divinal, pelo brilho escarlate que revestiu e reveste o atendimento de sua pança insaciável. Que falem a respeito os grandes latifundiários, integrante do chamado agro-negócio, particularmente o de exportação, a serviço de quem o governo desenhou suas prioridades agrícolas, enquanto despreza a oportunidade de fazer a verdadeira reforma agrária, mãe de todas as reformas sociais.
Antes de ser o paladino do novo, dos novos hábitos, o governo do sr. Luiz Inácio recorreu ao que havia de mais obsoleto, imoral e abominável para responder pelos destinos do país.
Ao fazer seu próprio strip-tease, o falso Partido dos Trabalhadores mostrou a podridão de suas partes íntimas, penetradas pela frente e por trás na devassidão capitaneada por Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, Paulo Maluf e outros beneficiários do regime de partilha do poder, no qual princípios e valores, histórias e biografias foram jogadas no mais fétido monturo de lixo.
Todos subordinados ao general Sarney
A cada um, portanto, cabe fazer sua escolha, nada fácil, aliás. Mas dizem os alfarrábios da estratégia que, em situações semelhantes, o passo mais seguro é o que desfaz a alquimia do poder estabelecido sem nenhum compromisso, senão o de servir aos interesses negociados.
Não é a divergência ideológica que será sabatinada nas urnas, como Lula fez questão de definir, até como medida preventiva para garantir o esmagamento definitivo dos esquerdistas recalcitrantes do seu e dos partidos aliados.
Pessoalmente, imagino quão escabroso será ver os últimos brizolistas no mesmo palanque de Sarney, no Maranhão, e Sérgio Cabral, no Estado do Rio. Tudo para preservar a rede fisiológica tecida a partir da transformação do Ministério do Trabalho numa reles agência de terceirização dos recursos arrecadados em rubricas sociais. Ou ver o ex-governador Ronaldo Lessa à espera das sobras do que o governo preferencialmente destinará a Renan Calheiros e Fernando Collor, de sua pecaminosa tropa de choque. Nesse caso, repito com toda ênfase: quem não tiver rabo preso ou rabo em leilão terá de aliar-se para combater essa aliança de poder, cuja marca reluzente é a mescla dos trapaceiros de todos os matizes ideológicos.

postado por Pedro Porfírio. às 12:30

O combate aos políticos corruptos passa pelo questionamento do voto eletrônico às cegas.

14 de agosto de 2009

O combate aos políticos corruptos passa pelo questionamento do voto eletrônico às cegas

Neste momento histórico, mais do que nunca, não podemos nos dispersar


 

 

 

 

http://pedroporfirio.blogspot.com

Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2009

 

Estudantes que não foram cooptados voltaram ao Senado para exigir a saída de Sarney. Mas eles é que foram presos.

 

"A fraude dos mesários consiste em se aproveitar a ausência de fiscais para inserir votos nas urnas-E em nome de eleitores que ainda não compareceram para votar".
Amílcar Brunazo Filho, maior especialista no combate às fraudes das urnas eletrônicas.

Não estou nada surpreso com esse cessar fogo no tapetão azul do Senado desta república gaiata. Nem eu, nem você, provavelmente. Não faz muito, a Câmara Federal ganhou o benefício da penumbra e manteve suas trapaças no "sapatinho". Na Justiça, você sabe, depois daquele arranca-rabo entre Gilmar e Joaquim, desceu a cortina da mais insípida calmaria.
A espetacularização da traquinagem vai sobrar para todos lá da corte. Excetuando-se uma meia dúzia de três ou quatro, estão todos enfiados na libidinagem política de corpo e alma. Mais de corpo do que de alma. Mas como são "multiflexes", qualquer combustível lhes sacia os apetites vorazes.
Já tentaram mudar de assunto com a gripe suína, mas não deu. Agora, dona Globo e o Estadão voltaram à carga contra a Igreja Universal. Não pelos seus perigosos poderes de persuasão, mas pelo sucesso da Record, que já está cabeça com cabeça com o antigo império de comunicação.
Mas não será a única cortina de fumaça. O sistema faz do povo gato e sapato. Pauta sua indignação pela formulação manipulada dos elementos de conflito. Faz com que descarreguemos nossa bílis sobre dois ou três vilões. A gente cai dentro como se fossemos livrar o Brasil de todos os seus malefícios.
Neste sábado, estaremos em todo o país no grito do "Fora Sarney" , esperando que esse grito alcance todos os corruptos do Congresso. E vizinhanças.
Por cima da carne seca
No entanto, o sistema conta com a dispersão no dia seguinte. Sarney continuará por cima da carne seca porque comanda a pior súcia que já pisou o tapete azul. Lula morre de medo de que algo lhe aconteça. Ainda sofre do trauma da derrota da CPMF, quando não logrou o número necessário, apesar de contar então com votos contrariados de alguns aliados, como senadores do PDT.
Sarney conhece os meandros da política de cor e salteado. Aprendeu na ditadura, a que serviu com menção honrosa, a jogar com as fraquezas dos adversários. Coleciona robustos dossiês. Não existe um único dos seus colegas de que não possua um achado comprometedor.
Portanto, todo aquele bate boca histriônico está chegando ao fim. No Senado, ninguém é maluco de levar esse jogo de cena às últimas conseqüências. Como eu disse outro dia, nem o mais palatável dos senadores lembrou-se de questionar essa monstruosidade que é o eleitor votar em um e levar mais dois de quebra, que ele nunca viu mais gordo.
O suplente do ACM é o filho. O do Lobão, idem. E cada um que senta no banco dos reservas está lá não por qualificação política. Mas por credenciais só cabíveis quando o mandato é ganho por baixo do pano.
O Senado é o que é de cabo a rabo. Seu irmão do lado não é diferente. Só não tem suplente sem voto. Mas, sabe quanto custa hoje uma eleição de deputado federal? Assustam-me com os números milionários. Nem que vivessem 100 anos, a maioria dos políticos ganharia o gasto numa campanha.
Pior de tudo e a urna eletrônica
Isso não é tudo, porem. Você notou que ninguém fala dessas intocáveis urnas eletrônicas, concebidas sob a mesma égide dos atos secretos do Senado?
Isso é que é brabo. No tempo do meu pai, lá no Ceará, o "coronel" dava o envelope fechado para o peão botar na urna. Um dia, como contou Sebastião Nery em seu precioso folclore político, o eleitor foi perguntar em quem tinha votado. O patrão respondeu na bucha:
- O que é isso, rapaz, o voto é secreto.
Nada como um dia depois do outro. A tecnologia e os nossos preclaros ministros da Justiça Eleitoral fincaram pé e não adianta espernear. O voto hoje é tão secreto como nos tempo do meu pai. Você vota, vê até um retratinho, mas não tem como saber para onde foi o voto.
Sabe por que? No Brasil, ao contrário da Venezuela de Chávez que essa mídia chama de ditadura, o cidadão não tem como checar o seu voto, porque ele não é impresso.
Em janeiro de 2002, o então senador Roberto Requião, inspirado pela cruzada de Brizola, ainda conseguiu aprovar a Lei 10.408, que estabelecia a impressão do voto para eventual recontagem. Tão logo assumiu, Lula mandou revogar esse instrumento de controle, valendo-se de um projeto do senador tucano Eduardo Azeredo. (Nessas horas, eles se entendem muito bem). Protocolado em maio de 2003, o projeto revogatório foi aprovado pelo Congresso na tarde de 1 de outubro de 2003. À noite, Lula sancionou o que seria a Lei 10.740.
As fraudes da modernidade eleitoral
A urna eletrônica caiu como uma luva também para o voto digitado pelos próprios mesários, principalmente nas periferias da cidade. É um golpe surrado e conhecido, responsável pela eleição de deputados e vereadores, principalmente.
A partir de certa hora, como muitos eleitores desistem de exercer seu direito porque sabe que a multa é mínima, os mesários votam por eles. Para não haver erro, assinam mais ou menos entre uma linha e outra. Qualquer coisa, dá-se um jeito.
A maneira mais eficiente de impedir esse voto "biônico" e a adoção da urna biométrica, como existe na Venezuela desde 2004. Por esse sistema, para votar, o eleitor tem de colocar suas digitais na urna.
No Brasil, essa providência está sendo testada num ritmo em que, provavelmente nos próximos pleitos só alguns municípios contarão com esse inibidor de fraudes.
Sobre esse procedimento, responsável pela eleição de um numero surpreendente de deputados e vereadores ( e até majoritários - há quem diga que foi aí que o Gabeira perdeu a eleição para prefeito do Rio) o engenheiro
Amílcar Brunazo Filho, a maior autoridade em urnas eletrônicas do Brasil, já detectou a possibilidade de novo tipo de burla com a utilização da mesma máquina para identificar o eleitor e receber seu voto.
"Na Venezuela, por exemplo, onde se adota a identificação biométrica do eleitor desde 2004, esta identificação é feita em máquinas próprias desconectadas das máquinas de votar (uma máquina de identificar pode atender a demanda de até 20 máquinas de votar)".
O que eu quero lembrar é que essa fartura de políticos corruptos tem muito a ver com o sistema eleitoral brasileiro, tão suspeito que, para disputar a eleição e vencer no Paraguai, a oposição exigiu a devolução das urnas oferecidas pelo TSE do Brasil. Essa medida profilática foi considerada uma das razões da derrota do candidato oficial.
Portanto, por hoje, fica a advertência: a menos que acabemos com o atual sistema de voto eletrônico às cegas, sem controle e sem auditagem, que Sarney e seus colegas peraltas podem até sair de cena. Mas o esquema está montado: no lugar deles, surgirão outros da mesma laia e até mais vorazes e menos escrupulosos.
A luta contra a corrupção passa pelo questionamento dessas urnas secretas.
coluna@pedroporfirio.com  

