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Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

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DE ONDE VIM, AONDE ESTOU, PARA AONDE VOU.

30 de agosto de 2017
DE ONDE VIM, AONDE ESTOU, PARA AONDE VOU.

Christopher Goulart



Peço Licença. Desculpem mas não posso ser breve, como diria o Padre Antônio Vieira em seus intermináveis sermões.

Antes de seguir com o objetivo aqui proposto em epígrafe, seja por razões pessoais e até motivações públicas, apresento aqui minha auto-definição essencial de um humanista, na sua mais intensa concepção. Por tanto, imperfeito.

Assimilei como humanista, equivocadamente ou não, que entre tantas complexidades, virtudes, não tenho o direito como pai de duas filhas, (Martina e Valentina) com advogado, como político, como articulista, de abandonar a busca incessante pelo ajuste pessoal.

Até mesmo para exerce-lo lo em uma possível trajetória de interesse coletivo. Sei que todos nós, sem exceção, somos apenas seres errantes buscando a evolução. Aqui estou, mais um, presente!

Sou dos que apreciam a ação, e rejeitam a omissão. Dos que pedem desculpas com naturalidade quando o movimento não está no seu devido lugar.

Logo, Você que leu até aqui este texto, me desculpe se em algum momento errei contigo, ok?

Eu apenas Penso meus passos estrategicamente. Caminho sempre pra frente. Valorizo muito o silêncio.

Compreendo que não é necessário o permanente papel de protagonista. O que sim é necessário é o impactante fator surpresa eventual, no papel de coadjuvante, com inteligência, vigor, consciência pessoal e política, para logo após regressar ao "status quo" da proteção pré-estabelecida dos precavidos.

Dito isso, reafirmo dentro dessa breve pincelada inicial, a forma de como sigo pintando a minha, a nossa trajetória futura.

Filho da Uruguaia Zulma Estela Katz, do brasileiro João Vicente Goulart, nascido no exílio (Londres, Inglaterra) por razões políticas.

Sem constrangimentos, digo que sinto que minha vida é consequências direta do golpe civil-militar de 64. Meu nascimento é fruto da história do Brasil. Carrego três nacionalidades em razão da implacável perseguição que minha família sofreu.

Sou o único neto que meu avô João Goulart conheceu. Como compreensão da causa pública, bebi na água da fonte da obra de Alberto Pasqualini, de Darcy Ribeiro, da obra imortal de minha maior referencia, Presidente Vargas, da trajetória irretocável do líder Leonel Brizola.

Atualmente sou Primeiro Suplente de Senador do PDT/RS, membro da executiva Estadual do PDT-RS, do Diretório Nacional do PDT, sigo caminhando pela estrada autentica das minhas origens, sem admitir desvios de quem quer que seja nesse caminho de linha reta.

Registro aqui, a quem interessar possa, que sou ciente que a deposição de meu avô, foi arquitetada por uma direita que não aceitou, entre outras características e iniciativas, as reformas de base proposta por Jango, leal seguidor de Vargas.

O que poucos falam, é que o mesmo golpe também teve fortíssima influência dos setores da extrema esquerda, que não aceitavam um fazendeiro conciliador na presidência, um pacifista, um democrata na condução do país.

Haveriam eleições em 1965. A demagogia falava mais alto, como fala até hoje e como seguirá falando sempre.

Queriam "Reforma agrária na lei OU NA MARRA." Lembram? Pois é. Deu no que deu, fomos submetidos a 21 anos de ditadura militar.

Jango? Voltou dentro de um caixão em dezembro de 1976, dois meses após o meu nascimento.

Portanto, conhecedor de minhas origens, responsável por um legado que não flerta com extremismos, nem de direita nem de esquerda, obviamente não serei eu o seguidor dos que hoje lançam palavras de ordens burras, que até encontram eco na população, sem de fato ter preocupação com um Brasil equilibrado. Querem apenas um espetáculo idiotizado.

Jango hoje estaria condicionado, na busca dos ideais de justiça social, do Nacional-desenvolvimentismo, de um progresso soberano, conciliando interesses legítimos oriundos das forças do capital e do trabalho.

ISSO É TRABALHISMO!

Qualquer imitação fora dessa tradição, é puro oportunismo, ou até ignorância, visando interesses pessoais e partidários.

De partidos que jamais na prática foram de fato trabalhista, e agora procuram desesperadamente uma razão para seus fracassos e suas próprias existências.

Conheço a história. Conheço também as ambições dos seres humanos, benéficas e maléficas, pois aprendi na luta. Apanhei, não cai, e sigo de pé, muito mais forte.

E assim pretendo seguir a caminhada, hoje já com uma luz própria, sinto que venho conquistando respeito por onde ando.

Esse respeito é para mim recíproco sempre, pois sei também que sem respeito pessoal entre os seres humanos, não se constrói a democracia. Se cria tão somente um arremedo malfadado.

Por muitas razões, que a cada dia aumentam, tenho certeza de minha real condição de contribuir para uma cidade melhor, para um Estado melhor, para um país melhor.

Conheço bem minhas origens. Sei bem onde dou meus passos.

Para onde vou? Para onde vamos? Para onde meu amigos e amigas, para onde todos os que se identificam com este espírito guerreiro, para onde PDT entender que eu possa ser útil.

Apenas, saibam, sou um bom lutador. Se me chamarem para a luta, eu aceito, em nome do meu, do nosso sangue.

Obrigado.

Christopher Goulart
Advogado, primeiro Suplente de Senador (PDT-RS)

Saudações trabalhistas.
postado por Christopher Goulart às 21:15

ELEIÇÕES E FUTEBOL

16 de junho de 2010
ELEIÇÕES E FUTEBOL


Dentro de poucos dias o mundo vai parar. A copa do mundo na África do Sul será o centro das atenções, e como num toque de mágica, durante um mês inteiro estaremos dando mais importância às seleções do que aos nossos problemas sociais. Afinal, copa só tem a cada quatro anos. Eleições pra Presidente também. E no Brasil, desde a redemocratização do país em 1985, os mundiais de futebol coincidem com anos eleitorais.
Durante a Copa, ninguém vai lembrar que continuamos sendo um país com um dos maiores índices de concentração de renda do mundo. Afinal, num país para poucos, o importante é bola na rede. Não vamos lembrar que somos uma nação que segue uma rotina de privilegiar privilegiados, sem tentativas frutíferas de intervenção programada na distribuição de renda.
Enquanto os 10% da população brasileira, que concentram mais de 75% de nossas riquezas, estarão olhando os jogos em televisões de última tecnologia, em poltronas confortáveis, a imensa maioria de nosso povo permanecerá na busca desesperada de um pretexto esportivo para esquecer a dura realidade econômica e social. Pensar em reformas estruturais e institucionais do estado brasileiro em ano de copa? Pra que? Eu quero é o hexa.
Quem vai querer saber, em ano de copa, que reformas profundas como a abolição da escravatura, a proclamação da República, a revolução de 30, a promulgação da CLT, a título de exemplo, representaram uma quebra na ordem injustamente estabelecida na história do Brasil, pelos mesmos detentores de privilégios exorbitantes de hoje. Num novo ano eleitoral, temos o dever cívico de acreditar que só a participação popular efetiva nas decisões governamentais permitirá sermos um país de primeiro mundo. Já é hora envolver a sociedade no debate de reformas urgentes.