 

postado por Pedro Porfírio. às 13:26

Antes que eu me esqueça: aos petistas decentes, com carinho.

19 de julho de 2009
Antes que eu me esqueça: aos petistas decentes, com carinho

Preferia que Lula e o PT fizessem um governo progressista, focado nas suas antigas bandeiras



 

 

 

 

 

 

 

"Lula deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades: a política partidária. Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda da autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes da sua posse. E é papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas".
Senador Tião Viana (PT Acre)
Antes de escrever qualquer outra matéria, gostaria de esclarecer alguns pontos suscitados a partir de comentários de alguns destinatários das minhas colunas. Falo especificamente de três petistas (ou simpatizantes) que criticaram minhas opiniões, escrevendo:
"Cara, você não cansa né?
Gostaria de ver você atacando gente do naipe de Paulinho da Força e Geraldo Vinholi, será que estes não são caciques do seu querido PDT, partido que em São Paulo não passa de uma legenda de aluguel".
Daniel Souza
"Durante dois anos, diariamente, vcs tentaram acabar com o PT e com o governo do presidente Lula, nada conseguiram. Vocês querem ocupar politicamente o lugar do PT, mas deveriam trabalhar para serem mais um partido de esquerda no Brasil e não têm capacidade para fazê-lo, por isso, se preocupam tanto com o PT. Os inimigos da classe trabalhadora não é o PT e sim o PSDB, DEM, os ruralistas, pecuaristas, latifundiários, banqueiros, etc. Sugestão: enquanto vcs. não se organizam, nem vão para o poder, que tal se preocuparem em bater, politicamente, nos representantes da burguesia"?
Eloísa Helena
"Por mim esta CPI não sai. Frase histórica do caudilho Leonel de Moura Brizola dita no processo histórico da instalação da CPI que viria a cassar o mandato do então presidente e pai dos CIAC,s, sugeridos por Brizola e todo o seu PDT.
O mais interessante é que passados quase vinte anos esta frase ainda soa na minha cabeça como uma traição num momento histórico tão importante".
Demaclubdosoul
Preferia que o PT fosse coerente