Certo é que durante a copa do mundo ninguém vai pensar num amplo debate sobre a reforma agrária, para fortalecer nosso mercado interno e tornar o solo nacional um patrimônio produtivo em toda sua extensão. Ou então numa reforma educacional ampla, com o objetivo de formar cidadãos para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Reforma tributária, com uma orientação voltada para a redução da concentração da riqueza, que tenha impacto sobre a distribuição de renda. Nada disso.
Então, depois que o capitão Lúcio levantar a taça, que tal lembrarmos que também somos campeões mundiais de concentração de renda, e pentacampeões em concentração de riquezas? Um novo projeto de ruptura ou mudança histórica poderá estar iniciando neste ano de futebol e eleições. Depende de nós.

Christopher Goulart
Presidente Associação Memorial João Goulart.
postado por Christopher Goulart às 14:56

Aniversário de Jango

11 de março de 2010

Aniversário de Jango

Na data de 1° de março de 1919 nascia em Iguariaçá, interior de São Borja, um menino franzino com a saúde debilitada, filho de Vicentina Marques Goulart e do Coronel Vicente Goulart. Sua mãe fez uma promessa para que o menino sobreviva. Com a Graças de Deus o menino franzino ficou forte. Batizado com o nome de João Belchior Marques Goulart, esse foi o começo de vida do nosso último Presidente Trabalhista do Brasil, que se vivo fosse, completaria 91 anos.

Parabéns meu avô! Jamais te curvaste perante os obstáculos impostos, tanto no início de tua vida, como pelos tiranos da pátria, que até hoje não querem um povo livre. O povo brasileiro saúda teu legado indicando as reformas da sociedade brasileira. O Rio Grande do Sul se orgulha de seu Presidente missioneiro, que mesmo tendo já falecido há 33 anos, segue vivo na alma dos mais humildes.
De nada adianta a teimosia de muitos buscarem obscurecer tua obra, jogando teu valor a um segundo plano. Foste Grande. Honraste com coragem os interesses da imensa maioria da população brasileira de excluídos, contrariando a lógica de um mundo espoliativo e desumano. Não é pouca sorte lutar e morrer por um sonho libertário. O povo não esquece.

Aquele menino franzino virou um dos maiores fazendeiros do país, pregando reforma agrária, como nenhum outro Presidente na história do Brasil se empenhou. O empreendedor capitalista dedicou-se à prática política da conciliação entre o capital e trabalho. Com isso, contrariou interesses de poderosos, até ser arrancado de sua pátria pela força das armas, e condenado a jamais retornar. Sem dúvida, um ativista humanitário, que deixou para as próximas gerações o caminho para as Reformas de Base.

Seguiremos teu exemplo, lembraremos de teu sacrifício. Morrem os homens, mas não suas idéias. Pela tua mensagem de emancipação nacionalista, somos agradecidos. Feliz Aniversário. Parabéns Presidente!

Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
 

postado por Christopher Goulart às 14:41

O maior comício de todos os tempos

11 de março de 2010

O maior comício de todos os tempos

Treze de março de sessenta e quatro. Há exatos quarenta e seis anos atrás, nosso país acompanhava o Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Em pauta as reformas de base do Governo de João Goulart, acontecimento este que foi um dos motivos principais para o golpe civil-militar, que ocorreria no dia primeiro de abril daquele mesmo ano, dia da mentira. Naquele dia, Jango se comprometeu perante duzentas mil pessoas em praça pública com as reformas da sociedade brasileira. Tal compromisso custou-lhe o cargo de chefe da nação, e até mesmo a vida.

Muitos já conhecem esta história. Muitos contemporâneos de João Goulart ainda hoje saúdam com reverência a coragem do seu Presidente em encampar os ajustes estruturais e institucionais da nação. Mesmo assim, nunca é demais relembrar nesta data, o pensamento de Jango sobre as reformas de base que vieram a derrubá-lo. No site WWW.institutojoaogoulart.org.br podemos acessar a íntegra do discurso, bem como o documento enviado pelo Presidente ao Congresso Nacional, dois dias após o maior comício de todos os tempos, intitulado “Os novos tempos e as novas tarefas do povo brasileiro”.

Num país de memória curta, tal data simbólica é fundamental também para que as novas gerações saibam que já tivemos um Presidente reformista, empenhado em remover privilégios centralizados, consagrando assim um Brasil com justiça social. João Goulart transcendeu ao discurso, mesmo sabendo que seria derrocado, para na prática aplicar medidas concretas. Ao seu amigo e chefe da casa Civil Darcy Ribeiro, confessou: “Eu caio, mas caio de pé”.

A importância de conhecer o discurso da Central, e também o documento enviado ao Congresso Nacional, reside no fato de depararmos com a realidade de que as reformas propostas naquele momento – agrária, tributária, administrativa, urbana, educacional, política, bancária – mesmo ainda hoje reclamadas pela sociedade brasileira, jamais saíram do plano da teoria. Conhecendo o fundamento do comício do dia treze de março de sessenta e quatro, entendemos melhor os problemas estruturais e institucionais que perduram até hoje no Brasil.




Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
 

postado por Christopher Goulart às 14:40

O Embaixador do golpe baixo

04 de janeiro de 2010


O EMBAIXADOR DO GOLPE BAIXO
 
“Chega de intermediários, Lincoln Gordon Presidente!” Esta era uma das frases que se viam pichadas pelos muros do Brasil entre os anos de 1961 e 64, período em que o gaúcho João Goulart presidia o País. A interferência dos Estados Unidos nos assuntos de ordem interna brasileira era tão intensa que deixou sua marca na nossa história republicana, tendo contribuído de maneira decisiva para a quartelada de 1964. Passados 45 anos deste golpe baixo, patrocinado pela CIA e a Embaixada dos EUA no Brasil, a notícia recente do falecimento de Lincoln Gordon traz à tona fatos que devem ser relembrados para que as novas gerações não permitam que se repitam.
A nação brasileira precisa lembrar da atuação de entidades ligadas ao círculo empresarial, como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), em estreito contato com a CIA e seu Embaixador da época, que se dedicavam exclusivamente a desestabilizar o governo reformista de Jango.  No livro do professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, O Governo João Goulart, consta a confissão do embaixador americano sobre um gasto da ordem de US$ 5 milhões, visando alterar o resultado das eleições ao Congresso Nacional em 1962. O objetivo desta ingerência inescrupulosa era financiar os candidatos da oposição ao presidente Jango. Tal confissão foi reafirmada em 2002 durante entrevistas para programas de televisão, e a compra de políticos brasileiros corruptos foi o “grande aporte cívico” de Gordon para nosso país. Uma vergonha!
Mesmo assim, dentro de nossas fronteiras, não se ouviram as vozes de FHC ou Lula manifestando repúdio à confissão e à atitude de Lincoln Gordon. Assistimos pacificamente, em rede nacional, ao americano se orgulhando de ter rasgado nossa Constituição.
Mas Gordon foi além. Como Embaixador golpista, intermediou a Operação “Brother Sam”, que consistia no envio, por parte dos Estados Unidos, de navios de guerra e porta-aviões de ataque pesado em direção às águas brasileiras, para o caso de o Presidente brasileiro oferecer resistência ao golpe. A operação foi descoberta pela pesquisadora Phyllis Parker, autora do livro “1964: O papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de março”.
Lincoln Gordon faleceu. Jango faleceu no exílio, e evitou aquela guerra civil que se desencadeava em abril de 1964, ao optar por não resistir e não sacrificar a vida de milhões de brasileiros em detrimento exclusivo de seu cargo de presidente. Mas a luta por um Brasil soberano, livre e inclusivo segue viva. E na mão de cada um de nós.
 
 
 
Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
postado por Christopher Goulart às 16:48

Artigo: 24 de agosto, 55 anos sem Getúlio Vargas

30 de novembro de 2009

24 de agosto: 55 anos sem Getúlio Vargas

 

A data de 24 de agosto torna obrigatória a formulação de algumas reflexões políticas, num país cada vez mais descrente em relação aos seus políticos. Afinal, há 55 anos, um único tiro de revólver calou a toda uma oposição raivosa, amparada por amplos setores das forças armadas do país, que exigiam a deposição imediata do maior estadista de toda a história brasileira. Com 72 anos de idade, no ano de 1954, o líder inconteste da Revolução de 30 colocou fim a sua vida, adiando um golpe de Estado que se concretizaria 10 anos depois, quando seu herdeiro político João Goulart sofreu na pele a mesma implacável perseguição na quartelada de 64.

Getúlio Vargas, o homem que ao longo de sua vida oscilou entre as extremidades do amor e o ódio, entre as elites e os pobres, encontrou no gesto extremo do suicídio a solução para a que o país não fosse tomado pelas idéias liberais da UDN, do governador da Guanabara Caros Lacerda. Na prática, o Presidente Vargas postergou o golpe dos grupos econômicos e financeiros internacionais, aliados a grupos nacionais, revoltados contra o regime de garantia do trabalho, e contra a independência do povo brasileiro.

Mas quem é este homem, acusado de ditador no Estado novo, mas que voltou à Presidência da República nos braços do povo, eleito pelo voto, derrotando o Brigadeiro Eduardo Gomes em 1950? Este homem, que há 55 anos deixava a vida para entrar na história, é nada menos que o criador do moderno Estado Brasileiro, é o líder que pôs um fim à política de oligarquias da República Velha, e é o presidente a quem o Brasil deve a criação da Consolidação da Legislação Trabalhista. Pouco ainda? O Gaúcho de São Borja fomentou a industrialização brasileira, dobrou o salário mínimo, proposto por seu ministro de Trabalho Jango, criou a Petrobrás, e Eletrobrás, obras que causaram uma onda de agitação em seus opositores.  

Seu legado de luta contra qualquer forma de espoliação das riquezas da nação, de luta pela libertação do trabalhador brasileiro, a favor da pátria soberana, continua aceso. Não faz muito tempo, houve até o esforço inútil de um Presidente da República em acabar com a era Vargas. Porém o sacrifício do mestre Getúlio está marcado eternamente na alma da população do Brasil, e seu sangue continua correndo nas veias dos seus seguidores. Viva Getúlio Vargas!

Christopher Goulart 
                                                                   Presidente Memorial João Goulart 

postado por Christopher Goulart às 10:48

Artigo: O inimigo íntimo de Jango

30 de novembro de 2009

O INIMIGO ÍNTIMO DE JANGO

 

 

Pergunte ao seu inimigo o que ele diria sobre a sua vida. Certamente ele falaria sobre os piores aspectos possíveis para macular sua imagem. A imprensa noticiou recentemente sobre a intimidade de um presidente da República devassada por seus algozes, a mando dos líderes dos regimes autoritários latino-americanos. Os documentos do SNI e serviço secreto uruguaio, trazidos a público, comprovam um fato que há anos o Instituto Presidente João Goulart vem investigando, justamente para resgatar a biografia e trajetória política daquele que representou a queda da democracia no Brasil em 1964.

Os passos da família Goulart eram monitorados 24 horas por dia, não em razão da desenvoltura empresarial de Jango, mas sim de sua atuação política, pois o retorno do presidente derrocado ao Brasil representaria um futuro projeto exitoso de candidatura à presidência da república, com o apoio tanto da direita como das esquerdas. Prova disso foi a formação da frente ampla em 1966 no exílio uruguaio, que tinha o apoio de Carlos Lacerda (UDN) e Juscelino Kubitchek (PSD), todos cassados pelo regime militar e buscando uma alternativa democrática.

O verdadeiro fato político importante, entre tantas mesquinharias descritas nos relatórios dos arapongas, é o de que a reabertura segura, lenta e gradual para o retorno da democracia brasileira, articulada pelo General Golbery do Couto e Silva, não contava com a presença ativa de João Goulart no cenário nacional, e vale recordar: Jango morreu com 57 anos de idade e com um projeto político em andamento. O “império” devassado do presidente não foram os seus bens patrimoniais e suas transações comerciais, pois o presidente já era muito rico antes de ingressar na política. O que realmente foi destruído pela sua oposição golpista foi o projeto de nação que o gaúcho João Goulart visava com as reformas de base, jamais vistas na prática em toda a história do nosso país.

 

Todas estas novas informações agora compartilhadas com a sociedade gaúcha, algumas verdadeiras, outras não, só têm sentido se servirem para uma profunda reflexão política. O destino injusto e até mesmo trágico de Jango, que inclui a hipótese de assassinato, está diretamente ligado com a história de um cidadão honesto, empreendedor, com um nítido propósito de reformar as velhas estruturas políticas, sociais e econômicas da nação, amparadas pelas oligarquias. Quais poderosos interesses econômicos, nacionais e internacionais, seriam contrariados com os severos ajustes da máquina Estatal proposto por João Goulart? A Lei de remessa de lucros poderia responder a esta indagação.

Jango só retornou ao Brasil sem vida, e sequer teve tempo para poder se defender de tantas calúnias a ele atribuídas. Mas a sociedade gaúcha pode começar a fazer justiça com a memória deste estadista deposto, na interpretação do saudoso Darcy Ribeiro, “muito mais em virtude de seus acertos do que seus erros.”

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango

     

       

 

postado por Christopher Goulart às 10:46

Artigo:Por uma nação coletiva

30 de novembro de 2009

POR UMA NAÇÃO COLETIVA

Há muito tempo perdura em nosso país uma profunda descrença em relação à política. Sempre foi assim, e provavelmente sempre será. Tal sentimento negativo, como conseqüência de tantos escândalos sucessivos, é o mesmo que invadiu as mentes de muitos jovens de ontem, que assola os de hoje, e, certamente, será o senso comum da análise política elaborada por nossos filhos. E o resultado natural desta descrença é conhecido: uma massa de jovens analfabetos políticos, sujeitos a manipulações nocivas ao futuro da pátria brasileira, no momento em que deixam de questionar o porquê desta realidade.  

É dessa forma que os jovens se tornam coniventes com a pulverização gradativa de um conceito de nação coletiva. Muitos sequer questionam a idéia de um país que realmente seja para todos, e não somente para alguns. A mesma população que elege é a que depois critica. Óbvio demais, não é mesmo? Em todos os processos eleitorais prega-se a renovação, mas a obviedade das mazelas sociais, políticas e econômicas persistem no tempo.

Nos discursos proferidos, a intenção de manter acesa a esperança do povo está sempre presente. Afinal, o povo vive de esperança, e os políticos vivem da esperança do povo. Mas o que este povo tão sofrido não pode jamais esquecer, é que aqueles que os representam devem estar comprometidos com causas públicas. É o bem comum da sociedade que está em jogo. É a pretensão de colocar em prática um ideal de nação coletiva, onde todos os brasileiros estejam inseridos.