Pelo respeito que devo a todos os que me escrevem, permito-me dizer:
Preferia que Lula e o PT fizessem um governo progressista, focado nas suas antigas bandeiras. Governo que encarasse com coragem a necessidade de uma reforma agrária que fixasse milhões de sem terras no campo, defendesse a soberania nacional, assumisse a educação pública a partir das primeiras letras, como propôs Cristóvam Buarque, adotasse como estratégia o programa médico da família, questionasse as privatizações-doações, preservasse e avançasse nas conquistas sociais dos trabalhadores, optasse, como meio de enfrentar a pobreza, a abertura de alternativas de sobrevivência digna, pela existência de opções de trabalho, e desse combate exemplar à corrupção e ao tráfico de influência.
Preferia que o PT tivesse sido coerente: não pelo Lula, cuja verdadeira biografia ainda será conhecida um dia, quando seu enorme poder de mistificação e coação evaporar-se no tempo e no espaço. Mas pelos milhões de brasileiros que jogaram todas as suas esperanças no governo encabeçado por um ex-operário, ex-pau-de-arara, numa ruptura com toda uma tradição de governantes saídos das elites.
O Partido dos Trabalhadores, por seu histórico e pela votação recebida por Lula, teria condições de empreender uma mudança de grande alcance social, fortalecendo ao mesmo tempo os valores da nacionalidade, tal o potencial do Brasil, muitas vezes maior do que de outros países que registram avanços mais ostensivos.
Não pensava no papel carbono
Não podia imaginar que o governo Lula fosse exatamente igual ao do PSDB, com outro figurino e outros personagens. Desde aquele dia 12 de novembro de 2002, quando Lula foi recebido por Bush ainda como presidente eleito, começou a dar sinais de que iria trabalhar sob a tutela dos donos do mundo, opção que se tornou explícita com a manutenção da  política econômica e até dos seus executores, que passaram a seguir a bússola do Sr. Henrique Meireles, ex-presidente mundial do Banco de Boston, que fora eleito deputado federal em campanha milionária no Estado de Goiás, justamente pelo PSDB.
A primeira preocupação de Lula, já presidente, foi patrocinar a segunda "reforma da Previdência" (a primeira foi de FHC), com a amputação de direitos e a minimização da aposentadoria para jogar os trabalhadores, principalmente os servidores públicos, nas malhas da previdência privada, tal como aconteceu com os planos de saúde. Com essa reforma, introduziu um patético estupro do direito: o servidor aposentado continua pagando para a Previdência, mesmo fora da ativa.
No decurso do seu governo, Lula foi se distanciando ostensivamente dos antigos discursos em função dos quais seu partido chegou ao governo da República. E foi assumindo claramente os velhos truques e os viciados expedientes dos governantes que combatia de unhas e dentes. As elites financeiras e o agronegócio nunca foram tão paparicados e protegidos.
O patrocínio do ócio remunerado
O receituário adotado como forma de socorrer os enormes bolsões de miséria repetiu as fórmulas assistencialistas mais perniciosas, que vêm desde o "Programa do Leite", ainda na época de Sarney, passando pelas "ajudas" diversificadas no governo FHC, até chegar ao "Bolsa Família", um verdadeiro crime contra seus "beneficiários", cujo escopo essencial é criar um "exército de ociosos dependentes do poder público" convertido em massa de manobra de multiuso.
O governo que tem no PT sua espinha dorsal absorveu as teorias do poder predominantes desde que a República é República. O PT passou a ser apenas a ponta do iceBerg de um pacto político conservador e continuísta, operando sempre na direção da adequação do país ao sistema internacional, com o sacrifício dos direitos dos trabalhadores, cujas lideranças foram subornadas pela cooptação, e dos interesses nacionais.
Dentro desse acordo, não causa espécie que os principais Estados venham sendo governados por partidos de "centro" (PSDB e PMDB), o mesmo acontecendo com as capitais mais importantes.
A preservação desse quadro já está sendo sinalizada com todas as letras, com a decisão de principalizar a candidatura de Dilma Rousseff a qualquer preço. Até mesmo na Bahia, onde o PT tem o governador, admite-se uma composição caudatária com o PMDB.
A desfiguração das práticas partidárias
O processo de escolha da sucessora de Lula afrontou a história de um partido que realizava discussões em várias instâncias antes de bater o martelo. A escolhida não é a candidata mais indicada para o PT, sob todos os aspectos, até pela total falta de experiência como candidata. E ainda poderá levar a uma acachapante derrota, no primeiro turno, em benefício do PSDB, como se ela tivesse sido imposta ao partido para facilitar o lado dos aliados históricos na social-democracia e no neoliberalismo.
Confinado,  o PT jamais cogitou de discutir nomes como o senador Paulo Paim, um dos mais coerentes parlamentares da legenda, ou do senador Eduardo Suplicy, detentor de enorme bagagem e um grande crédito político: foi eleito e reeleito para o cargo em pleitos em que só havia uma vaga ao Senado, justamente no maior Estado do país.
Pelo conhecimento que tenho da história e pela própria vivência, ouso afirmar que causa mais danos ao povo brasileiro aquele que saiu de suas entranhas e pratica as piores políticas com o carisma de sua história, do que os neoliberais de carteirinhas.
Ambos servem aos mesmos propósitos coloniais, mas o partido "dos trabalhadores" e o ex-operário beneficiam-se com as vantagens da identificação com o grosso da população, dominada pela expectativa inercial emanada do presidente "igual".
O presidente Lula não se conformou em seguir as pegadas de FHC na política econômica e no assistencialismo compensatório. Decidiu bancar as práticas desonestas e nocivas no exercício do poder, aliando-se a conhecidos delinquentes, aos quais tem emprestado o suporte de sua popularidade.
O mal de acolitar corruptos
Na hora em que passa a mão nas cabeças de corruptos pilhados em flagrante, Lula fragiliza o mandato popular e desmoraliza a própria democracia, causando uma enorme frustração nos segmentos informados da sociedade e transformando maus hábitos em fatos consumados para o conjunto do povo, que é estimulado a abrir mão dos valores morais e éticos, em nome de uma governabilidade parida no escuro das piores transas.
Dentro desse contexto, que poderei voltar a dissecar, parece mais salutar e mais consequente priorizar, para efeito de combate, aqueles que acabam prestando mais serviços ao sistema internacional e às classes dominantes justamente pela imagem pretérita e pela fantasia diabólica atribuída a seus adversários.
Esse combate a violências morais tão inimagináveis como o apoio a Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor deveria ser travado dentro do próprio partido que tanto se jactou do apego à ética e aos bons costumes.
Fechar os olhos ou procurar justificativas grotescas para tais desvios de conduta é contribuir para um enorme desserviço ao Brasil, ao seu povo e, em particular, a todo o chamado campo progressista, hoje afogado no mesmo mar de lama em que chafurdam larápios irrecuperáveis.
Pense nisso, antes sacar de sua arma.
coluna@pedroporfirio.com
 
Vale a pena ver.
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Escuta Essa! - Lula, a pizza, o "porquito" e o compadrio ver

postado por Pedro Porfírio. às 14:40

A amputação dos direitos direitos trabalhistas está a caminho. Só Lupi não viu.

26 de junho de 2009
A amputação dos direitos trabalhistas está a caminho. Só Lupi não viu

De como Lula e sua máquina "biafraram" o PDT e similares(VII)


"Uma das formas de reduzir a informalidade no trabalho é o estímulo à contratação formal dos trabalhadores por meio da desoneração RADICAL da folha de salários".
Ministro Roberto Mangabeira Unger, autor da "Reforma Trabalhista" por encomenda de Lula,  em palestra no TST, dia 16 de setembro de 2009.

Homem de Daniel Dantas, de quem recebia polpuda remuneração como procurador nos EUA dos seus interesses, o enigmático mangabeira Unger elaborou a proposta de  desoneração da folha de pagamento sem ouvir um só palpite do ministro do Trabalho.

No final da tarde da quarta-feira, 8 de abril de 2009, o tempo úmido e as nuvens carregadas deixavam os líderes da meia dúzia de centrais sindicais acabrunhados, mas dispostos a espernear perante o presidente da República, que os recebeu com a irreverência de sempre na hora da Ave Maria.
Contritos, os quase sempre arrogantes senhores do sistema sindical estavam em Palácio para deixar o dito pelo não dito. Metidos a ladinos, não contavam a astúcia do enigmático professor Roberto Mangabeira Unger, hoje o bamba da corte, que obteve deles, à revelia do Ministério do Trabalho, os subsídios e os sentimentos auscultados para seu projeto de reforma trabalhista, que desonera a folha de pagamento, livrando os empresários até da contribuição patronal ao INSS vinculada aos salários.
A pequena romaria, dessa vez, tinha no séquito o ministro Carlos Roberto Lupi, o último a saber daquilo que o gênio americanizado chamou de "desoneração radical" e de "reconstrução das relações trabalho/capital".
"Reforma trabalhista" de costas para o Ministério do Trabalho
Na verdade, desde que virou a casaca sem trocar a gravata clara, o professor vitalício da Universidade de Harvard, que teve Obama como aluno, passou a ter mais poderes do que qualquer outro ministro, quanto mais o do PDT, tratado a trancos e pescoções verbais pelo príncipe operário.
Dourar a pílula na amputação dos direitos trabalhistas não foi difícil para ele, tão competente que prestou serviços muito bem remunerados ao banqueiro Daniel Dantas, na condição de "trustee" (procurador, numa tradução aproximada)da Brasil Telecon entre 2006 e 2007, ano em que foi feito ministro de Assuntos Estratégicos e já chegou derrubando a senadora Marina Silva da pasta do Meio Ambiente, que chefiava desde o primeiro governo Lula.
Quando ainda no segundo semestre de em 2007 Mangabeira Unger recebeu a incumbência de elaborar um projeto palatável de revisão drástica da CLT o ministro Carlos Roberto Lupi foi informado, com a indicação de que ficasse fora das tratativas e manifestasse total apoio ao que se concluísse, como aconteceu no primeiro de maio de 2008, dois dia depois de conhecer o seu texto, publicado na íntegra pelo jornal
VALOR ECONÔMICO, sob o título
"Diretrizes a respeito da reconstrução das relações entre o trabalho e o capital no Brasil".
"A questão da desoneração é muito positiva porque, em tese, ela traz automaticamente a geração de emprego" - declarou Carlos Lupi na festa da Força Sindical, mas cuidou de acrescentar uma ressalva que não agradou à corte: "mas tem de estar muito amarrada, senão você faz a desoneração fiscal e ninguém quer gerar emprego".
Sabendo que uma das idéias cristalizadas na proposta era substituir a contribuição patronal ao INSS calculada pelo salário por um imposto estimado sobre o faturamento, Lupi, que em nenhum momento questionou seu alijamento das discussões, ainda quis deixar uma ponderação, que se perdeu nas ondas da mídia: "há uma preocupação porque a Previdência já tem muitos problemas. Nós não podemos agravar a situação da Previdência".
Revisão radical da CLT, o último suspiro do PDT
Sua declaração se deu quando a imprensa insistia que ele teria favorecido o PDT e a Força Sindical no repasse de verbas do FAT, fato que ele desmentiu com números, ao demonstrar que as prefeituras mais beneficiadas eram ironicamente do PSDB.
Qualquer um sabe que há relação entre os acontecimentos. Naquele momento da declaração, Lupi estava acuado, mas uma vez.
Para o PDT será o último suspiro oferecer sua chancela a qualquer mudança que desfigure a CLT, cujo teor abrangente já tem respostas para as variáveis alegadas pelos que querem reduzi-la à peça de museu.
Mas as centrais sindicais deram corda ao projeto do ministro Mangabeira Unger e só refizeram o discurso pela mudança radical também na estrutura sindical, com a qual a negociação principiaria na empresa, através da figura "agente sindical", que representaria todos os segmentos no mesmo local de trabalho.
No dia 3 de julho de 2008, o presidente da República recebeu em Palácio os ministros Mangabeira Unger, Luiz Dulci (Secretário Geral da Presidência) e Luiz Marinho (Previdência) juntamente com os cabeças da meia dúzia de centrais sindicais.
Lula empolgado com a "reforma trabalhista".
No dia seguinte, a imprensa noticiou: depois de uma reunião que durou quase três horas, na noite de quinta-feira, com a participação dos dirigentes de seis centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, bateram o martelo numa agenda mínima para promover "mudanças radicais" nas relações entre capital e trabalho no Brasil.
O jornal Valor Econômico observou: a partir do diagnóstico de que o regime trabalhista criado nos anos 40 do século passado por Getúlio Vargas, embora tenha trazido avanços à sua época, tornou-se obsoleto ao deixar a maioria dos trabalhadores fora de sua proteção, Mangabeira e sua equipe vêm debatendo o tema há oito meses com as centrais, sindicatos patronais e grandes empresários. O objetivo é encontrar pontos de convergência e, a partir daí, formular propostas e enviá-las ao Congresso até o fim deste ano.
O ministro, que é professor licenciado da Universidade de Harvard, diz que a economia brasileira corre o risco de ficar presa entre economias de trabalho barato e aqueles de tecnologia e produtividade elevadas. O risco é agravado pelo fato de economias de trabalho barato, como a China, estarem se transformando, em alguns setores, em economias de alta produtividade. O interesse do país, sustenta Mangabeira, é valorizar o trabalho e o aumento da produtividade.
"O regime trabalhista, criado por Vargas e instituído pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é um obstáculo a esses dois objetivos".
No final da matéria, o jornal destacou que "na reunião de quinta-feira passada, o mais empolgado com os avanços contidos nas propostas era o presidente Lula".
Culpando a CLT pelo trabalho informal, o velho truque para justificar a amputação dos direitos
Dia 16 de setembro de 2008, Mangabeira apresentou suas propostas aos ministros do Tribunal Superior do Trabalho. E, para justificar a redução drástica das obrigações trabalhistas, disse que a maioria dos trabalhadores vive na informalidade devido às exigências de garantias impostas às empresas pela CLT.
Entre outras conquistas sociais que, em nome do governo, Mangabeira Unger considera anacrônicas está o salário mínimo: "não bastam políticas que procuram influenciar o salário nominal, como sobretudo a política do salário mínimo. Tais políticas têm eficácia restrita. São facilmente anuladas por inflação quando não barradas por política monetária comprometida em manter a estabilidade da moeda".
Por desoneração da folha de pagamento, ele entende o fim do salário-educação, a reformulação nas fontes de recursos para o "Sistema S", e, principalmente, a mudança nos cálculos da contribuição para a Previdência Pública.
Embora admitindo que a proposta de um imposto declaratório é suscetível de evasão fraudulenta, o documento do ministro assinala que tende a prevalecer em sua reforma a idéia de substituir a folha se salários pelo faturamento como base para cobrar a parte patronal da contribuição previdenciária.
(Isso acontece já na área rural, registrando uma arrecadação mínima, apesar da pujança do agro-negócio).
Mais uma vez, como vimos, o ministro do PDT caiu na roda e até o momento tem demonstrado que seguiu aquele conselho da ex-ministra Marta Suplicy: relaxou e gozou, porque vale mais um cargo na mão, do que o confronto com os podres poderes.

coluna@pedroporfirio.com

postado por Pedro Porfírio. às 15:55

Lupi foi apenas uma isca na guerra pelo controle da Previdência.

16 de junho de 2009

Lupi foi apenas uma isca na guerra pelo controle da Previdência

De como Lula e sua máquina "biafraram" o PDT e similares(IV)


"O Brasil está na mira dos fundos de pensão norte-americanos, que têm uma capacidade de investimento de US$ 5 trilhões em mercados emergentes.O diretor da AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho), Stanley Gacek, se reuniu hoje com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para discutir os critérios utilizados pelos fundos norte-americanos para investir em outros países. A AFL-CIO é a principal central sindical norte-americana, e Gacek é amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
FOLHA DE SÃO PAULO, extraída da minha coluna na TRIBUNA DA IMPRENSA de 5 de setembro de 2003 (
republicada agora no blog).

Luiz Gushiken, um arquivo vivo dos acordos secretos de Lula na área, ainda é quem dá as cartas na Previdência
 