Vale lembrar que não existe fatalismo na política, pois ela será o que nós fizermos dela. Portanto, é determinante o entendimento exato de coisa pública, e jamais misturar tal conceito com o âmbito de interesse privado. Mais do que isso. Os homens públicos devem estar preparados para enfrentar a difícil tarefa de nunca ceder às tentações do poder, e, ao mesmo tempo, combater detentores de privilégios. Afinal, um político é apenas um empregado do povo. Ou pelo menos assim deveria ser.

É hora de aplicarmos na prática a essência de uma nação coletiva. Mas o que é mesmo uma nação? Ernest Renan, escritor, filósofo e historiador francês que viveu no Século XIX, em conferência realizada na Sorbonne, em 11 de março de 1882, assim a definiu: “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual”. “Uma nação é, então, uma grande solidariedade, constituída pelo sentimento dos sacrifícios que fizeram e daqueles que estão dispostos a fazer ainda”.

O Brasil ainda é um bebê em relação à democracia e, por isso, ainda é preciso consolidar a cultura do coletivo, contrapondo-nos ao perigo de sacramentar uma sociedade alienada, individualista, amoral e sem identidade cultural. Seguidamente nos deparamos com uma pergunta básica: “O que eu vou ganhar com isso?” Porque então não começarmos a perguntar “O que o meu país ganha com isso”?

 

 

 

 

Christopher Goulart

Presidente da Associação do Memorial João Goulart

 

 

postado por Christopher Goulart às 10:45

Artigo: Política, ideologia e renovação no DCE

30 de novembro de 2009

POLÍTICA, IDEOLOGIA E RENOVAÇÃO NO DCE

 

O Rio Grande do Sul acompanhou, através dos meios de comunicação, o resultado final da eleição recente do DCE da UFRGS, que resultou na vitória de uma chapa “não esquerdista” como muitos ressaltaram. O próprio Prefeito da cidade de Porto Alegre declarou que a vitória foi uma façanha semelhante à eleição dele quando derrotou o PT na eleição Municipal, ao passo que, o novo jovem presidente do DCE, respondeu que “não é pra tanto”. Tudo noticiado por Zero Hora.

Interessante é verificar que tal fato, traz à tona alguns posicionamentos que remetem ao constrangimento da adesão juvenil de tempos nem tão distantes, em ser “de direita ou de centro direita no meio acadêmico”. Como jovem, e ex-aluno universitário, penso que não é a circunstância de ser de direita ou esquerda o motivo fundamental que elege um novo presidente de Diretório Acadêmico. O estudante, como toda a sociedade de forma geral, prega por mudanças, quando detecta que algo não vai bem, e a alternância de poder é um dos pilares mais sólidos da democracia.

Portanto, o processo de renovação política sempre é bem-vindo, e não seria diferente dentro de uma instituição tão respeitada quanto a UFRGS, universidade esta que se orgulha da formação de dois presidentes da República: Getúlio Vargas e João Goulart. Mais: Foi lá que o Governador Leonel Brizola consolidou sua formação acadêmica. Todos estes homens públicos são referências que fundamentam a essência do verdadeiro trabalhismo brasileiro, banido do cenário político durante os anos de chumbo.    

Ocorre que, ao associar tendenciosamente tal eleição estudantil como “queda do muro de Berlim da UFRGS”, e não mencionar, por exemplo, a queda do muro imaginário de Nova Iorque ocorrida neste último ano, simbolizado pela crise econômica gerada pelo Neoliberalismo, formaliza-se um julgamento político temeroso e de nenhuma contribuição democrática. Política estudantil não pode ser construída com ressentimentos advindos do passado.

Se assim fosse, poderíamos lembrar então que uma das primeiras contribuições democráticas da “revolução de 1964”, como muitos saudosistas da velha ARENA gostam de rotular, foi justamente incendiar o prédio da UNE no Rio de Janeiro. Lembraríamos do assassinato do Estudante Edson Luis, ou talvez da prisão dos estudantes no Congresso de Ubiúna em 1968. Então, melhor olharmos para o futuro, e não apenas para o passado.     

A “onda da galera”, como classificou meu nobre colega de profissão, em artigo publicado aqui nesta página, eram convicções de valorosos jovens, que clamavam por reformas estruturais e institucionais em nosso país já na década de 60. Eram jovens que lutavam contra a ditadura militar, com o objetivo de reconquistar liberdades constitucionais, cerceadas pela força das armas; jovens que sofreram na pele a força da arbitrariedade de outros tempos.

Mas hoje, com a democracia consolidada, os jovens que exercem a política estudantil, devem sim ter conhecimento de fatos históricos, mas jamais se deixar contaminar com velhos conceitos viciados. Então, melhor ficarmos com a interpretação do jovem presidente eleito sobre este debate ideológico: “Não é pra tanto!”.    

 

 

 

Christopher Goulart

Advogado

Presidente da Associação Memorial João Goulart

postado por Christopher Goulart às 10:42

Artigo: Ocultação da história brasileira

30 de novembro de 2009

OCULTAÇÃO DA HISTÓRIA BRASILEIRA

 

“Tem dias que agente se sente como quem partiu ou morreu, agente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu.” Assim inicia a composição de Chico Buarque na música intitulada Roda Viva. E o mundo realmente dá voltas. Ao compasso do fortalecimento de nossa democracia, conquistada com tanto sacrifício do povo brasileiro, gradativamente, a história se impõe. Crimes cometidos num passado recente ressurgem literalmente das cinzas, como denota a denúncia que o MPF de São Paulo ofereceu contra o Ex-governador Maluf e o Senador Romeu Tuma, entre outros.

A realidade perversa dos tempos de regime ditatorial que acossou nosso país, hoje choca a população brasileira. Segundo a Procuradora de São Paulo, “ambos contribuíram para que ossadas permanecessem sem identificação, em valas comuns dos cemitérios, e atestaram falsos motivos de morte a vítimas de tortura”.         

Enquanto Maluf chama a acusação de “ridícula”, o corregedor do Senado – pela quarta vez, provavelmente ainda não tenha recebido a intimação do MPF de São Paulo sobre o caso. Também não deve ter recebido o ofício remetido pelo MPF do Rio Grande do Sul, no mês de agosto, indagando sobre questões ligadas ao provável assassinato do Presidente Jango, pois até a presente data, não se tem nenhuma resposta do Corregedor do Senado.

Ridículo mesmo é a insistência de muitos personagens principais do regime autoritário, senhores como Tuma e Maluf, em ocultar uma página vergonhosa da história do Brasil. Denunciar estes crimes, e tantos outros ocorridos, não pode ser caracterizado como revanchismo, como muitos saudosistas da ditadura gostam de taxar. Uma interligação do passado ao presente, no tocante à inadmissibilidade de atos de violação de direitos humanos, aponta para a construção de regimes democráticos sólidos e estáveis, fundamentados na justiça e no direito, e jamais no medo e na violência.

Christopher Goulart

Presidente da Associação Memorial João Goulart

postado por Christopher Goulart às 10:40

Procura-se uma Nação

10 de setembro de 2009

PROCURA-SE UMA NAÇÃO

 

Uma triste realidade assola nosso país. Somos brasileiros sem um sentimento de nação. O povo não tem consciência política, e seu destino fica na mão de pequenos grupos ditos politizados, que na sua imensa maioria, não representam a vontade de inclusão das massas no processo de desenvolvimento soberano. Estes poucos que governam muitos ficam a serviço de interesses meramente particulares, esquecem da essência pública implícita em seus mandatos, e remetem ao limbo um sentimento de pátria que já existiu, sim, no Brasil.