A impressão que tive nesse episódio narrado ontem é que Carlos Lupi bateu no banheiro masculino e alguém gritou, lá de dentro:
- Tem gente!
Apertado, entrou na porta ao lado. Era o banheiro destinado a deficientes.
Trocando em miúdos: Informado desde o início de março que seria o ministro da Previdência, o presidente do PDT se preparou para enfrentar um dos maiores desafios - provar que a previdência pública é viável, ao contrário do que propagam os abutres comandados por Luiz Gushiken, o ex-libelu e ex-sindicalista que virou consultor previdenciário de mão cheia.
Teria a seu lado, além de Manoel Dias, advogado brilhante e profundo conhecedor da matéria, uma plêiade de auditores fiscais altamente preparados e dispostos a demonstrar que o modelo previdenciário brasileiro, baseado na solidariedade entre gerações, ainda é o mais indicado para o nosso país.
De sobra, teria também a seu dispor os verdadeiros números da Previdência, que só é deficitária nas contas marotas dos prepostos do sistema financeiro. Seria uma Previdência capaz de intervir para evitar tragédias, como a que massacrou os aposentados do Aerus (Varig e Transbrasil) e maquinações, como as que forçaram os beneficiários dos grandes fundos , como o Petros, a mudarem suas regras no meio do jogo.
Medo de um novo Brito e....
Mas a turma do PT não dorme em serviço. Lembrou que foi numa gestão corajosa à frente desse Ministério que o então deputado gaúcho Antônio Britto "bombou" politicamente e se tornou o melhor nome do PMDB para suceder Itamar Franco, de quem era ministro, nas eleições de 1994, possibilidade que recusou para disputar e ganhar o governo do Rio Grande do Sul.
O mesmo grupo também não admitia que o ministério lhe escapasse às mãos grandes como aconteceu na primeira "reforma ministerial do governo Lula", em 2004, quando Ricardo Berzoini foi deslocado para o Ministério do Trabalho para dar lugar ao senador peemedebista Amir Lando que, por sua vez, passou a cadeira ao colega Romero Jucá. Estes dois prejudicaram em parte o esquema petista, mas criaram os seus, levando Lula a pôr no lugar o "técnico" Nelson Machado numa longa interinidade, de 21 de junho de 2005 até 29 de março de 2007.
Apesar do decantado déficit, a Previdência é disputada por dentro e por fora. De 1985 a 2007, teve nada menos de 17 ministros, cada um com seu cada um.
Balão de ensaio
A cogitação do nome de Lupi para aquela pasta pareceu, aos mais vividos, um tremendo balão de ensaio, uma jogada com segundas intenções em que ele foi exposto como calouro de calças curtas no mundo enigmático dos podres poderes.
Nesse jogo sujo, é muito provável que Lula e sua entourage viessem tentando recompor os elos originais, estabelecidos em 2003, com o esquema internacional comandado por seu influente amigo ( e monitor) Stanley Gacek.
O ambiente de 2007 era semelhante ao de 2003, com a vantagem do replay eleitoral e a desvantagem da contagem regressiva de 4 anos.
A relação com os interesses representados por Stan, como Lula tratava o diretor de relações internacionais da Central Sindical AFL-CIO, havia sido confiada a Gushiken, com a ajuda de do advogado e ex-deputado federal Luis Eduardo Greenhalgh.
A saída de Ricardo Berzoini em 23 de janeiro de 2004 gerou uma zona cinza nesses laços, que se tornou mais escura com a derrota de Greenhalgh na disputa para a Presidência da Câmara, em fevereiro de 2005.
A força de Gushiken e Stan
Em junho desse ano, para restaurar em sua plenitude os vínculos com os grupos financeiros intermediados por Stan, visando a uma maior participação de fundos estrangeiros no Brasil, Lula devolveu a hegemonia total da política previdenciária ao grupo de Gushiken, que, por sua vez, alvejado no escândalo do "Mensalão", perdeu o status de ministro e foi para a sombra do chamado Núcleo de Assuntos Estratégicos, de onde continuou mexendo seus pauzinhos em que se especializara através da sua empresa Gushiken & Associados, criada em 1998 e rebatizada em 2002 como Global Prev. Essa empresa foi apontada em 2003 como a verdadeira autora da reforma da Previdência de Lula pelo consultor legislativo Magno Mello, em seu livro "A Face Oculta da Reforma Judiciária". No período em que o "chino" dava as cartas, aumentou seu faturamento em 600%, tendo com principais clientes os fundos de pensão.
Embora Gushiken tenha maior interesse na área dos fundos de pensão, que ainda controla, conforme denúncia dos conselheiros do Petros eleitos em maio, derrotando a CUT, ele é bastante temido como um arquivo vivo dos acordos secretos envolvendo a campanha de Lula em 2002.
Rainha da Inglaterra e porta-voz do CAGED
Lupi entrou como bucha de canhão na guerra fria que se processa nos bastidores do petismo e associados. Ele não viu porque era um neófito na corte. Se viu, consentiu. E, a bem da verdade, até hoje se presta a essa condição, com suas características pessoais, seu modesto nível de exigência política no trato da fatia que lhe foi destinada e seu singelo deslumbramento, como demonstrarei mais adiante.
Contudo, ao engolir a mudança de pasta nos acréscimos da "reforma ministerial", Lupi abriu sua guarda por antecipação. Mostrou uma personalidade fraca e demonstrou de forma explícita que aceitava qualquer coisa, embora o Ministério do Trabalho, hoje convertido numa agência de programas sociais e informações estatísticas, tenha sido historicamente um espaço dos trabalhistas.
A rapidez com que aceitou seu deslocamento demonstrou que estaria disponível para exercer qualquer papel no jogo do poder, desde que pudesse desfrutar do prazer pessoal e das mordomias que um cargo de Ministro de Estado oferece.
Não foi difícil para Lula aplicar no seu dócil aliado as regras análogas às da Rainha da Inglaterra, que "reina, mas não governa". Traduzindo na fria realidade dos fatos, nesses 26 meses no Ministério, o mesmo em que Jango foi peça chave no tempo de Getúlio, o atual titular virou uma espécie de porta-voz do CAGED, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, criado pela Lei 4.923/65, sob inspiração do ministro Arnaldo Sussekind, que, apesar de nomeado pelo general Castelo Branco, foi um grande obstáculo aos projetos para o esvaziamento da CLT, de cuja comissão elaboradora participou,em 1942, quando tinha 24 anos de idade.
Todo mês, Lupi antecipa os números colhidos por esse sistema, que reflete situações geradas muito mais pela política econômica do governo do que pela atuação direta do Ministério do Trabalho.
Fora disso, tem sido escanteado rotineiramente por Lula, do qual já se habitou ouvir de cabeça baixa constrangedoras reprimendas públicas. Essa situação é tão vexatória que até a "Reforma Trabalhista" foi confiada no sapatinho a Mangabeira Unger, o tal ministro de Assuntos Estratégicos, que concluiu sua clamorosa proposta sem nunca ter ouvido um só palpite do ministro do Trabalho e Emprego.

postado por Pedro Porfírio. às 14:07

PT ao vivo e a cores: de como se constrói a hegemonia as avessas.

01 de junho de 2009
PT ao vivo e a cores: de como se constrói a hegemonia às avessas

coluna@pedroporfirio.com




Juntar-se a Lula é um bom negócio. Mas é também, apenas, um bom negócio. co"Lula está à direita de Fernando Henrique Cardoso ao não recompor as estruturas do Estado e não avançar na ampliação de direitos. O presidente tenta se legitimar promovendo consensos que passam pela cooptação dos mais pobres. O Bolsa Família não é um direito, mas uma dádiva. Neste sentido, vivemos na gestão dele uma regressão política, porque no governo Lula houve uma diminuição do grau de participação popular na esfera pública. E quando se projeta o cenário de 2010 percebe-se como Lula resulta regressivo. Com a força perdida pelo PT e a ausência de alternativas de Lula, uma vez que a doença de sua candidata mostra sinais de gravidade, aparece o terceiro mandato".
Chico Oliveira, sociólogo, 75 anos, fundador e desencantado com o PT, em entrevista ao jornal VALOR ECONÔMICO, de 27.5.2009.*

Nada como um programa de televisão para espelhar a essência de uma opção de governo. A Lei eleitoral oferece essa oportunidade aos cidadãos. A cada semestre, os partidos vão à tv para revelar um pouco de si.
Nesta quinta-feira, foi a vez do programa do Partido dos Trabalhadores, aquele que se fez de uma alquimia engendrada tendo como principal matéria prima a insatisfação de uma população desorganizada politicamente e de fácil manipulação, em especial, por símbolos sobrenaturais.
O PT foi o novo que se fez na ruptura da história. Não vou falar hoje das tratativas que pavimentaram sua caminhada, passo a passo, até levar à Presidência da República o "curitiano" que chegou ao sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo pelas mãos de Paulo Vidal Neto, o malabarista que, sendo de confiança da ditadura, tinha um bom trânsito no antigo Partido Comunista Brasileiro, onde militava José Francisco da Silva, o irmão de Lula que o indicou para suplente do conselho fiscal da chapa oficial "por não correr risco de perder o emprego", na Villares.
"Em toda minha vida, nunca gostei de ser rotulado de esquerda. E, na primeira vez que me perguntaram se eu era comunista, respondi: 'Sou torneiro mecânico'".
Isso é matéria para livro. Mas ao ver e rever o programa do PT identifiquei nele com uma clareza exuberante o que havia nas entrelinhas da sua trajetória matreira.
Quando se fixa em programas assistenciais compensatórios e obras de vitrine, o governo do PT cumpre ao pé da letra a sua tarefa protelatória, consentânea com o projeto pós-ditadura militar elaborado sob inspiração do banqueiro David Rockfeller e seus parceiros da super-ONG "Diálogo Interamericano".
O programa de televisão em nenhum momento tocou em temas represados, como a reforma agrária, o aviltamento salarial, a soberania nacional, especulação financeira, a precariedade da educação pública de base, a inexistência de uma política de saúde conseqüente e o agravamento da insegurança nas cidades.
Fala das privatizações de FHC, mas nada diz sobre a omissão do governo Lula, que se nega a auditá-las, apesar do gritante do seu caráter donativo. E omite igualmente a sagrada aliança com o agro-negócio, que já representou uma sequência de perdões e protelações de dívidas, cujos valores são muitas vezes superiores aos destinados aos assentamentos rurais, virtualmente abandonados à própria sorte, e aos pequenos agricultores.
Obras de vitrine para seduzir a massa excluída com a notícia de que seua vez chegará um dia
Nos seus carros-chefes, o vício da ocultação da verdade. Esse mirabolante programa de construção de um milhão de casas, com suas planilhas incontroláveis, foi concebido para tirar do sufoco a indústria da construção civil, às voltas com a drástica queda da demanda em seus projetos direcionados à classe média, e não para compensar salários que não permitem moradias decentes.
Se vai ou não vai resultar em benefício social, tenho minhas dúvidas. Com dinheiro saindo pelo ladrão, o PAC conseguiu construir até agora menos de 50 apartamentos no Complexo do Alemão, feito considerado tão significativo que levou o próprio presidente da República ao evento de inauguração, nesta sexta-feira.
A realização de obras em três grandes favelas do Rio de Janeiro é um oneroso mostruário que está longe de encarar a crônica sub-habitação, filha de rendas insuficientes. Ao um custo de 1 bilhão de reais - maior do que orçamentos anuais de muitas prefeituras, como Natal (R$ 840 milhões) e Niterói (R$ 859 milhões) - sua concepção reflete uma inescrupulosa intenção: seduzir milhões de miseráveis descartados com a notícia de que, pelo menos no Alemão, em Manguinhos e na Rocinha alguma coisa já se fez, principalmente de natureza cosmética.
No âmbito da educação, o programa do PT usou o "Prouni" como seu maior emblema. Sob o mesmo impulso do projeto de moradias, esse "achado" não é mais do que um jeito brasileiro de socorrer os mercados de ensino privados, que registraram capacidade ociosa superior a 50%. Em troca das bolsas, cujos critérios sociais têm sido fartamente ludibriados, o governo abre mão de tributos, que deixam de ser recolhidos e faltam ostensivamente nas escolas públicas.
Nessa progressão, todo piso salarial será igual ao mínimo. Essa é uma forma perversa de nivelar por baixo
O depoimento do presidente da CUT revela o alcance da domesticação do movimento sindical. Ele se gabou dos aumentos do salário mínimo, acima dos concedidos à grande massa de trabalhadores, e da revisão, ano passado, da tabela do imposto de renda.
Essa política, integrada com o "bolsa-família", cumpre um irresponsável desserviço à atividade laboral. Corrige em parte a defasagem histórica de 44 milhões de brasileiros. Correção, aliás, ainda muito distante do necessário, conforme cálculos da Gazeta Mercantil, segundo os quais para cobrir todas as despesas, o mínimo hoje deveria ser de R$ 2.141,08.
Mas nivela os salários por baixo, na medida em que os mesmos critérios de reajustes não se aplicam a quem ganham acima do mínimo. Essa tendência demonstra a significativa contração da massa salarial no país: levantamento do Dieese demonstrou que a proporção de categorias de trabalhadores com pisos salariais bem próximos do salário mínimo cresceu entre 2007 e 2008. No ano passado, o percentual de atividades com remuneração básica equivalente a um salário mínimo alcançou 5,7% - ante 3,4% em 2007. O mais grave é que a pesquisa comprovou que o valor médio do piso salarial recuou entre 2005 e 2008 de 1,73 salário mínimo para 1,34. A perda de massa salarial, não é, portanto, fenômeno exclusivo dessa recente crise econômica.
Ao adotar critérios diferentes nas correções salariais, o governo do PT expõe o seu caráter oportunista, mas não esconde a traição à massa que o endossou. Adota um critério político de viés eleitoral, pelo qual garante um volumoso capital votante, cimento de uma maioria maliciosamente amestrada. E cristaliza o projeto de governo "consensual", ao gosto das elites multinacionais e oligopolistas.
Esse PT que se mostrou pelas telas de TV e pelas ondas do rádio na passada quinta-feira é a grande panacéia que leva ao delírio o sistema internacional e faz do seu simpático condottiere um indiscreto fã do nosso operário bem sucedido.
Juntar-se a ele é um bom negócio. Mas é também, apenas, um bom negócio.
coluna@pedroporfirio.com
*Para este ano, Chico de Oliveira prepara um livro que irá retratar a construção de uma HEGEMONIA ÀS AVESSAS. Ou seja: como um líder popular carismático trabalharia no sentido contrário aos
postado por Pedro Porfírio. às 12:09

A caminho do terceiro mandato.

18 de maio de 2009
A caminho do terceiro mandato, porque ele é o Cara

Veja também o comentário em vídeo sobre a perseguição ao juiz Fausto De Sanctis


 

Para ele, três não é demais

 
"O grande líder da esquerda brasileira costuma se esquecer, por exemplo, de que esteve recebendo lições de sindicalismo da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, ali por 1972, 1973, como vim a saber lá, um dia. Na universidade americana, até hoje, todos se lembram de um certo Lula com enorme carinho".
Mário Garnero - "Jogo Sujo", página 130.