Em inúmeras ocasiões testemunhei valorosos relatos de patriotas de gerações pretéritas, orgulhosos de sua participação na revolução de 30, na política do Estado Novo, no movimento queremista, no retorno do Presidente Vargas ao poder em 1950. Cidadãos que relatam até hoje, com firme convicção, seu posicionamento em 64 seja ele qual for. Todos estes, independentemente de suas posições ideológicas, carregam consigo algo em comum: são patriotas que amavam e amam o país. Confesso que no “alto” de meus 32 anos, sinto uma ponta de inveja destes senhores que fizeram parte de uma época em que falar em ideologia fazia parte do quotidiano.

Em tempos de celebração da Independência Brasileira, pergunto-me em que momento da história recente se perdeu o sentimento de amor à pátria, o mesmo que levava multidões às ruas exigindo mudanças. Vou além. Como retomar o espírito patriótico num país onde se considera normal que crianças vivam nas ruas, sejam mendigos, pivetes, prostitutas, trabalhadores, e não estudantes? Onde se considera normal que os 1% mais ricos da população recebam 20,5% da renda nacional e os 50% mais pobres recebam apenas 13,2%? Esse é o desafio de uma nova geração, que ao invés de fugir da política por motivos muito compreensíveis, deve entender que é justamente através das adversidades que nos fortalecemos. 

Lançar o futuro de uma nação ao incerto, na mão de oportunistas de plantão, é uma temeridade. O balcão de negociatas que assistimos nos informativos e jornais só tende a piorar cada vez mais, se os jovens não se engajarem com afinco nas causas públicas e nos problemas do país, da mesma forma que um dia fizeram nossos ancestrais.

Por isso, pelo bem da nossa nação, não podemos ficar apenas “olhando a banda passar”, como diria o poeta Chico Buarque. Mas para isso não basta apenas votar conscientemente nas próximas eleições. A militância efetiva, em suas diversas formas de atuação política e social, é um caminho para a retomada de um sentimento patriótico de fundamental importância para a unificação do país.

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango     

 

 

 

postado por Christopher Goulart às 11:32

Golpe ao povo Hondurenho

22 de julho de 2009

GOLPE AO POVO HONDURENHO

 

 

A data de 29 de junho de 2009 entra para a história como o dia em que se concretizou o primeiro golpe na América Central, desde o fim da guerra fria. O Presidente Hondurenho Manuel Zelaya foi deposto por um golpe militar e despachado para fora de seu país. A razão de tal ato ditatorial, estraçalhando o processo democrático, se fundamentou na intenção do Presidente de realizar um plebiscito que visava a sua reeleição, desagradando, no entanto, as Forças Armadas. A imposição arbitrária a um povo sob um novo governante não eleito legitimamente através das urnas é a volta do império da força visando à derrubada do império da lei. Este roteiro já é bastante conhecido na História Política latino-americana, onde todas as correntes democráticas e progressistas sempre resistiram.

Ao menos, desta vez a comunidade internacional vem repudiando o golpe. Até mesmo a OEA e a ONU – quem diria – condenam a derrocada do chefe do Poder Executivo. Conforme disse o presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel D''Escoto, na abertura do encontro: "É com o coração triste e indignado que abro esta sessão plenária para discutir o golpe de Estado que interrompeu a ordem democrática e constitucional do presidente José Manuel Zelaya na República de Honduras".

Na prática, são violados novamente uma carta internacional e pactos democráticos. Este fato político, se não combatido de forma veemente, pode inclusive abrir um precedente já visto em outros tempos não tão distantes. Portanto, devemos manifestar nosso total repúdio como cidadãos indignados com qualquer forma de arbitrariedade de Estado.

Ora, um plebiscito é justamente um ato democrático, em forma de consulta popular para a deliberação sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. Portanto, tal consulta é pertinente no caso de se possibilitar uma reeleição, alterar uma Constituição, ou até mesmo devolver poderes presidencialistas ao Presidente, como ocorreu no Brasil em janeiro de 1963.

Independentemente dos rumos que o Presidente eleito venha dar a seu país, é a democracia que está em causa, conquistada com tanto sangue durante longas décadas. Não há que se confundir um ato presidencial com a substituição da democracia pelas Forças Armadas. Só o povo é soberano, seja para negar ou até mesmo conceder outro mandato ao chefe da nação.

Está nítido que o restabelecimento da normalidade democrática daquele país é urgente. Um golpe de estado é inaceitável em todos os sentidos! Não há sequer que se cogitar o reconhecimento internacional surgido da ruptura da ordem constitucional de Honduras – justamente para não repetir um triste filme conhecido por todos.

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.    

 

      

 

 

 

 

postado por Christopher Goulart às 16:38

Artigo: O Congresso pede Socorro

30 de junho de 2009
 

CONGRESSO NACIONAL PEDE SOCORRO

 

 

 

A degradação ética e moral que assola o Congresso Nacional não é novidade há muito tempo, e, lamentavelmente, falarmos hoje em corrupção é tão natural como respirar. Tantos belos argumentos de ilustres parlamentares que se preocupam em honrar a classe política, tantos pareceres bem intencionados apontando soluções para esta crise que envolve gestores do patrimônio público, tanta indignação popular representada pela opinião pública. E tudo continua tristemente igual. Deputados se lixando para a opinião pública, outros realizando nomeações secretas de parentes, e outros tantos envolvidos até o pescoço com negociatas que roubam à população brasileira, desvios de verbas públicas, tráfico de influência, colarinho branco. Pobre Democracia brasileira, que após todo o sacrifício e sangue de patriotas que lutaram arduamente para consolidar este regime de liberdades, é agora representada por usurpadores do povo.

Falar que a corrupção ostensiva é uma realidade que impera em nossos Parlamentos já não surpreende ninguém. Não apenas no Parlamento, obviamente. A degradação de valores morais é um mal que impera nas diversas instituições e sociedade civil como um todo, mas todo cidadão que se postula a um cargo público deve saber a exata dimensão do que significa representar a uma população tão cansada de ser roubada desde sempre. O Congresso Nacional pede socorro, mas pede a quem se o seu Presidente declara publicamente que a crise não é dele? O fato é que a democracia é lesada duramente com estes maus exemplos, e não há como o chamado “cidadão comum” – aquele que não rouba - que acompanha estes escândalos rotineiros à distância, não ficar repugnado com tantos desvios de conduta.

Mordomos, e as mordomias comprometem a imagem do Congresso Nacional, mas pior do que esta situação de calamidade restará configurada se daqui a pouco aparecer algum lunático lembrando-se da Ditadura Militar, que mandou fechar o Congresso após o Ato Institucional n° 5, com a desculpa esfarrapada de que o país estava no caminho da desordem e do caos. Portanto, a saída só pode ser a consciência Nacional de que só a retomada de uma proposta reformista em todas as estruturas sociais, políticas e econômicas, poderá libertar a nação de tantos escândalos e decepções.        

 

A inserção das reivindicações populares no processo de desenvolvimento do país, a classe média mobilizada em prol de valores maiores que não os essencialmente particulares, as elites motivadas pelo progresso do Brasil no rumo de uma grande nação de primeiro mundo, todos unidos, independente dos interesses adversos a serem confrontados na contramão da Soberania Nacional. Porque não sonhar com um pacto de unidade nacional em prol de um objetivo reformista em comum? É hora do país se libertar de mentalidades corruptas que lesam a pátria!     

 Não cabe mais discutirmos a limpeza da lixeira do Senado, que tem apoio de Corregedor ex-delegado do DOPS. Muito menos contratos suspeitos de superfaturamento, caixa dois, nomeações secretas, mensalões e mensalinhos. Muito mais produtivo do que nossa resignação perante esta realidade corrupta será a nossa indignação para concretizar de vez as reformas estruturais fundamentais para o Brasil. 

 

 

 Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

postado por Christopher Goulart às 14:56

A Democracia Sangra

25 de junho de 2009
 

A DEMOCRACIA SANGRA

 

Na história de nosso país, foi imensurável o sacrifício de grandes pensadores da democracia brasileira, de homens de grande valor cívico e patriótico que prestaram serviços relevantes à república desde a sua proclamação por Deodoro da Fonseca em 1889. Tanta gente que enfrentou violentas ditaduras militares e seus perversos métodos opressores para calar as vozes populares e suas liberdades de expressão. Até mesmo muito sangue brasileiro foi derramado no país para consolidar as tão festejadas instituições democráticas e suas formas de representatividade com o sentido de zelar pelos interesses soberanos da nação.

Tantas batalhas, levantes, repressões, golpes, tudo para desencadear a vitoriosa retomada da democracia em 1985 e firmar um belo exemplar de carta magna em 1988. Pois agora, interpretando as notícias de corrupção política que assolam os jornais diariamente, maculando o parlamento, tem-se a sensação de que absolutamente nada deste sacrifício republicano em prol da democracia valeu à pena.

A indignação é tão grande que muitas vezes se transforma perigosamente em resignação, diante de um falso sentimento de incapacidade perante esta degradação ética e escândalos compulsivos, um atrás do outro, denotados em roubalheiras de todo tipo. Assim como é falsa a sensação de que nosso parlamento está completamente corrompido, também é exaustiva, porém verdadeira, a afirmação de que só o povo pode mudar este quadro político através do exercício pleno da cidadania: o voto consciente.

Pobre Democracia brasileira! Indignos estes representantes políticos que não honram ao sacrifício de gerações pretéritas, nem têm vergonha de roubar de um povo saqueado desde sempre. Por outro lado, salve os patriotas exemplos de dignidade e moral, como Darcy Ribeiro, que nos ensinou um dia que “só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”. 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

postado por Christopher Goulart às 17:10

Artigo: Memórias de uma política externa independente

19 de junho de 2009

 

 

Memórias de uma política externa independente.  

A notícia mundial veiculada na semana passada de que a Assembléia da OEA revogou a medida que suspendeu Cuba da entidade em 1962, foi celebrada como um grande avanço político aos objetivos que se propõe esta entidade, que inclui o fortalecimento às instituições Democráticas das Américas e assuntos relacionados ao comércio e integração. Porém, tal presságio de solução para a reintegração da ilha ao sistema globalizado da economia mundial, sem restrições e embargos, não encontrou respaldo do líder da Revolução Cubana, que acusa a Organização de ser cúmplice de todos os crimes cometidos contra seu país. Em seu artigo intitulado “O Cavalo de Tróia”, Fidel Castro diz que nenhum país da América Latina pode negar que foi, em algum momento, “vítima das intervenções e agressões políticas e econômicas de governos dos Estados Unidos.”

Nesse aspecto, leviano seria tirar razão ao Comandante, pois basta uma simples análise do que representaram as Ditaduras Militares em toda a América Latina, e vamos compreender que os Estados Unidos da América, signatário da Carta da OEA, patrocinaram direta e indiretamente a todos estes tristes regimes de exceção, onde se atentou contra as liberdades democráticas. Tal carta internacional foi criada no ano de 1947, e no seu artigo 19 está escrito que “nenhum Estado ou grupo de Estados tem o direito de intervir, direta ou indiretamente, seja qual for o motivo, nos assuntos internos ou externos de qualquer outro. Este princípio exclui não somente a força armada, mas também qualquer outra forma de interferência ou de tendência atentatória à personalidade do Estado e dos elementos políticos, econômicos e culturais que o constituem.”

O mais interessante é que já em 1962, ano da exclusão de Cuba da OEA a mando do Presidente Kennedy, o Governo brasileiro da época, adepto ao princípio da autodeterminação dos povos e contrário à ingerência nefasta nas soberanias dos países, tinha como Ministro das Relações Exteriores o notável cidadão chamado San Tiago Dantas, que na conferência da OEA de Punta Del Este de janeiro de 1962 opôs-se às sanções contra Cuba e absteve-se da resolução que suspendia o governo cubano da OEA. Era a política externa independente do Governo João Goulart aplicada na prática, e poucas vezes a opinião pública brasileira mobilizou-se em assuntos de política internacional como fez naquele janeiro de 1962.

Tal posicionamento consolidado de política externa, juntamente com tantas outras medidas reformistas de caráter nacionalista, provavelmente tenha sido umas das grandes causas para a grande ingerência dos Estados Unidos em nossa soberania, esta ocorrida no dia 1° de abril de 64, e é exatamente aí onde reside a ligação da história republicana de nosso país com a dura realidade econômica imposta a Cuba durante longos 47 anos. Fomos contrários às sanções contra Cuba, decisão esta jamais olvidada naquele país.

Decisões de graves sanções e intervenções internacionais como estas, tanto em Cuba como no Brasil, que contrariam à própria carta da OEA, são revestidas de traição a pactos constitucionais e internacionais, traição a processos democráticos, traição ao Estado de Direito, traição aos interesses soberano das nações, ao patrimônio e às suas culturas. A recuperação de nossa soberania republicana é um processo que deve ser amadurecido pela sociedade, e por isso vale lembrar a política externa independente daqueles tempos, num país onde a memória é facilmente esquecida.    

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

 

 

 

   

 

 

 

 

postado por Christopher Goulart às 00:01

Parabens ao reformista.

26 de maio de 2009

 

 

   

Parabéns ao reformista que se foi.

A data de 01 de março teve a marca de um aniversariante ilustre de nosso país, já falecido, que prestou serviços extremamente relevantes à pátria brasileira e que deve ser sempre lembrado como o maior exemplo de reformista em nossa história republicana. Foi o dia de celebrar os 90 anos do presidente Jango e contextualizar seu projeto político de emancipação e autodeterminação nacional calcado em preceitos de soberania, independência, dignidade e principalmente na maior amplitude da concepção de patriotismo, abandonado já ha muitas décadas da consciência popular do país.

Todos os anos, desde o dia em que o saudoso Vereador de Porto Alegre Isaac Ainhorn idealizou a construção do pequeno busto localizado próximo à usina do Gasômetro na capital gaúcha, cidadãos prestam ali suas homenagens ao presidente derrocado inconstitucionalmente pelo golpe de 1964 e condenado a morrer na solidão do exílio. Dessa forma, no domingo às 10:30 h, realizou-se o ato de reverência a um líder injustiçado pela ira das elites-oligarcas nacionais e internacionais, que jamais aceitaram quebrar a mentalidade subserviente e até mesmo colonial que impera no Brasil, tornando um verdadeiro continente com todas as potencialidades e recursos imagináveis a mercê de interesses alheios ao verdadeiro desenvolvimento.