Quando Leonel Brizola morreu, naquela tarde fria de junho de 2004, o príncipe operário teve uma certa sensação de alívio. O velho caudilho está no seu pé e podia ser uma a alternativa contra seus planos continuístas.
Hoje, na antevéspera da sucessão e na plenitude dos seus 64 anos, Luiz Inácio bem que pode se postar diante do espelho, com a madame ao lado, e perguntar:
- Dizei espelho meu, haverá alguém para presidente que não seja eu?
Treinando nas melhores escolas políticas do sistema internacional - inclusive na Johns Hopkings University - Lula não tem similares, nem genéricos. No sindicalismo e no seu alcunhado Partido dos Trabalhadores, costurou tudo conforme o figurino para não ter sombra. E não tem mesmo. É ele ou ele.
Gaiola de deslumbrados
Seu primeiro escalão é formado por uma gaiola de deslumbrados medíocres e desconhecidos, que ou não têm voto, ou não têm preparo, ou não têm caráter,ou não têm as três coisas somadas.
Seus parlamentares são tão fracos que são os arrivistas do PMDB - e até o demonizado senador Fernando Collor - quem livra a sua cara naquele valhacouto desmoralizado que o vulgo denomina Congresso.
Bucha de canhão
Não foi difícil jogar a dona Dilma Vana Rousseff Linhares como balão de ensaio. Nela, como em outros de sua casta, do tipo Carlos Minc Baumfeld, o venezuelano Teodoro Petkoff e o peruano Hugo Blanco, falou mais alto o sangue azul.
O estigma de sua ficha juvenil e sua antipatia atávica estão na fórmula de uma alquimia manipulada. A ministra tem até a simpatia do sistema, conquistada desde quando assimilou os tais leilões de nossas jazidas petrolíferas, cristalizados pela intocável Lei 9478/97, com a qual FHC liquidou com os parâmetros de soberania sobre o subsolo, garantida até então pela revogada Lei 2004/53, um dos ingredientes que levaram à nossa pujança energética e ao suicídio do presidente Getúlio Vargas.
Brizola para atrás
Para as pessoas de memória ela também padece da síndrome da traição. Saiu do anonimato pelas mãos de Brizola e Alceu Collares, quando ainda era casada com Carlos Araújo, parceiro na "luta armada" e ex-deputado estadual pelo PDT.
Quando o caudilho cansou das rasteiras do Olívio Durtra e saiu fora do seu governo, no Rio Grande do Sul, ela não quis largar a Secretaria de Minas e Energia, da qual era titular, como foi também no governo de Collares.
E entrou no bloco dos traidores de Brizola, juntamente com o próprio filho do homem, o trêfego José Vicente Brizola, o velho trabalhista Sereno Chaise, a bela ex-senadora Emília Fernandes e Milton Zuanazzi, amigão e ex-protegido da ministra.
Dilma é, portanto, uma bucha de pelúcia. Enquanto o país inteiro oferece sua ternura na luta contra o câncer linfático, o mesmo que matou o ex-ministro Dilson Funaro, as peças do "terceiro mandato" vão sendo meticulosamente montadas com a ajuda de caras de pau do tipo Fernando Collor de Mello.
Sem adversários
A seu favor conta ainda o desgaste dos cabeças oposicionistas, que não têm mais gás nem para decolar e, como a raposada do PMDB e a rapaziada da esquerda nanica, vão tentar manter ou ganhar as boas prebendas nos governos estaduais e nisso que chamam de Poder Legislativo.
Ou você acha que José Serra teria alguma chance de derrotar o príncipe operário, caso ele arranque uma emenda "salvadora", sem plebiscito (como o Chávez) e, naturalmente, segundo os mesmos métodos do FHC, quando arrancou sua reeleição na euforia do "Plano Real".
A tropa de choque
Para ganhar os três quintos do Congresso na hora em que botar as manguinhas de fora, Lula disporá  da fina flor do Congresso como tropa de choque prá lá de escolada: José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Michel Temer, Henrique Alves, sem esquecer a bancada ruralista, o quindim do agronegócio com tratamento vip do palácio; a evangélica, os nanicos da esquerda e o populoso "baixo clero".
Provavelmente, não terá dificuldade com a grande mídia, que anda mal das pernas, mas se tiver não haverá problema: a massa do bolsa-família, os abnegados pelegos sindicais e os "aparelhos estudantis" ajudarão. Quem não tiver gente para pôr na rua, falará pela mídia ou poderá dedicar-se ao obsequioso silêncio dos cínicos de barriga cheia.
Simpatia é quase amor
O mais importante, o príncipe operário já conquistou: Barack Obama, o presidente da irmã-tutora, já deu a senha: "Lula é o cara, o político mais popular do mundo". Por lá, eles sabem que ninguém faz melhor o meio de campo nesse prado "ameaçado" pela praga do Chávez, Evo Morales, Rafael Caldera e Daniel Ortega.
Para os patrões do mundo, se Lula desse a terceira, estaria facilitando o lado do aliado de todas as horas, Álvaro Uribe Velez, que já está mexendo seus pauzinhos na Colômbia.
A lógica do direito
Dito isso, devo lhe confessar que sou inteiramente a favor do fim das restrições à reeleição. Não nas bases em que montaram no Brasil, com o chefe do Executivo disputando no cargo, tendo a seu dispor máquina azeitada e visibilidade privilegiada.
Mas, por mais que o estômago grite, não vejo essa questão em função do deserto de homens e idéias reinante, graças ao qual quem tem um olho é rei. Vejo pela lógica do direito: ou não tem reeleição, ou não tem limite.
O fantasma Roosevelt
Lá, nos Estados Unidos, cuja democracia é matriz para o mundo ocidental e cristão, tal como escreveu, em 1835, o visconde Alexis de Tocqueville, a limitação a uma única reeleição só aconteceu depois que Franklin Roosevelt foi eleito quatro vezes e não ficou mais porque morreu no cargo.
Na França, cujo presidente já tem um mandato de 7 anos, também não há limites. Na Inglaterra, como nos regimes parlamentares, o premier pode ficar por tempo indeterminado.
Como você vê, embora considere esse modelo brasileiro de reeleição um grande eufemismo comprometido ainda mais por essas urnas "secretas" e inauditáveis, não acho que o chefe do Poder Executivo seja diferente do chefe do Poder Judiciário e dos eleitos para o Congresso.
Ou  todos ou  ninguém
Do ponto de vista da lógica do direito, repito, não podemos aceeitar três pesos e três medidas: ou ninguém pode ser reeleito (nem os deputados, como no Senado do México, onde um parlamentar não pode ser reeleito no período seguinte), ou os ministros e desembargadores do Poder Judiciário ganham limites em seus seus mandatos eternos( Em 41 Estados norte-americanos e em países como a Suiça os juizes são eleitos por um determinado período), ou então libere-se desses limites o presidente, governadores e prefeitos.
O direito à reeleição, em condições decentes não representa necessariamente a reeleição automática. Até pelo que vige hoje tem havido surpresas. O melhor governador do Ceará nos últimos anos, Lúcio Alcântara, levou uma pernada do Tasso Jereissati, oligarca moderno, e não foi além do primeiro mandato, perdendo para alguém que era apenas o irmão do mais famoso da família Gomes.
Bem, vou ficando por aqui. A essa altura, vou terminar esse escrito almaldiçoado por gregos e troianos. Mas esta é minah sina, pela coerência jurássica, da qual não abro mão, nem que macacos me mordam.

( Clique aqui e saiba mais sobre as peripécias de Lula como "líder" treinado pelo sistema)

postado por Pedro Porfírio. às 09:52

Já temos gripe, mas entre mortos e feridos salvaram-se todos.

09 de maio de 2009
Já temos a gripe, mas entre mortos e feridos salvaram-se todos

MINHA COLUNA DE 9 DE MAIO DE 2009




Temporão abre o jogo: governo tem estoque de Tamiflu, o tal, para atender a 9 milhões de pessoas.
O governo brasileiro está em estado de êxtase. Apareceram os primeiros cinco portadores da gripe suína, todos fora de perigo, graças à "eficiência recordista" do nosso sistema oficial de saúde. O mais famoso é um jovem carioca, com febre baixa, que, meio a contragosto, viu pintar o seu minuto de celebridade.
O rapaz não estava nem aí, depois de chegar de Cancun, na manhã de sábado. Tanto que à noite caiu na gandaia com a sua turma, numa boate da Zona Norte.
No domingo estava a mil, como bom torcedor, vendo com os amigos a eletrizante vitória com que o Flamengo ganhou a taça do estadual carioca.
Na segunda, já havia um tititi sobre os visitantes do México e de alguns Estados norte-americanos. Ele não era o único. No seu grupo, reunido pelo Iate Clube Jardim Guanabara, outros 99 foram participar da Copa do Caribe no badalado balneário mexicano. Segundo o comodoro do clube, José Moraes, os brasileiros nesse evento somaram 800, de várias cidades brasileiras.
Mas a síndrome do japonês, que se sentiu culpado pela bomba atômica por ter dado descarga na hora que o oficial norte-americano disparou o petardo, desceu sobre o rapaz. Ele não queria ser responsabilizado pelo rastilho da pólvora suína. E, ao primeiro espirro, foi tratar de pôr os pingos nos is.
A paranóia pós-Cancun
Primeiro bateu às portas de uma clínica particular. Mas, você sabe, plano de saúde tem horror de internação. Por mais que ele insistisse, o termômetro ofereceu o álibi: sua febre estava na casa dos 37 graus. E aí, paciência, o catálogo da gripe badalada partia de 38. Para os médicos privados, sua gripe não passava nem perto da H1N1.
Com o noticiário alarmista da "iminente" pandemia azucrinando meio mundo, ele não conseguia dormir. E não era para menos: numa escola do Rio, os pais fizeram abaixo-assinado, exigindo a suspensão de uma menina que andou por aquelas bandas recentemente, embora ela não estivesse nem espirrando.
Diante de tanta pressão psicológica, o jovem carioca decidiu voltar à carga. Alegando sentir-se culpado por relacionar-se depois de ter ido a Cancun, foi outra vez em busca do ser o não ser uma ameaça à comunidade. Dessa vez, recorreu ao Hospital Universitário do Fundão e apelou: pelo amor de Deus, esclareçam isso de uma vez que eu já não suporto tanta cobrança.
Com ele, estavam dois amigos, que também ficaram internados, monitorados naquele clima de programa de proteção às testemunhas. Coube ao viajante a primazia do primeiro diagnóstico, no qual se constatou o virus H1N1, embora a sua febre não tenha nem beirado os 38 graus.
Com todos os holofotes na porta do hospital da UFRJ, que até há pouco não ia bem das pernas, os médicos trataram de baixar a bola. A infectologista Regina Moreira, que o atendeu, declarou com todas as letras ao RJTV:
- O paciente passou a noite muito bem. Ele não está com febre e está melhorando dos sintomas. Na verdade, ele nem teria indicação de ser internado pelo que ele está enfrentando. Ele vai continuar internado para evitar o contágio por outras pessoas.
Já o pai do rapaz foi ainda mais claro, em entrevista ao jornal EXTRA:
- Está tudo bem. Ele não corre risco nenhum, está sem febre. Ele falou comigo que não teve nenhum problema. A febre dele só chegou a 37, não chegou nem a 38. Ele só está tossindo de vez em quando, só uma febrezinha - disse.


Quer Tamiflu, tome!
Em São Paulo, os dois paulistas infectados foram mais radicais. Recusaram a internação, assinaram um termo de responsabilidade e se mandaram. Depois, o doutor Luiz Inácio, que estava acompanhado do bispo garanhão, quer dizer, do presidente do Paraguai, informou que eles e o de Minas "já estão curados".
É isso mesmo. O tratamento no Brasil funciona como carga rápida de bateria. A cura é sumária. Tanto que a menina que veio da Flórida e foi internada dia 4 em Florianópolis já recebeu alta e está com suas bonecas e o carinho dos país.
Carinho dos pais? Engraçado, como no México, a gripe pode ser suína, mas não tem espírito de porco. Tanto que poupa os familiares. O carioca que teria contaminado aqui agiu como amigo da onça, já que sua mãe e o pessoal de casa, como disse o pai, vão bem, obrigado. Não precisaram nem ser examinados: nestes tempos em que o celular é o presente preferido de cada 9 entre 10 estrelas do lar, os familiares estão sendo monitorados por telefone.
Como eu já havia dito antes, arriscando 48 anos de reputação profissional, essa gripe é uma grande farsa para desencalhar o Tamiflu (Leia-se tamosfu, royalties para o meu amigo, professor Jileno). Foi o que confirmou com a discrição proposital o simpático ministro José Gomes Temporão, numa linha perdida da página 24 do GLOBO desta sexta-feira:
- O país tem estoque de Tamiflu, o medicamento indicado pela OMS, para atender a 9 milhões de pessoas.
Não precisa ser médico ou estatístico para imaginar o volume estocado, desde a importação determinada ao governo do sr. Luiz Inácio pelo então secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, presidente do laboratório Gilead Aciences Inc, que comprou a patente do Tamiflu em 1996 e depois negociou sua produção pelo Roche, que ganhou rios de dinheiros com esse fármaco: só com sua venda, o laboratório aumentou o faturamento de US$ 254 milhões, em 2004, para mais de US $ 1 bilhão, em 2005, ano em que o ministro-empresário bateu o martelo do "ou dá ou desce" para 72 países satélites.
Alarmistas falam de vírus cruzados
Enquanto isso, cientistas sensacionalistas, desses que são adorados pela indústria farmacêutica, lançam uma nova ameaça no ar para não deixar ninguém dormir. Eles antevêem um cruzamento entre os vírus das gripes suína (a da moda) e aviária (que estava dormindo).
É o que poderá ser manchete na mídia deste sábado: "Muitos cientistas temem, no entanto, que os dois vírus se encontrem - possivelmente na Ásia, onde a gripe aviária é endêmica - e se combinem em uma nova variação altamente contagiosa e letal e se espalhe pelo mundo. Apesar de não se saber qual a probabilidade de que isso ocorra, cientistas chamam atenção para o fato de que a nova cepa de gripe suína - uma combinação de vírus humanos, aviários e suínos - já mostrou que pode se apropriar de material genético que favoreça sua evolução".
Para atenuar o trauma que atinge aos 110 milhões de mexicanos e evitar o incremento da migração para os Estados Unidos, Washington divulgou que já ultrapassou seus vizinhos com um escore de 1639 a 1364, informando que já se registram casos em 41 estados. Em número de óbitos, os norte-americanos falaram que uma mulher é a segunda vítima, mas depois disseram que ela já sofria de outras doenças, não se podendo atestar a causa mortis com segurança.
Essa gripe ao gosto do freguês ainda vai vitimar muita gente do outro lado da mesa. É que os autores da tramóia não contavam com a astúcia de alguns cidadãos ainda independentes, os quais desvendaram a charada antes da mesa posta.
Agente duplo da "pandemia"
Um verdadeiro inventário, enviado pela organização PRO MUNDI me deixou perplexo sobre o nível da audácia dos interesses econômicos, em conluio com governos inescrupulosos, que agem como caixeiros viajantes de seus empresários e não fazem nenhuma separação entre o público e o privado.
O relato mostra uma relação entre a visita de Zarkozi ao México, no dia 9 de março, o anúncio de um investimento de 100 milhões de euros para a construção de um laboratório especializado na produção de vacina contra "influenza" e os acontecimentos que culminaram com o disseminação da gripe suína, no final de abril.
Há um filme, que já postei no meu blog PORFÍRIO LIVRE, no qual o cientista Leonard Horowitz conta toda a trama, envolvendo uma rede norte-americana de engenheiros genéticos, que levou a níveis récordes, a partir das mortes no México, as ações do laboratório Novavax, de Mayland. Em seu relato, que você não pode deixar de ver, ele acusa esse laboratório de produzir o virus da gripe para depois vender a vacina. E o faz com detalhes chocantes.
Pelo que entendi, a pressa em desencalhar o Tamiflu está relacionada com a ação de laboratários concorrentes, dos Estados Unidos e da Europa. É uma guerra mais suja do que qualquer outra já travada com o uso de tanques e fuzis.
Quando me exponho na convicção de que estamos diante de um grande teatro, sei do risco que corro, mas já vi esse filme antes. Afinal, como relata o Promundi, "sabemos que a influenza mata ao redor de189 pessoas por semana, no Peru. Que a influenza mata, por ano, nos Estados Unidos, pelo menos 30.000 pessoas, o que significa que mata 82 pessoas por dia".
Para finalizar por hoje, chamo sua atenção para o comentário de Bruno Xavier, brasileiro que está concluindo o curso de Phd na área de biotecnologia na Universidade de Ithaca, Nova York. Ele mostra como o megatrilionário norte-americano Warren Buffet, segunda maior fortuna do seu país, pretende ganhar muita grana fazendo seguro da gripe suína.
Por hoje é só. Mas acho que ainda voltarei ao assunto.
coluna@pedroporfirio.com


postado por Pedro Porfírio. às 14:55
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