Parece até que é “normal” que em nosso país exista a pior concentração de renda do mundo, parece até “normal” que a miséria, violência, desemprego, analfabetismo, caos na saúde e desamparo absoluto à população brasileira dos mais elementares direitos constitucionais fazem parte de um quotidiano irremediável que todos temos que observar sem nada fazer para alterar essa triste e lamentável realidade. Pois definitivamente essa realidade não é e nem pode ser normal! Não podemos simplesmente aceitar como “normal” uma criança drogada ao meio dia numa sinaleira da vida, realizando malabarismos com calotas velhas de automóveis luxuosos, pedindo esmola para ter algo para comer, enquanto nos escondemos por trás dos vidros de ar condicionado.

Prefiro ficar com a lição de Darcy Ribeiro, antropólogo indigenista que foi chefe da casa civil de João Goulart, igualmente corrido do Brasil pela Ditadura Militar, que ensinava às gerações: “Só existem duas alternativas; a resignação ou a indignação”.  Prefiro ficar com a segunda alternativa do mestre. Não podemos simplesmente aceitar que uma potência continental como o Brasil seja relegado ao plano de proletariado externo do mercado internacional, sendo permanentemente espoliado e impedido de crescer com um mercado interno fortalecido e com uma política externa independente, ficando eternamente subservientes aos países ricos do planeta e queimando trabalho de nossa valorosa população.

Por tudo isso é importante relembrar o projeto de governo de Jango, através das reformas de base, que buscava alterar as estruturas políticas, sociais e econômicas já viciadas talvez desde os tempos em que Deodoro da Fonseca instalou a república em 1889 já com seqüelas profundas da monarquia. Ao comprometer-se em praça pública no dia 13 de março de 1964 na cidade do Rio de Janeiro com estas reformas profundas, o aniversariante João Goulart fez um pacto com as novas gerações brasileiras: que é possível sim reverter as injustiças dilacerantes que nosso povo sente na pele diariamente e tornar o Brasil um país de primeiro mundo.                    

 

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

        

postado por Christopher Goulart às 16:14

Roda Mundo

26 de maio de 2009

 

 

   

A constante polêmica sobre a morte em circunstâncias suspeitas do Presidente João Goulart, muito mais do que buscar a elucidação da certeza de um fato típico de operação Condor, traz à tona o principal personagem político da nem tão longínqua década de 60. Semana passada, em revista de grande circulação Nacional, lá estava novamente uma bela foto de Jango na capa, relembrando uma biografia política que aparentemente havia sido sepultada pela Ditadura Militar - ou ao menos assim foi desejado pela repressão, pois Jango, no limitado entendimento de muitos, era “um comunista subversivo que promovia agitações sociais e visava implantar uma república sindicalista no Brasil nos mesmos moldes do que Perón na Argentina.” E com estas enganosas justificativas procuravam cometer um dos maiores atentados contra a nossa a recente história brasileira, qual seja o de querer ludibriar a sabedoria popular da nação.

Pobres daqueles que não perceberam que o mundo dá voltas, e que as injustiças acabam sendo desmascaradas com o tempo pela própria Lei divina, na ótica dos cidadãos de fé profunda. Olhando a capa daquela revista lembrei-me da letra de uma música de Chico Buarque, que diz: “A gente vai contra a corrente até não poder resistir, na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir. Faz tempo que agente cultiva a mais linda roseira que há, mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira pra lá”. Muitos patriotas tombaram igualmente a João Goulart dentro de batalhas de proporções desiguais, amparados nas reivindicações de minorias desamparadas, mas com a responsabilidade de perpetuar um legado para o futuro onde a roda viva ressurja com força máxima.

O que dizer, por exemplo, do índio Sepé Tiarajú, nascido na redução de São Luiz Gonzaga, que contrariado com o tratado de Madri de 1750 que exigia que milhares de índios guaranis abandonassem a região das Sete Missões, defendeu com máximo ardor aquelas terras. Morreu em combate, gritando “Essa terra tem dono!”, e jamais se intimidou com o fogo das armas de Portugueses e Espanhóis, mesmo tendo apenas flechas para contra-atacar. O bravo índio sucumbiu em combate, mas sua bravura heróica ficou gravada para a eternidade na roda viva que passa pelas gerações que se sucedem.   

 

Jango, missioneiro de São Borja, tem enraizado na sua biografia um pouco desta resistência Guarani, exemplificada na sua luta contra opressão do povo pelas Elites nacionais e internacionais, na luta pela independência econômica do Brasil, na luta pela justiça social, e na luta contra aquela que é hoje a pior concentração de renda do mundo. Enquanto o Brasil se mantiver como um proletariado externo do mercado internacional, nas palavras do indigenista Darcy Ribeiro, e não houver a resistência necessária para podermos bradar como o índio missioneiro do século XVIII que dizia que “esta terra tem dono!”, a realidade do nosso mundo continuará rodando para pior, pois a miséria, a violência, o desemprego e tantas mazelas sociais só tendem a aumentar.

Dia 1° de abril, o dia da mentira, tem a marca dos 45 anos do golpe militar-inconstitucional. Refletindo sobre essa data, sobre a realidade política, social e econômica de nosso país, sobre a luta de Sepé Tiarajú, Darcy Ribeiro e meu avô João Goulart, refletindo sobre a letra da música do mestre Chico, concluí meu pensamento com Elis Regina, na música o Bêbado e a equilibrista que diz lá pelas tantas: “a esperança dança na corda bamba de sombrinha e em cada passo dessa linha pode se machucar, a esperança equilibrista, sabe que o show de todo artista tem que continuar”.

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.   

 

 

postado por Christopher Goulart às 16:08

A noite que durou 21 anos

26 de maio de 2009
 

Certamente a reflexão que o presente texto pretende atingir já foi inúmeras vezes proposta em outras ocasiões sob muitos enfoques e abordagens diferenciadas, inclusive com versões de ambos os lados que dividiram o país naquele lamentável acontecimento ocorrido em 1° de abril de 1964, exatamente no dia da mentira. Mas há fatos que hoje não podemos mais negar, e a história brasileira vem compreendendo o ocorrido. Foi um golpe inconstitucional, conduzido por militares – não todos, patrocinados pelos Estados Unidos e amparado pelas elites nacionais e internacionais que se contrapunham a qualquer projeto nacionalista dentro do Brasil.

O fato é que foi um golpe contra a democracia brasileira, e jamais uma “revolução”! E muitos daqueles civis que inicialmente apoiaram aquela quartelada de 64, no transcorrer da ditadura que durou 21 anos, refletiram o quanto era bom viver com as liberdades democráticas que o Governo reformista de Jango proporcionava, e começaram a entender melhor o que aquela “revolução” representava para a pátria: era a efetiva contribuição para sermos hoje o país com a pior concentração de renda do mundo. 

Sob a pecha mentirosa de comunista, divulgado pelo IBAD, IPES, Escola Superior de Guerra, e tantas instituições golpistas, sob a chancela do embaixador americano Lincoln Gordon, atacavam ao presidente João Goulart, fazendeiro, capitalista, cristão, que acabou por ser o único chefe da nação a morrer assassinado no exílio. Por quê? Muito simples. No seu projeto de nação, dentro de um regime presidencialista que durou apenas 1 ano, 2 meses e 23 dias, este gaúcho à frente de seu tempo pretendia implementar no Brasil as reformas de base. É isso.

Quais os interesses econômicos que seriam confrontados com um governo popular que visava reformas profundas, e não superficiais? Tiremos nossas próprias conclusões, pois até hoje estas reformas não foram feitas em nosso país. Por isso, hoje, 45 anos do golpe contra a democracia brasileira, vale refletir o quanto é importante consolidarmos cada vez mais o Estado de Direito Democrático, fortalecendo as instituições democráticas aniquiladas no dia 1° de abril de 1964.

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

postado por Christopher Goulart às 16:04

Museu "João Goulart"em São Borja.

21 de maio de 2009

ARTIGO

Museu João Goulart em São Borja
A necessidade de preservar o patrimônio cultural de lideres da cultura e da política gaúcha, assunto este elucidado em Zero Hora do último sábado
Crédito Foto: Sidnei Fenerharme

A necessidade de preservar o patrimônio cultural de lideres da cultura e da política gaúcha, assunto este elucidado em Zero Hora do último sábado, está diretamente relacionada com a preservação das origens de um Estado considerado mais politizado por todo o Brasil. Certamente o conceito conhecido e propagado com orgulho de â?oEstado politizadoâ?? passa obrigatoriamente pela manutenção dos legados destas grandes lideranças que já saíram da vida para entrar na história, com incentivos das famílias e apoios de Governos comprometidos em transmitir cultura amparada em exemplos de cidadãos notórios para as novas gerações que surgem.
Com o presidente Jango não poderia ser diferente, e nossa luta como Diretor de Acervo e Comunicação do Instituto João Goulart e Presidente da Associação de Amigos João Goulart, sempre foi centrada na lógica de que João Goulart nasceu e foi enterrado em São Borja, tendo sido o herdeiro político de outro ilustre São Borjense organizador do Estado brasileiro, chamado Dr. Getúlio Vargas. Assim sendo, por óbvio, o legado vanguardista do presidente missioneiro e reformista, será preservado aqui no seu Estado natal, e a previsão de inauguração do museu João Goulart está marcada para o dia 6 de agosto do corrente ano, data esta a ser celebrada pelo povo gaúcho.
Para tal concretização de uma idéia a muitos anos planejada, não podemos deixar de felicitar a Empresa AES Sul, apoiadora do projeto Museu João Goulart, o Governo da Sra. Yeda Crusius, representado por sua Secretária de Cultura Mônica Leal bem como a Prefeitura Municipal de São Borja, que tem como líder o Sr. Mariovane Weis.
No casarão de São Borja onde Jango viveu muitos anos, doado pela família Goulart com a finalidade da construção deste museu, permanecerá viva a memória deste que pode ser considerado um mártir pacificador da democracia brasileira no momento em que deixou sua marca na história ao evitar duas guerras civis, tanto no ano de 1961 como no ano de 1964.



Na casa de João Goulart estará presente um acervo que hoje se encontra no Museu da República no Rio de Janeiro, no Arquivo Nacional e na Fundação Getúlio Vargas, que já podem ser visualizados no site www.institutojoaogoulart.org.br, bem como muitos objetos que se encontram sob a guarda da família. E a idéia de preservação do legado de Jango vai além, pois consta no projeto que este acervo será itinerante, podendo ser realizadas exposições em outros locais do Rio grande do Sul como Universidades ou Prefeituras, sempre no sentido de manter vivo e até mesmo reascender um legado político de vanguarda.
Vale sempre recordar que apesar do projeto de Governo de João Goulart, calcado nas reformas de base, ter sido derrocado inconstitucionalmente há 45 anos atrás, o mesmo se mantém atual num cenário social, político e econômico que exige mudanças profundas nas suas estruturas estatais já viciadas a longas décadas, com fortes resquícios de colonialismo subserviente. Este Museu servirá para jamais esquecermos esta realidade e inspirarmos na busca de soluções para o desenvolvimento de nosso país.



Christopher Goulart
Advogado, neto de Jango.
postado por Christopher Goulart às 12:29

Drogas, pais e filhos. Artigo.

28 de abril de 2009

DROGAS, PAIS E FILHOS. 

Entre tantas barbaridades que nos deparamos diariamente diante das páginas dos jornais, fatos que de tão repetitivos passam a ser lamentavelmente normais como a corrupção, enriquecimento ilícito e violências de todas as formas possíveis, certamente nesta semana o Rio Grande do Sul ficou em choque com a notícia da mãe que matou seu filho a tiros de espingarda em decorrência do crack, num bairro de classe média-alta de Porto Alegre. Isto não é novidade, pois Zero Hora já noticiou casos similares ocorridos na periferia da capital, mas o que vemos agora é a comprovação do engano daqueles que pensavam que esta droga letal só atinge aos moradores de favelas. Aqui a primeira constatação: É preciso que um filho de família abastada morra tragicamente para chamar a atenção da sociedade para um problema que não tem classe social.

Na verdade este jovem não morreu no momento do disparo da arma. Este jovem, como tantos outros, começam a morrer lentamente quando iniciam com o consumo de entorpecentes na adolescência e seguem sem rumo para o caminho da destruição de suas vidas. O que está acontecendo com a sociedade que testemunha pacificamente o absurdo de perder os jovens para as drogas? O que podemos fazer para que isto não aconteça mais? Sejamos sinceros com nossa consciência, pois muitas vezes a resposta está a um palmo dos olhos, e não enxergamos pela justificativa hipócrita da “falta de tempo”. Tempo pra que? Para pensar em coisas fúteis e materiais, vaidades, dinheiro, status, e tantas outras superficialidades que no dia da morte não serão levadas para outros planos? É exatamente assim que deixamos de semear o amor na terra e esquecemo-nos que o diálogo afetivo com nossos filhos é um ato de amor. Na ausência deste amor, perdemos nossos filhos para as drogas.

Mais do que diálogo aberto e interesse por absolutamente tudo que rodeia a vida de nossos filhos, que são a continuação de nossas próprias vidas, faz-se fundamental na atual circunstância que a escola passe a ter um papel decisivo na formação da criança e adolescente na questão das drogas, conscientizando aos alunos que o consumo leva inexoravelmente a tragédias fatais. E tudo o que uma criança não quer é morrer! Será que o Estado não enxerga isso por “falta de tempo”, ou é tão difícil assim perceber que devemos ter nos currículos escolares um instrumento que evite tragédias como a que ocorreu na zona sul de Porto Alegre?

Outra opção para a guerra contra as drogas e a formação íntegra de nossos filhos, além de dar-lhes amor e uma escola combativa, pode residir na prática de esportes, e só cabe aos pais este incentivo. Todos nós sabemos que esporte e drogas não combinam, e, portanto, além da família, também o Estado deve contribuir neste aspecto, para contribuir para que os jovens não sucumbam na mão nefasta de traficantes.

O fato é que o Estado até pode falhar, mas os pais não têm o direito de pecar por falta de amor – sejam eles da classe social baixa, média ou alta, e muito menos de justificar a ausência com seus filhos em decorrência de “falta de tempo”, perdido inutilmente num mundo devastador de valores elementares, onde o sentimento mais divino da humanidade é preterido por assuntos supérfluos que nos fim das contas não nos levam a lugar nenhum.

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

Pai da Valentina Goulart.    

postado por Christopher Goulart às 14:53